O futuro digital das revistas culturais: um estudo

Infelizmente não é no Brasil. A Fundación Alternativas, da Espanha, acaba de publicar um estudo sobre as revistas culturais e o mundo digital. Não se trata de discutir sobre quem as lê ou não, mas sim em estudar de que maneira se pode incentivar a leitura no meio digital.

O trabalho entitulado "El Futuro Digital de las Revistas Culturales" (pdf) foi realizado por María Trinidad García Leiva.

Algumas de suas conclusões mais importantes apontam a necessidade de conseguir financiamento para o desenvolvimento dessas iniciativas, assim como a de gerar índices que nos permitam conhecer sua difusão e uso.

Complô anti cultural

Aqui no Brasil, ao meu ver, as revistas culturais impressas são de qualidade muito boa, mas eu não vejo movimentos de divulgação das editoras, que muitas vezes são as mesmas. Em qualquer livraria, as revistas ficam escondidas, debaixo de pilhas e pilhas de "Vejas", "Caras" e "Playboys".

Vejamos uma lista de algumas que gosto, com seus respectivos preços e periodicidades:

  • Entre Livros: R$10,90 (mensal)
  • Revista Língua Portuguesa: R$8,90 (mensal)
  • Discutindo Literatura: R$7,90 (bimestral)
  • Discutindo Filosofia: R$7,90 (bimestral)
  • Desvendando a História: R$7,90 (bimestral)

O preços são praticamente iguais às demais revistas e o conteúdo muito melhor e até mais amplo. Agora eu pergunto: por que as livrarias escondem-nas do público? Às vezes eu penso que há um "complô anti cultural" nesse país, não é possível. "Ninguém compra?". Compra sim, mas precisa saber que existe.

Agora vejamos uma lista de algumas revistas digitais (e independentes), com seus respectivos preços e periodicidades:

A qualidade dessas revistas não deixa nada a desejar em relação às impressas. Muitas são até melhores, com opiniões mais pessoais, longe da censura cultural imposta por algumas editoras.

Mas adivinhe o que acontece? Acertou. Há pouquíssima divulgação e nenhum incentivo.

Ser uma publicação independente significa, em primeira instância, muito trabalho e dedicação. O que acaba fazendo muitos desistirem exatamente devido ao fluxo tremendo de trabalho.

Vou citar o exemplo da Revista Malagueta, da minha amiga Renata Miloni e do Alex Sens Fuziy. A idéia da revista é incentivar novos escritores, visando uma renovação do cenário literário, no qual, segundo os editores, não existe mais preocupação em publicar o que é bom, mas sim em publicar textos de pessoas famosas, "os bons".

Ótimo, é uma idéia fabulosa, a revista começou com periodicidade mensal, com textos de qualidade muito alta e assim continua até hoje, que já está na sexta edição. Só que também foi anunciada a modificação da periodicidade para bimestral.

Isso não é um problema para o leitor, é claro. Concordo que assim os textos serão mais lidos e "absorvidos", mas me corrijam se eu estiver errado, o motivo principal da mudança é a quantidade insuportável de trabalho.

Imagine o trabalho de duas pessoas:

  • Procurar gente para escrever, a cada edição;
  • Aguardar, confiando na palavra de desconhecidos, que os textos sejam enviados;
  • Ler e analisar todos os textos, enviando sugestões de mudança para cada autor;
  • Ler e analisar a versão com as mudanças;
  • Diagramar, separar e distribuir o conteúdo;
  • Inserir no site.

E o trabalho recomeça, no mesmo dia, para cuidar da próxima edição. Duas pessoas dão conta disso? É claro que não. E quantos leitores reconhecem esse trabalho? Poucos. E dos que reconhecem, quantos fazem algo pra ajudar, ao menos na divulgação? Menos ainda. E assim segue o processo cultural no Brasil.

Então chegamos ao ponto principal: a falta de integração. Não ocorre apenas no mercado editorial, não ocorre apenas na internet, mas ocorre em todas as áreas. Se quisermos hoje, levar adiante um empreendimento cultural, não podemos vê-lo como um produto que tem concorrentes, mas sim como um complemento para os produtos já existentes.

Vocês editores precisam unir-se em prol do objetivo que todos têm: difundir a cultura. E não isolar-se para um círculo de leitores e escritores específicos. Ajudem-se. Desenvolvam estratégias de divulgação, definam pautas em comum, discutam, criem, mudem!

Quem sabe assim nós comecemos a engatinhar no sentindo de chegar ao nível cultural de países como a Espanha, que preocupam-se sobremaneira com esses aspectos, tendo como resultado uma comunidade muito grande e engajada em todos os projetos culturais, on-line ou não.

André Augusto Gazola é formado em Letras, professor de Literatura e História da Arte, pós-graduado em Metodologia de Ensino de Língua Portuguesa e Literatura e fundador do blog Lendo.org.

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