29 referências literárias presentes no mundo da música

Eu e meu marido sempre nos desafiamos. Em forma de brincadeira, é claro. Mas é uma brincadeira séria e que queremos fazer muito com nossa filha: quando surge alguma coisa curiosa que não sabemos, devemos pensar, buscar na memória, em livros, enciclopédias, cd’s, dvd’s, em tudo que é lugar a resposta do desafio lançado.

É uma forma de desafiar a nós mesmos, com o objetivo de estimular a criatividade, a lógica, a memória, entre outros — mas brincando. Não, não chega a ser um duelo intelectual, apenas queremos superar alguns de nossos limites.

A brincadeira da vez surgiu quando eu cantava mentalmente uma música da Legião Urbana, La nouva gioventú.

Cantarolava o trecho “talvez tivéssemos, teríamos tido, tivéramos filhos estava lhe ensinando a ler On the Road e coisas desiguais”, quando fiquei vasculhando na memória mais músicas que citassem livros ou escritores.

O duelo músico-literário foi iniciado com o placar marcando então, um ponto a meu favor.

1. La nuova giuventú, Legião Urbana

Questão de um minuto depois, lembrei de Cazuza, “nunca viu Allen Ginsberg pagando michê na Alaska, nem Rimbaud pelas tantas negociando escravas brancas”. Pronto: dois a zero. Está fácil.

2. Só as mães são felizes, Cazuza

André marcando ponto: 2 x 1. Fui pega de surpresa, como se só eu conhecesse Legião Urbana. Impressionante como a lista de vantagens que uma simples brincadeira pode trazer ao nosso cotidiano.

3. Eduardo e Mônica, Legião Urbana

(Desculpem, mas achei criativa a versão ‘meme’!)

Pensei em Raul, que parece ter sempre respostas para tudo, e lembrei de As Minas do Rei Salomão, quando referencia Dom Quixote (“veja quanto livro na estante, Dom Quixote, o cavaleiro andante, luta a vida inteira contra o rei”), e Check-up, com o clássico de Lewis Carrol (“acabei de dar um check-up geral na situação, o que me levou a reler Alice no país das maravilhas“).

Por falar em Alice, impossível não lembrar de Jefferson Airplane e sua clássica Whitte Rabbit.

Nesse momento há um contratempo no jogo: que tipo de menção é válida?  “Whitte Rabbit” não menciona o nome da obra, mas é, evidentemente, inspirado nela. Determinamos que pode ser de qualquer forma desde que seja relacionada à Literatura: menção do nome da obra na canção, do nome do autor, música inspirada em alguma obra e/ou nome de banda inspirado em poema, entre outros.

Relembrando dos domingos de manhã e dos programas de rádio chamados “Discorama”, “De volta ao passado”, “Go back”, “Flash back” e nomes do gênero, eis que surge a voz de Kate Bush com Wuthering Heights, composta quando a cantora tinha 18 anos, inspirada na obra de Emily Brontë, O Morro dos Ventos Uivantes.

Então a nossa lista segue assim:

4. As minas do Rei Salomão, Raul Seixas

5. Check-up, Raul Seixas

6. White Rabbit, Jefferson Airplane

7. Wutering Heights, Kate Bush

E a banda que ouvi durante minha adolescência inteira, a que me fez ouvir todos os álbuns, usar camiseta da banda, ser apaixonada pelo vocalista e tudo que uma perfeita e completa tiete tem direito? O nome The Doors não é inspirado em um poema de William Blake sobre “as portas da percepção”? B-I-N-G-O!

Aí tem Pink Floyd — que estimula tanto o meu “ponto G musical”, referenciando não em um trecho, não em uma música, mas em um álbum todinho, o clássico de George Orwell, A Revolução dos Bichos (aí vem a parte do “ponto G literário”).

Por fim, prosseguindo com a ideia do “ponto G literário”, um dos meus livros preferidos é O estrangeiro, de Albert Camus, e lembrei de duas músicas que fazem referência: The cure — nem só de “boys don’t cry vive o The Cure! — com Killing an arab, e Engenheiros do Hawaii com A revolta dos Dândis (“eu me sinto um estrangeiro, passageiro de algum trem…”).

Voltando à lista:

8. The Doors

 9. Álbum “Animals”, Pink Floyd

10. Killing an arab, The Cure

11. A revolta dos Dândis, Engenheiros do Hawaii

Aí vem o André com uma música: Nightwish, com The Phanton of the Opera, inspirado na obra O Fantasma da Ópera, de Gaston Leroux.

12. The phantom of the opera, Nightwish

Quanto está o placar? Dez para mim, dois para o André. Ah, que pena. Eu me dediquei ao jogo e na vida tudo é uma questão de empenho, diria meu pai.

Mas…

Enquanto comemorava como sorriso no cantinho do lábio, lá vem o André lembrar de um post do Lendo.org da época da faculdade, sobre um álbum baseado na obra de Edgar Alan Poe, “interpretado por 21 cantores e quase 50 músicos das bandas mais importantes do hard rock de língua hispânica”, chamado Legado de una Tragedia, dividido em dois atos e reunindo 17 músicas. Dezessete.

É pai, eu me empenhei, mas não contava com a sorte do adversário.

André, você que anda com um pé-de-coelho em algum chaveiro, você venceu. 19 x 10.

Fim de jogo.

Bolsas para a faculdade

Rosana Gazola é formada em História e especialista em Música e Musicalidade. Dá aulas de Arte e História para Ensino Fundamental I e II em escolas de rede privada.

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