Como Fazer uma Boa Redação do ENEM

Como fazer uma boa Redação do ENEM

Diariamente eu tenho contato com alunos que pretendem fazer o ENEM para conquistar uma vaga na universidade através do SISU. Alguns estudam muito, mas mesmo assim não têm muita ideia sobre como fazer uma boa redação do ENEM. Nosso sistema de ensino é falho, infelizmente.

Os alunos não conhecem a estrutura correta de uma dissertação, não sabem sequer como iniciar a redação – ficam como bobos olhando para a folha em branco –, têm dificuldades para escrever os argumentos e elaborar uma boa conclusão de acordo com os critérios do Exame Nacional do Ensino Médio. Além disso, materiais de cursinhos, artigos da internet ou vídeos do Youtube costumam abordar apenas dicas gerais de redação, o que costuma não ajudar (e sim confundir) aqueles que buscam alcançar a nota 1000.

Pensando em todas essas questões, nesse artigo vou ajudar você a aumentar suas notas fazendo uma redação ENEM passo a passo, com exemplos práticos, não apenas generalidades. Você aprenderá sobre todos os principais aspectos necessários para elaborar uma boa redação.

Estrutura da Redação: indo além do básico

Quando converso com alunos sobre redação do ENEM, a maioria costuma saber aquela regra bem básica sobre a estrutura: Introdução, Desenvolvimento e Conclusão. Alguns até sabem que se deve escrever 2 ou 3 parágrafos de argumentação. Só que todos param por aí. O que ninguém sabe é que a estrutura de uma redação nota 1000 vai muito além disso – e o material de cursinhos costuma ser tão superficial que mais atrapalha do que ajuda quem quer fazer uma boa redação.

Estrutura da Redação do ENEM

Para a redação do ENEM, a primeira coisa que você deve saber é que 3 argumentos não cabem em 30 linhas. Como assim? Ora, se você tem apenas 30 linhas para escrever, ao tentar elaborar 3 argumentos, o resultado será só um: superficialidade. Por isso, 2 argumentos, um parágrafo cada um, é o caminho.

Não se preocupe agora. Já já vamos ver exemplos de redações do ENEM.

Outro aspecto altamente negligenciado e que gera muita perda de nota é a estrutura do parágrafo. A quase totalidade dos alunos que começam a ter aula particular comigo nunca sequer ouviu falar que o parágrafo tem uma estrutura correta a ser seguida.

Como regra geral, um parágrafo de dissertação argumentativa (e aqui estou falando tanto de ENEM quanto de vestibular ou concurso público) deve ter 3 frases, cada uma com um objetivo específico. Se pensarmos num parágrafo de argumento, por exemplo, a estrutura é a seguinte:

  • A primeira frase é curta (máximo de 2 linhas) e simples. Serve para mostrar de forma geral qual o tema daquele parágrafo. Ela tem o nome técnico de tópico frasal.
  • A segunda frase é o coração do argumento. Aqui você vai convencer o leitor através de uma das estratégias de argumentação: exemplos concretos, estatísticas, argumento de autoridade etc. Eu gosto muito da técnica que utiliza exemplos concretos, usando geralmente 3 deles para dar corpo a essa parte tão importante.
  • A terceira frase, finalmente, é uma espécie de conclusão do parágrafo. Você deve chegar a uma síntese a partir do que falou nesse parágrafo e estabelecer uma ligação com o que vai falar no próximo.

Veja um exemplo disso na prática:

Ao lado desses jovens, os defensores das novas tecnologias salientam seus pontos positivos. Falam da enorme rapidez no âmbito das telecomunicações, com recursos como a internet e telefonia móvel, dos avanços no tratamento e prevenção de doenças e, principalmente, da democratização do acesso à informação, algo que vem alterando, inclusive, o papel da escola em nossa sociedade. Todos são argumentos plausíveis, mas deixam de lado aqueles levantados pelo grupo dos “apocalípticos”, para usarmos ainda os termos do grande teórico italiano.

Nesse parágrafo é possível visualizar exatamente a estrutura que acabo de mostrar: a primeira frase, o tópico frasal, diz que o parágrafo falará dos pontos positivos da tecnologia (que era o tema da redação); a segunda frase dá exemplos concretos, mostrando quais são esses pontos citados no tópico frasal; finalmente, a terceira frase conclui o parágrafo fazendo uma ligação com o que seria escrito no argumento seguinte.

Vamos falar mais sobre argumentação daqui a pouco, mas agora preste atenção, pois o próximo tópico vai evitar que você zere a redação do ENEM já no primeiro parágrafo. A introdução deve seguir uma estrutura menos rígida, mas precisa conter alguns elementos essenciais para você ter chance de alcançar a nota 1000 na redação.

Como iniciar uma redação: superando o fantasma da folha em branco

Eu já presenciei essa cena centenas de vezes: o aluno está parado, olhando para a folha em branco com uma expressão de dúvida, insegurança e confusão.

Você se identifica? Durante a prova do ENEM, você simplesmente não tem tempo para ficar com essa insegurança na hora de começar a redação. O pior de tudo é que os vídeos e artigos que encontramos na internet dão apenas dicas gerais, sem nunca indicar um caminho passo a passo que ajude de verdade na hora de fazer uma boa redação – não é por nada que mais de meio milhão de alunos costuma zerar essa prova.

Boa redação do ENEM: supere o fantasma da folha em branco

Você vai superar o fantasma da folha em branco quando entender a estrutura correta para uma introdução. Ela precisa de, no mínimo, 2 desses 3 elementos (e o terceiro é obrigatório)

  • Uma contextualização de tempo em relação ao tema/problema proposto. Entender de História, aqui, é uma qualidade essencial, pois praticamente qualquer tema pode ser analisado sob uma perspectiva histórica.
  • A visão de algum grande e conhecido pensador a respeito de algo que possa ser relacionado ao tema da redação. Citar um filósofo, sociólogo ou cientista funciona muito bem aqui.
  • O seu posicionamento pessoal a respeito do tema, também chamado de tese. Sem esse elemento, você tem grandes chances de zerar a dissertação logo de cara. Aqui você dá o tom, ou seja, mostra qual o enfoque você dará ao problema ao longo do texto.

Os itens 1 e 2 têm o objetivo de contemplar as exigências da competência 3, critério de avaliação que envolve justamente relacionar informações de diversas áreas do conhecimento.

Você pode visualizar um exemplo que usa os itens 2 e 3 no parágrafo abaixo, que é um bom modelo de introdução para a redação do ENEM para temas que envolvam questões sociais.

Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é característica da “modernidade líquida” vivida no século XX. O tempo de duração de um relacionamento entre os jovens, que vem diminuindo de forma assombrosa, reflete essa realidade.

Repare que há apenas duas frases no parágrafo. A primeira expõe a teoria de um grande pensador, e a segunda deixa claro meu posicionamento (negativo) em relação à situação proposta – imaginando que o tema da redação envolvesse a perenidade das relações amorosas entre os jovens.

Vejamos outro exemplo, agora com uma contextualização histórica:

A Revolução Industrial, ocorrida inicialmente na Inglaterra durante o século XVIII, trouxe a necessidade de um mercado consumidor cada vez maior em função do aumento de produção. Para isso, o investimento em publicidade tornou-se um fator essencial para ampliar as vendas das mercadorias produzidas. Na sociedade atual, percebe-se as crianças como um dos focos de publicidade, prática que deve ser restringida pelo Estado para garantir que as crianças não sejam persuadidas a comprar determinado produto.

Agora com 3 frases, essa introdução usa o conhecimento histórico para contextualizar um fenômeno atual – você deve ter notado que o trecho elabora o tema da redação do ENEM 2014, que era publicidade infantil. Repare como a segunda frase serve como uma espécie de ponte entre o passado e o presente: é a chamada técnica de transição. Não é por nada que essa introdução foi retirada (com algumas adaptações feitas por mim) de uma redação nota 1000.

Chegando até aqui você já conhece detalhes sobre a estrutura de uma redação do ENEM e não terá mais problemas para iniciar uma redação. Porém, isso é só o início. A argumentação é outra parte muito importante de uma boa redação. A notícia ruim é que a escola não vai ajudar você nessa parte. A notícia boa é que eu vou!

A argumentação de uma redação nota 1000

No Brasil nós vivemos uma realidade triste: as aulas de português focam-se muito mais no ensino de regras gramaticais descontextualizadas do que nos chamados usos da língua – o que realmente nos ajudaria a escrever melhor.

Aprender a criar bons argumentos envolve muita coisa, inclusive aprender a pensar (que é bem difícil de ensinar para alguns…). Se você compreendeu a estrutura do parágrafo argumentativo que eu expliquei acima, já deu um grande passo, mas também é preciso saber usar os mecanismos linguísticos de forma adequada para estabelecer a coesão textual, que é um critério de avaliação importantíssimo em qualquer tipo de texto, mas ainda mais na redação do ENEM.

Antes de mais nada eu quero mostrar a imagem a seguir:

Como fazer uma boa redação do ENEM: Hierarquia dos argumentos

Eu formulei essa pirâmide baseando-me em um ensaio muito interessante intitulado How to Disagree escrito por Paul Graham. Nele, o autor descreve sete níveis hierárquicos das formas de não concordar com algo.

Graham diz que a maioria dos argumentos que usam a contradição não são convincentes. Isso quer dizer que, a partir de agora, quando você for escrever um texto dissertativo/argumentativo, deve lembrar dessa pirâmide e estabelecer qual o tipo de argumento está usando. Se estiver abaixo da contradição, é melhor reformular seu raciocínio.

Lembre-se que você deve argumentar para defender sua tese, aquela que você escreveu na última frase da introdução. Em alguns casos haverá temas em que você deve posicionar-se a favor, contra, ou pesar ambos os lados. Nesse sentido, é perfeitamente aceitável que você desenvolva um argumento mostrando o lado positivo do problema, e outro mostrando o lado negativo – sempre seguindo a estrutura de parágrafo que você aprendeu no início deste artigo.

Veja o exemplo com os dois argumentos da minha redação sobre desenvolvimento tecnológico:

Ao lado desses jovens, os defensores das novas tecnologias – já definidos por Umberto Eco como o grupo dos “integrados” – salientam seus pontos positivos. Falam da enorme rapidez no âmbito das telecomunicações, com recursos como a internet e telefonia móvel, dos avanços no tratamento e prevenção de doenças e, principalmente, da democratização do acesso à informação, algo que vem alterando, inclusive, o papel da escola em nossa sociedade. Todos são argumentos plausíveis, mas deixam de lado aqueles levantados pelo grupo dos “apocalípticos”, para usarmos ainda os termos do grande teórico italiano.

Esse grupo que demoniza tais inovações encontra respaldo em diversas situações negativas geradas por elas. Como exemplos pode-se citar o sedentarismo por parte dos jovens, que vem gerando doenças atreladas ao aumento das taxas de obesidade nos países em desenvolvimento, a onda de crimes virtuais que a inexistência de legislação específica permite e, ainda, a possibilidade de disseminação irrestrita de informações falsas ou errôneas, o que põe em xeque a referida democratização do acesso a esse bem.

Perceba como o primeiro parágrafo fala dos pontos positivos do desenvolvimento tecnológico, enquanto o segundo fala dos pontos negativos. Essa é uma estratégia que você pode e deve usar para elaborar uma boa redação do ENEM.

Agora, como escrever com coesão, utilizando as estruturas e mecanismos linguísticos corretos? A primeira coisa que você precisa é conhecer os operadores argumentativos e quando usar cada um deles.

Baixe aqui uma lista dos principais operadores argumentativos com exemplos práticos de uso (PDF)

Aqui é a parte que dificilmente a escola vai ensinar: você tem uma lista como essa que acabou de baixar e, digamos, decorou tudo. Mas como usar isso de verdade numa redação? Assista a esse vídeo em que eu explico o passo a passo para escrever uma redação com coesão:

Videoaula: Criando uma redação com coesão

Curtiu? Até aqui você já adquiriu conhecimento para chegar a 800 na redação do ENEM. O que falta para a sonhada nota 1000? Algumas coisas. O primeiro passo é saber qual o critério mais importante na avaliação da sua conclusão. Vem comigo!

A proposta de intervenção perfeita

Todos os anos, na semana posterior ao ENEM, meus alunos ficam desesperados querendo minha opinião sobre sua redação.

Modéstia à parte, os que fizeram aula comigo sempre se saem bem, mas um dos maiores problemas costuma aparecer na conclusão. Muitos se esquecem de que a competência 5 exige que você elabore uma proposta de intervenção original e clara para o problema proposto, explicitando os meios para se chegar àquela solução.

Para o ENEM, uma boa dissertação argumentativa deve demonstrar a capacidade de o candidato pensar sobre sua realidade e intervir nela através de ações concretas, que possam de fato solucionar o problema em pauta. Isso vale nada menos que 200 pontos.

Como escrever a Proposta de Intervenção

Como escrever, então? Você pode seguir a estrutura natural que nós já aprendemos: tópico frasal + conteúdo argumentativo + frase conclusiva. Vale começar com expressões como “Por fim” e “Portanto”? Sem problemas, mas cuidado com outras muito coloquiais como “No fim das contas” ou “Depois de tudo que foi falado”.

Quanto à proposta em si, eu vejo muita gente escrevendo coisas como “o governo deve criar leis, programas, campanhas, blá blá blá”. Não é proibido, mas lembre-se que para tirar nota máxima você deve criar algo original. Portanto, é a hora de pensar fora da caixa e diferenciar-se da manada.

Não esqueça, além disso, de deixar claros quais os meios de se chegar a sua solução. Eu poderia dizer, por exemplo, que para solucionar a fome do mundo basta dar comida para quem não tem. É uma solução? Claro que sim, mas como fazer isso? Sua capacidade de pensar de maneira coerente também está sendo avaliada.

Como todos gostam de exemplos, vamos dar uma olhada em alguns modelos de conclusão nota 1000:

Dessa forma, é possível perceber que a publicidade infantil excessiva influencia de maneira negativa tanto a infância em si como também o Brasil. É preciso que o governo atue iminentemente nesse problema através da aplicação de multas nas empresas de publicidade que ultrapassarem os limites das faixas etárias estabelecidos anteriormente pelo Ministério da Infância e da Juventude. Além disso, é preciso que essas crianças sejam estimuladas pelos pais e pelas escolas a terem um maior hábito de ler, através de concessões fiscais às famílias mais carentes, em livrarias e papelarias, distando um pouco do padrão consumista atual, a fim de que o Brasil garanta um futuro com adultos mais conscientes. Afinal, como afirmou Platão: “o importante não é viver, mas viver bem”.

Perceba que a primeira frase dessa conclusão funciona normalmente como um tópico frasal, sintetizando as ideias desenvolvidas anteriormente. Depois, aborda-se a solução sob vários aspectos: o papel do governo, da família e da escola, indicando claramente o que cada um deve fazer para auxiliar em sua resolução. Por fim, a citação de Platão dá um toque final, demonstrando capacidade de relacionar conhecimentos de outras áreas com o tema em questão.

Vejamos mais um exemplo, dessa vez do ENEM 2013, no qual o tema da redação era a Lei Seca:

Pode-se dizer, portanto, que a iniciativa do governo federal produz benefícios incontestáveis, mas que ainda não são plenamente aplicados. Para tanto, é preciso intensificar a divulgação de propagandas midiáticas que demonstrem as vantagens da nova lei, além de aumentar a fiscalização das vias públicas, por meio da atuação da polícia militar, principalmente em regiões de maior fluxo veicular. Tais medidas, associadas ao incentivo ao uso de táxis com a redução de custos possibilitados por subsídios governamentais são importantes. Afinal, assim será possível, ao menos, garantir a harmonia defendida por Hobbes diante da ordem e do progresso estampados em nossa bandeira.

Apesar de eu não considerar essa conclusão perfeita devido a alguns usos vocabulares e detalhes de pontuação, a proposta de intervenção contempla os critérios da competência 5: ela é original na parte do incentivo ao uso de táxis por meio de subsídios governamentais e ela define os meios para solucionar o problema do excesso de mortes no trânsito em razão do consumo de bebidas alcoólicas.

O Caminho para uma boa Redação do ENEM

Assim, você aprendeu sobre os principais aspectos que levarão você a escrever uma boa redação do ENEM. Vimos que:

  1. a estrutura de uma redação vai muito além da tríade Introdução, Desenvolvimento e Conclusão;
  2. começar uma redação fica muito mais simples se tivermos consciência sobre o que é necessário escrever nessa parte do texto;
  3. escrever argumentos fortes envolve pensar corretamente, mas também utilizar elementos coesivos adequados para cada situação (guarde e consulte sempre aquele PDF!);
  4. para fazer uma conclusão nota 1000, é preciso atentar à competência 5, que envolve criar uma proposta de intervenção original, clara e que defina os meios de solução para o problema.

Agora é a sua vez! Assimilar e aplicar todos essas técnicas vai levar tempo e muita dedicação de sua parte. É muito importante que você possa ter suas redações corrigidas por um especialista que seja capaz de indicar detalhadamente os pontos em que você precisa melhorar.

Para isso, o melhor curso de Redação para o ENEM é o Redação Definitiva para Vestibulares e ENEM. Nele, você terá o apoio de mestres e doutores em Língua Portuguesa que vão corrigir suas dissertações de acordo com os critérios do Exame Nacional do Ensino Médio e ainda lhe fornecer todas as técnicas necessárias para alcançar a nota 1000.

André Augusto Gazola é formado em Letras, professor de Literatura e História da Arte, pós-graduado em Metodologia de Ensino de Língua Portuguesa e Literatura e fundador do blog Lendo.org.

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