Como fazer um trabalho da escola ou faculdade

Menino fazendo pesquisa

Por volta da 5ª série do Ensino Fundamental, é comum encontrarem-se os alunos às voltas com apresentações do conhecido trabalho escolar, texto que é fruto de consultas bibliográficas, em diferentes disciplinas ou áreas de estudos.

Em geral, não gostam de realizá-lo porque não sabem fazê-lo, acham-no difícil e não veem objetivo na realização da tarefa.

Os professores pedem um trabalho escolar dando apenas o título: não planejam com os alunos o que devem fazer, não indicam bibliografia básica. Os alunos iniciam a pesquisa apenas com uma ideia vaga do que devem fazer e sabendo que devem observar nas normas técnicas da ABNT.

Mas de que normas está falando o professor?

Assim como pede o trabalho sem dar maiores informações e sem planejá-lo com os alunos, assim chega o professor ao momento de avaliá-lo. E aí novamente está diante de um problema. Como vai fazer?

Que parâmetros deverá adotar para realizar a avaliação? Com certeza não tomará o melhor trabalho como parâmetro para valorizar os outros.

Então como proceder?

É preciso estabelecer uma relação entre elaboração/redação do trabalho e avaliação do mesmo. Na medida em que os alunos produzem textos de qualidade, menos difícil é a tarefa de avaliá-los.

Esse ciclo costuma continuar por todo o Ensino Fundamental e Médio, chegando os alunos à universidade sem a menor noção sobre como fazer um trabalho de pesquisa minimamente razoável.

Esse artigo servirá como guia a você que foi mais uma vítima de nosso sistema de ensino capenga.

Produção do trabalho escolar

Procedimentos iniciais do professor

  • Apresentar um roteiro, com o título e os tópicos principais a serem desenvolvidos. Baixe um exemplo de roteiro que usei com meus alunos recentemente.
  • Indicar uma bibliografia preliminar bastante ampla, a partir da qual os alunos escolherão os títulos que vão constituir a sua bibliografia.
  • Indicar a quantidade mínima de livros a serem consultados pelo aluno.

Procedimentos iniciais do aluno

  • Selecionar as fontes que vai consultar;
  • Examinar os títulos e fazer anotações sobre o que o interessa;
  • Organizar as anotações, em função do roteiro estabelecido;
  • Construir seu próprio texto; redigir;
  • Ilustrar a matéria produzida, fazendo suas próprias ilustrações ou selecionando-as de materiais prontos;
  • Enriquecer o trabalho com mapas, gráficos, reportagens e entrevistas, se for o caso.

O que é pesquisa?

Segundo Marcos Bagno, em seu livro Pesquisa na Escola:

Pesquisa é uma palavra que nos veio do espanhol. Este por sua vez, herdou-a do latim. Havia em latim o verbo perquiro, que significava “procurar; busca com cuidado; procurar por toda a parte; informar-se; inquirir; perguntar; indagar bem, aprofundar na busca”. O particípio passado desse verbo latino era perquisitum. Por alguma lei da fonética histórica, o primeiro R se transformou em S na passagem do latim para o espanhol, dando o verbo pesquisar que conhecemos hoje. Perceba que os significados desse verbo em latim insistem na ideia de uma busca feita com cuidado e profundidade.

Pesquisar, então, consiste em uma busca cautelosa sobre algum assunto e, a partir das informações colhidas, construir um texto inédito.

Portanto, copiar parágrafos de um livro, site ou qualquer o outra referência, bem como usar uma ideia de um autor e apenas trocar as palavras por sinônimos são considerados PLÁGIO, prática considerada crime, de acordo com a Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, que altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais e dá outras providências.

Você já fez algum trabalho assim? Então está na hora de mudar!

Como fazer uma pesquisa, então?

Trabalho de Pesquisa na Escola ou Faculdade

Existem inúmeros métodos de pesquisa. Aqui vamos nos ater a um deles, que é o fichamento. Basta seguir os passos a seguir:

  1. Escolha uma fonte confiável;
  2. Leia o texto e sublinhe as informações importantes (APENAS as informações importantes; sublinhar todo o texto não ajuda, muito pelo contrário);
  3. Escreva a referência da fonte no topo da ficha (esta ficha pode ser feita em meia folha de desenho);
  4. Anote as informações importantes na ficha correspondente — pode ser em forma de itens. Importante: não reproduza partes do texto na ficha.
  5. Procure outras três fontes e faça o mesmo.

Quanto maior a quantidade de fontes consultadas, mais confiável torna-se a pesquisa, pois os dados confirmam-se e provam que são verdadeiros, que não se trata de uma informação falsa ou incorreta.

Vamos estabelecer, para as pesquisas em sala de aula, 4 fontes consultadas, ou seja, 4 fichas. Essas fichas sempre deverão ser entregues juntamente com o trabalho final.

Como analisar os dados?

Criança pesquisando em livro e fazendo anotações em caderno

Para iniciar um texto de sua autoria, que é o produto final da sua pesquisa, é preciso analisar os dados das fichas, comparando uns com os outros: se há informações que se repetem, se há informações divergentes, se alguma traz um dado novo, etc.

Quando os dados repetem-se, é bem provável que sejam verdadeiros e, portanto, podem ser usados na sua pesquisa. Quando há informações divergentes, ou seja, que não conferem, como por exemplo algum ano, algum fato que está fora de ordem, deve-se consultar outras fontes confiáveis para tirar a dúvida.

Após analisar os dados é o momento de começar a escrita do seu texto a partir das informações que você coletou nas fichas.

Assim é bem mais fácil, não é mesmo?

O que é uma fonte confiável?

Ao longo dessa leitura, você deve ter reparado na quantidade de vezes que foi utilizada a palavra confiável logo após a palavra fonte, correto?

Pois bem, nada adianta fazer uma pesquisa se usamos dados ou informações inventadas, não é mesmo? As fontes confiáveis são assinadas por algum especialista da área. Todos podemos criar um blog sobre algum tema, mas só quem tem o conhecimento sobre o assunto é que poderá fornecer uma informação que se pode confiar.

Geralmente, nos sites específicos sobre História, por exemplo, há a assinatura de quem escreveu e, inclusive, às vezes indica a sua formação na área — Graduado em História pela Universidade X, por exemplo, o que dá credibilidade ao seu trabalho.

Organizando o trabalho para entregar

Trabalho de pesquisa organizado pelas normas ABNT

Feita a pesquisa, produzido o texto e definidas as ilustrações, deve preocupar-se o aluno em organizar o trabalho, atentando para a sequência das partes identificadas a seguir.

Capa

Contém o nome do(s) autor(es) do trabalho, o título, que deve dar uma ideia geral do que vai ser exposto, a cidade e o ano de realização.

Folha de Rosto

Aqui aparecem as mesmas informações da capa, adicionando a disciplina, o nome da escola/universidade, do professor e o trimestre (ou bimestre, ou semestre) em que o trabalho está sendo realizado.

Sumário

Apresenta as partes componentes do trabalho – introdução, desenvolvimento e conclusão – com seus tópicos e subtópicos, bibliografia, anexos e respectiva página de abertura de cada item. A folha não é numerada, mas é considerada para a numeração das demais.

Introdução

Apresenta de forma sintética o contéudo do trabalho, os aspectos do assunto que são abordados, bem como seu objetivo.

Desenvolvimento

Nesse item o aluno mostra o produto do seu trabalho, o que conseguiu obter sobre cada tópico, além de outros dados como curiosidades e trechos de entrevistas. Envolve um trabalho de elaboração de texto e não simplesmente cópia das notas conseguidas nas diferentes consultas bibliográficas.

O texto – que não deve ser uma colcha de retalhos – deve ser claro, coerente com os tópicos-guia, apresentar suas partes concatenadas umas às outras, estar enquadrado na folha, ter as ilustrações pertinentes com o texto e bem localizadas.

Conclusão

É o fecho do trabalho. Deve apresentar o seu pensamento sobre o assunto pesquisado. É o momento em que o aluno toma posição diante do que descobriu estudando o tema proposto. É de elaboração pessoal. Manifesta a compreensão ou interpretação em relação ao tema.

É importante destacar que o fato de ter gostado ou não do trabalho não caracteriza uma conclusão.

Referências bibliográficas

Contém a relação de livros efetivamente utilizados pelo aluno, a partir da bibliografia preliminar oferecida pelo professor. Nada impede que o aluno acrescente outros títulos de sua livre escolha e que foram adicionados à listagem original.

A apresentação das referências deve atender a normas técnicas vigentes (ABNT). Sempre deve haver o nome do autor, começando pelo último sobrenome, o nome do livro em itálico, o local de edição, o nome da editora e o ano de edição.

Se o aluno consultar revistas, deverá indicar o nome do autor da matéria, o nome da matéria, o nome da revista em destaque, o local de edição, o nome da editora e o ano de edição.

Hoje em dia também são muito usados sites da internet como fontes de pesquisa (como a Wikipedia, apesar de não se poder dar tanta confiança a seu conteúdo). Nas referências de sites, além dos dados básicos, também deverá constar a URL da página consultada, bem como a data do último acesso.

Para citar a Wikipedia, especificamente, você pode recorrer a uma ferramenta do próprio site. Lá você encontrará a forma certa de citar o artigo que está lendo, conforme as normas técnicas de diversos países (lembre-se que no Brasil usamos ABNT).

Link para modelos de citações da Wikipedia

Veja modelos de citações de livro, artigo e site da internet:

Exemplo de referência de livro

DUBOIS, René. Namorando a Terra. São Paulo: Melhoramentos, 1981.

Exemplo de referência de enciclopédia

Grande enciclopédia Delta-Larousse, vol. 7, Rio de Janeiro: Delta, 1970.

Uma reportagem de revista ou jornal assinada:

GUIMARÃES, João L. A oficina do sabor. Superinteressante, ano XI, nº 12, dezembro de 1997, p. 34-39.

Se a reportagem não trouxer nome do autor, começando-se a referência pelo nome do jornal ou revista:

Superinteressante, ano XI, nº 12, dezembro de 1997, p.10. (“Surge um macaco novo no galho”).

Exemplo de referência de artigo científico ou de revista

MAYHÉ-NUNES, Ellen R. Sugestão de atividades de Educação Ambiental em Sala de aula. Boletim Técnico PROCIRS, Porto Alegre, v. 2, n. 7, p. 13-14, jul./set. 1986.

Exemplo de referência de site da internet

TRÊS, Rosana. A Semana de Arte Moderna de 1922. Disponível em: <http://www.lendo.org/semana-arte-moderna-1922>. Acesso em: 04 abr. 2015.

Anexos

São elementos acessórios que aparecem, geralmente, ao final do trabalho escolar, como mapas, gráficos, desenhos, reportagens e entrevistas, utilizados para enriquecer o texto.

Devem ter finalidade funcional e valor complementar, sendo numerados sempre que forem mais de um.

Ficou claro, não é mesmo? Pois mãos à obra e boas pesquisas!

Rosana Gazola é formada em História e especialista em Música e Musicalidade. Dá aulas de Arte e História para Ensino Fundamental I e II em escolas de rede privada.

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