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Literatura: dúvidas de última hora – Vestibular UFRGS 2012

Domingo começa o vestibular de uma das maiores universidades do país, a UFRGS. Muitos de meus alunos(as) e ex-alunos(as) farão as provas, que vão até quarta-feira.

Para ajudar a todos que entrarão nessa batalha, estou abrindo o espaço de comentários do blog para perguntas de última hora sobre Literatura Brasileira e Portuguesa.

Não é preciso que você tenha sido meu aluno, nem que vá fazer vestibular UFRGS, basta fazer a pergunta — que deve ser pontual e objetiva, não vou ficar explicando generalidades — e eu vou responder o mais rápido possível.

Aproveite! Divulgue para seus amigos, curta no Facebook! É só até quarta-feira, dia 11/01!

10 dicas para melhorar seu aprendizado

Como professor e aluno, eu sempre estou interessado em encontrar novas formas de aprender melhor e mais rápido. Sendo professor de Literatura, Filosofia e História da Arte, problogger, candidato à pós-graduação em uma universidade federal e enxadrista, a quantidade de tempo que disponho para aprender coisas novas é limitada, por isso é importante conseguir extrair o máximo possível de cada coisa que eu estudar.

Porém, o que significa exatamente aprender melhor? Há três palavras muito importantes quando pensamos nisso: retenção, memória e transferência. Ou seja, é preciso reter aquilo que aprendemos na memória, relembrar esse aprendizado em um momento posterior e ter a capacidade de aplicá-lo efetivamente em diferentes situações.

Abaixo selecionei 10 dicas que aprendi ao longo de alguns anos de estudo árduo e também através de leituras recentes, indicadas no final do artigo.

1. Melhore sua memória

Existem diversos livros e cursos que prometem milagres para sua memória — alguns muito bons como o Curso de Memorização e Leitura Dinâmica que eu fiz recentemente. Porém, dicas simples como melhorar seu foco, evitar sessões de estudo desorganizadas e estruturar seu tempo de estudo são bons modos de começar. Contudo, há muitas outras contribuições da psicologia que podem aumentar dramaticamente a eficiência de seu aprendizado. Particularmente, gosto do livro Aprendizagem e Memória, de Francoise Cordier.

2. Continue aprendendo (e praticando) coisas novas

Uma forma completamente garantia de aprender com mais facilidade é simplesmente continuar aprendendo coisas novas, sempre. Um artigo de 2004 da revista Nature relatou que pessoas que aprenderam a fazer malabarismo aumentaram a quantidade de massa cinzenta em seus lobos occipitais, a área do cérebro associada à memória visual(1). Porém, quando esses indivíduos pararam de praticar essa habilidade, a massa cinzenta desapareceu.

Então, se você estiver aprendendo um novo idioma, por exemplo, é importante continuar praticando para manter esse aprendizado intacto. Esse fenômeno “use-o ou perca-o” envolve um processo cerebral conhecido como “poda” — certas conexões cerebrais são mantidas, enquanto outras são eliminadas. Por isso, é preciso usar continuamente tudo que aprendemos para que aquilo continue vivo no cérebro.

3. Aprenda de formas variadas

Esforce-se para aprender de formas diferentes. Ao invés de ouvir uma aula em mp3, que envolve apenas o sentido da audição, encontre formas de repassar a informação tanto visual quando verbalmente. Você pode fazer isso descrevendo aquilo que você aprendeu para um amigo, tomando notas, ou desenhando um esquema ou mapa mental. Ao aprender de formas diferentes o mesmo conteúdo, você fixa melhor aquilo em seu cérebro. De acordo com a neurologista Judy Willis:

Quanto mais regiões do cérebro armazenarem dados sobre um determinado assunto, mais interconexões haverá. Essa aparente redundância significa que o estudante terá mais chances de resgatar aquelas informações espalhadas pelo seu cérebro quando for aplicar aquele conhecimento em uma questão individual. Essa referência cruzada de informações significa que nós realmente aprendemos, não apenas memorizamos. [tradução livre](2)

4. Ensine o que você aprendeu para outra pessoa

Professores sabem do que eu estou falando. Uma das melhores formas de aprender algo é ensinar aquilo para outras pessoas. Entendeu o motivo de você ter que apresentar alguns trabalhos para toda a turma, seja na escola ou na universidade? Ao ensinar algum conteúdo para o resto dos seus colegas, nós professores esperamos que você aprenda ainda mais a partir dessa experiência. Você pode aplicar esse mesmo princípio sem ser dentro da escola. Tem muita gente interessada no que você aprende, basta começar a lhes contar!

Você pode começar traduzindo em suas próprias palavras uma determinada matéria ensinada pelo professor. Esse processo, por si só, já ajuda a solidificar o conhecimento no cérebro. Depois, encontre alguma forma de compartilhar o que você aprendeu. Esse é um dos motivos de eu adorar escrever artigos em blogs! Além de ajudar outras pessoas, eu aumento meu próprio aprendizado. Legal, né?

5. Utilize aprendizados antigos para facilitar os atuais

Outro jeito fantástico de aprender mais rápido e melhor é fazendo relações, o que significa associar novas informações com coisas que você já sabe. Por exemplo, se você está aprendendo sobre Romeu e Julieta, você pode associar o que você está aprendendo sobre a peça com aquilo que você já sabia sobre Shakespeare, o período histórico em que o autor viveu e outras informações relevantes.

6. Ganhe experiência prática

Para muitos de nós, aprender costuma ser uma prática que envolve ler livros, assistir aulas e fazer pesquisas na internet ou biblioteca da escola. Apesar da importância disso tudo, praticar efetivamente novos conhecimentos pode ser uma das melhores formas de aumentar o aprendizado. Se você está tentando adquirir uma nova habilidade, faça tudo que for possível para ganhar experiência prática. Se for um esporte ou atividade física, pratique regularmente. Se está aprendendo um novo idioma, pratique conversando com outra pessoa.

7. Procure soluções ao invés de se esforçar para lembrar a resposta

Obviamente o aprendizado não é um processo perfeito. Às vezes nós esquecemos detalhes sobre coisas que já aprendemos. Quando você se encontrar em dificuldades para relembrar pequenas quantidades de informação, pesquisas sugerem que a melhor coisa a fazer é simplesmente olhar a resposta correta. Um estudo demonstrou que quanto mais tempo você gastar tentando resgatar a resposta, maior será a possibilidade de você esquecê-la novamente no futuro. Por quê? Segundo o estudo, essas tentativas de relembrar informações previamente aprendidas, na verdade, resultam no aprendizado de um “estado de erro” ao invés da resposta certa.

8. Entenda como você aprende melhor

Outra fabulosa estratégia para melhorar a eficiência de sua aprendizagem é reconhecer seus hábitos e estilo de aprendizado. Há numerosas teorias sobre como as pessoas aprendem que podem ajudar você a entender melhor de que forma você aprende. A teoria das inteligências múltiplas, de Gardner, descreve oito tipos diferentes de inteligência, o que pode ajudar você descobrir seus pontos fortes. Dar uma lida nas dimensões dos estilos de aprendizagem de Carl Jung também vai ajudar a entender quais estratégias funcionam melhor no seu caso.

9. Use as provas para maximizar seu aprendizado

Pode parecer que passar mais tempo estudando é uma das melhores formas de aumentar o aprendizado. No entanto, uma pesquisa demonstrou que fazer provas, na verdade, ajuda muito mais a lembrar aquilo que aprendemos, mesmo que determinado conteúdo não caia na avaliação(3). O estudo relevou que alunos que estudaram e então foram submetidos a uma prova conseguiram lembrar por mais tempo dos conteúdos, mesmo que eles não tenham caído na prova. Já aqueles alunos que tiveram tempo extra para estudar, mas não fizeram prova nenhuma, tiveram um desempenho significativamente pior. Compreende agora o motivo das provas na escola?

10. Pare de fazer tudo ao mesmo tempo!

Por muitos anos, acreditou-se que as pessoas capazes de realizar diversas tarefas ao mesmo tempo tinham vantagem sobre as outras. No entanto, as pesquisas estão cada vez mais sugerindo que fazer muitas coisas ao mesmo tempo torna o aprendizado menos efetivo. No estudo, participantes perderam quantidades significativas de tempo mudando entre as tarefas e perderam ainda mais tempo conforme elas ficavam mais complexas(4). Mudando continuamente de uma atividade para outra, você aprende mais devagar, torna-se menos eficiente e comete mais erros. É a prova conclusiva de que ouvir música ou assistir televisão ao mesmo tempo em que faz a lição de casa vai atrapalhar MUITO seu aprendizado.

Como evitar esse problema? Comece a focar sua atenção para apenas uma tarefa por vez e continue trabalhando nela durante um tempo predeterminado por você.

Referências

1 Draganski, B., Gaser, C., Busch, V., & Schuierer, G. (2004). Neuroplasticity: Changes in grey matter induced by training. Nature, 427(22), 311-312.

2 Willis, J. (2008). Brain-based teaching strategies for improving students’ memory, learning, and test-taking success.(Review of Research). Childhood Education, 83(5), 31-316.

3 Chan, J.C., McDermott, K.B., & Roediger, H.L. (2007). Retrieval-induced facilitation. Journal of Experimental Psychology: General, 135(4), 553-571.

4 Rubinstein, Joshua S.; Meyer, David E.; Evans, Jeffrey E. Journal of Experimental Psychology: Human Perception and Performance, 27(4), 763-797.

Não deixe os livros tornarem-se obsoletos!

Sempre vi os livros como maravilhosas peças de arte que têm feito parte da história há vários séculos, contendo o passado, o presente e também o futuro da humanidade entre suas páginas ora empoeiradas, ora perfumadas por suas gramaturas modernas. Com as últimas inovações tecnológicas, no entanto, eles estão sob iminente ameaça de virarem coisa do passado. Com a internet e os computadores cada vez mais frequentes em nossas vidas, ficamos com a impressão de que praticamente tudo que costumávamos fazer no dia-a-dia pode-se fazer on-line. Pagar contas, ler o jornal, baixar músicas. O uso dos bancos e de alguns tipos de loja está rapidamente virando prática de pessoas saudosistas.

Não estou aqui para escrever um texto apocalíptico. Porém, apesar de ser um grande simpatizante das novas tecnologias, não desejo vê-las varrer o passado, pois sou um grande defensor da ideia de que é justamente ele que nos permite ser fortes no presente.

Simplesmente não consigo pensar na ideia de um mundo sem livros fisicamente palpáveis, o que seria menos catastrófico que o “futuro do pretérito” representado no filme Fahrenheit 451, mas ainda assim terrível. Apesar de entender a praticidade que significa poder carregar bibliotecas em seus dedos através de aparelhos como o Kindle, segurar um livro de verdade evoca sentimentos que, para mim, nunca poderão ser replicados.

Há algo de único e especial no ato de abrir um livro de verdade e ler palavras em uma folha de papel. Se existe algo que amo é olhar para minha prateleira de livros e ver volumes de cores e tamanhos diferentes ocupando aquele espaço. Você já ficou preso em uma biblioteca por horas olhando as lombadas? Então sabe do que estou falando — tirar um tempo para olhar todos os livros que nos chamem a atenção, às vezes sem motivo aparente. Os livros, para mim, representam algo universal, um legado da humanidade para o universo.

Os livros são imortais, também. Não importa quantas novas cópias sejam impressas, seu conteúdo sempre será o mesmo — uma mensagem pode ser transmitida através do tempo sem que a força desse elemento que nos destrói seja capaz de freá-la. Nada pode substituí-la.

É por essas razões que os livros são tão importantes. É até difícil de acreditar que eles têm feito parte de nossa história por tanto tempo, você não acha? Tenho certeza de que não sou o único que tem essa sensação de que estamos começando a ir longe demais com os avanços tecnológicos.

Depois de um bom tempo sem escrever aqui, lhe apareço com um texto saudosista como esse. O fato é que realmente desejo saber sua opinião sobre o futuro dos livros. Chegará o dia em que cada um de nós precisará decorar um livro inteiro para que sua história continue viva?

A educação – ontem e hoje

Os professores conhecem bem esse cenário, mesmo os que nunca viram a charge abaixo.

A educação ontem e hoje

País sem Chapéu, de Dany Laferrière

O texto a seguir é uma colaboração do leitor Marcos Fidalgo.

Se você também gostaria de participar do blog, entre em contato.


Em País sem chapéu, Dany Laferrièri traz perspectiva de dentro pra fora sobre o Haiti.

Seja com a ocupação do exército brasileiro, o terremoto ou a fome, o Haiti não sai de pauta. Correspondentes vão até lá, enviam-nos imagens heroicas que são exibidos no domingo à noite, ou escrevem reportagens de um par de toques sobre as calamidades do lugar, listando tudo aquilo que falta, como se o país fosse a dispensa vazia de uma casa. E é justamente a partir de sua casa, e das figuras da mãe e da tia, que Dany Laferrièri traz uma perspectiva pessoal do Haiti, uma alternativa ao olhar viciado que temos sobre o país. Lançado este ano no Brasil pela editora 34, País sem chapéu é um livro de dentro pra fora, escrito com a naturalidade de um nativo que volta à sua pátria após vinte anos de um autoexílio no Canadá e nos Estados Unidos.

País sem Chapéu, de Dany LaferrièreNascido em Porto Príncipe, em 13 de abril de 1953, Dany Laferrièri era um jornalista de vinte e três anos quando deixou o Haiti, em 1976, para fugir da ditadura do presidente Baby Doc. Durante seus vinte e seis anos de carreira como escritor, já publicou mais de uma dezena de romances, muitos calçados em sua biografia, assim como País sem chapéu.

Dany inicia o livro dizendo que está no quintal de sua casa, escrevendo à máquina, enquanto cai uma manga de seu pé. Eis aí a primeira descoberta. No Haiti há mangas e mangueiras. Depois, à medida que Dany sai para dar suas voltas em Porto Príncipe, vão surgindo comerciantes, trambiqueiros, amigos de longa data, que desviam o caminhar de carros decrépitos, que se fundem aos transeuntes em um único trânsito. E ao cair da primeira noite de sua volta, Dany é coberto por um luar de causar inveja. Sim, no Haiti também há lua, e há um escritor em baixo dela.

E é durante as noites, com ou sem luar, que zumbis vão às ruas para misturar-se aos vivos, conforme acreditam os seguidores do vodu haitiano, religião local e de raízes africanas. Intrigado com a crença, da qual estava duas décadas distante, Laferrièri vai atrás de professores e especialistas religiosos, para saber mais daquilo que intitula de “País inventado”. Em um momento, aceita a proposta de um feiticeiro conhecido de sua tia, e faz uma viagem para a metade inventada de seu país, habitada por deuses do vodu. Ali passa um tempo, suficiente para decepcionar-se, e retorna ao Haiti dos vivos e devotos.

Dany observa tudo com certa frieza. Se o olho é haitiano, seu olhar parece norte-americano. O calor dos abraços, dos beijos e das palavras fica por conta da mãe, a tia e os amigos. Suas maiores palpitações ocorrem quando revê uma antiga paixão adolescente, e ao relatar a tentativa frustrada de encontrar o pai nos Estados Unidos, onde exilou-se quando Dany ainda era Windsor Klébert, seu nome de registro.

País sem chapéu prende pelo fato de que Laferrièri mostra o Haiti pelos haitianos. Com essa luz indireta sobre o país jogada pelo autor, conseguimos ver o que nele falta, com aquilo que ele tem. Mesmo com uma defasagem de quinze anos de sua publicação original, o livro se mantem, apesar de não se dispor a tal, como a melhor crônica publicada no Brasil sobre o Haiti. Isso por que, ao imergir em si e visitar seu passado, o autor redescobre e nos descobre um país, real e inventado, que nenhum jornalista ou ficcionista conseguiu nos relatar.

Novelas de Cavalaria

Quem leu um dos maiores livros da história da humanidade jamais se esquecerá das loucas aventuras de Dom Quixote de la Mancha, seu pajem Sancho Panza e seu cavalo Rocinante contadas por Miguel de Cervantes Saavedra. O autor era apaixonado por novelas de cavalaria (consideradas os primeiros best sellers da humanidade), possuindo em sua biblioteca pessoal diversas obras como: Amadis de Gaula, Palmerin
de Oliva, Palmerin de Inglaterra, Olivante de Laura, Espelho de príncipes e cavaleiros,
Tablante de Ricamonte e Tirante o branco. Novelas de Cavalaria

As novelas da cavalaria eram derivadas de poemas épicos e das canções de gesta Francesas e Inglesas, provavelmente das lendas do rei Arthur e da Távola Redonda. Descreviam cavaleiros de sangue azul que nunca existiam, separados de seus pais na infância e com a missão de fazer justiça no mundo. Estes cavaleiros tinham ideais cristãos, ajudavam reis em desgraça, damas em apuros, libertavam prisioneiros injustiçados, e lutavam contra feras que só existiam na imaginação do autor.

Estes feitos eram apresentados como verdadeiros e chegaram a enganar muitas pessoas. Em pouco tempo, nobres, classe média alta, Santa Tereza, Inácio de Loyola e muitos conquistadores da América traçaram seus caminhos inspirados nas ideias loucas das novelas.

Cervantes, que já conhecia o mundo e era aficionado ao extremo pela leitura deste gênero, soube fazer uma crítica completa sobre o fenômeno narrando Quixote. Este mal conseguiu sair de La Mancha — sua terra — onde pouco depois voltou doente. Mais tarde recuperado, Quixote saiu novamente cada vez mais fora de si, pensando somente em ser igual a aqueles heróis, fiéis aos ideais, batendo sempre de frente com a realidade e dando um exemplo de que cada louco tem em si, o cerne da verdade. Na incansável busca pela justiça acaba perdendo sua saúde física e mental, porém cultivando seus ideais.

Ao lançar seu herói no mundo, Cervantes nos apresentou um filósofo, uma forma de ver que toda moeda tem duas caras, que toda reflexão pode ser válida de acordo com o contexto. Que qualquer bússola que coloquemos em nossa vida atua diretamente sobre o nosso presente. Ao longo da obra não fica claro se ele defendeu os ideais das novelas de cavalaria ou se as expôs ao ridículo, tamanha é a quantidade de situações hilárias e sem nexo com a realidade.

Como crítico literário e admirador desta arte, Cervantes chegou ao ponto mais alto neste gênero nascente: colaborar com a gênese do romance moderno. Fazendo a sátira das novelas de cavalaria, escreveu a mais humana, profunda e bonita de todas, marcando o fim do gênero com o seu melhor trabalho.

Sobre o autor

Alejandro Rubio trabalha em um sebo e é aficionado por novelas de cavalaria.

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