Música Folclórica e Educação

O Folclore surgiu como estudo das antiguidades populares e atrelado a historiografia, inicialmente. A primeira sistematização veio em 1846, com o arqueólogo inglês William John Thoms, até sua aproximação direta com as Ciências Humanas e Sociais.

No Brasil, havia uma necessidade de revisão de aspectos relativos ao folclore, e durante o VIII Congresso Brasileiro de Folclore, realizado em Salvador, Bahia, no ano de 1995, aconteceu a releitura da Carta Brasileira de Folclore, datada de 1951 e apresentada durante o I Congresso. Esse documento trata sobre a coleta, análise, resguardo e promoção das manifestações populares. Com sua releitura, pode-se ampliar a área de abrangência do mesmo. A aproximação com as Ciências Humanas e Sociais veio a favorecer a metodologia e as teorias e a partir de então, propiciando a consolidação dos avanços provenientes destas. Além do mais, houve a aceitação, nesse congresso, da cultura popular como folclore, permitindo as manifestações culturais urbanas e a cultura de massa como objeto de estudo.

Os estudos de música também buscaram a sua ciência, uma ‘ciência da música’, chamada pelo alemão Guido Adler, em 1885, de musikwissenschaft. Surgem duas linhas, uma histórica e outra sistemática. Assim temos:

  • Etnomusicologia, ou ‘antropologia musical’, ou seja, o estudo da música nos diferentes contextos culturais, ou ainda, a música enquanto cultura. Hoje, predominantemente, assume uma postura mais antropológica.
  • Educação Musical, que atualmente vem sendo influenciada pela abrangência da cultura popular, reflexo das mudanças ocorridas no VIII Congresso, permitindo maiores investigações em etnografias nas camadas populares da sociedade. Leia mais textos sobre Educação musical.

Essas duas áreas tornaram-se afins no momento que a etnomusicologia passa a ter noção de cultura como objeto principal de seus estudos. Para isso, foi necessário avaliar os processos culturais envolvidos na transmissão, criação, execução e reflexão musical em ambientes culturais variados, analisando também os processos de ensino- aprendizagem. Segundo Reginaldo Gil Braga, os estudos das duas áreas nos ambientes de cultura espontânea têm muito a nos dizer sobre os fazeres musicais das comunidades, em busca de uma compreensão de cada manifestação musical popular.

No campo da educação, a integração do folclore nas propostas enfoca, além dos aspectos cognitivos, os aspectos culturais. Assim, podemos iniciar uma reflexão sobre a construção de um espaço interdisciplinar entre música e educação, mediadas pela cultura popular.

Muitas vezes a escola, com a expectativa de resgatar e valorizar o folclore, estimular a autoestima e incitar o respeito às diferenças, acaba tendo uma aplicação descontextualizada ou estilizada das manifestações populares, que pode surtir o efeito contrário do esperado, reforçando exotismos e preconceitos. Deslocar temporal ou espacialmente fragmentos de uma cultura e inseri-la em outro contexto é desfigurar aquela. Seria o chamado ‘aproveitamento folclórico’, que surgiu com Mário de Andrade na década de 20, com o objetivo de criar uma arte nacional a partir do popular.

Em contrapartida, Sezel Reily (1990) vem nos propor uma ‘reapropriação’ ao invés de um simples ‘aproveitamento’ descomprometido. Na reapropriação, partimos do material tradicional trazidos pelos próprios alunos ou pessoas da comunidade, através da cultura local ou da vivência do outro.

Nesse sentido:

  •  o ALUNO é visto como agente de transformação, uma vez que sua vivência musical é valorizada e melhor utilizada enquanto experiência da aplicação do material folclórico em estratégias educacionais;
  • é papel do PROFESSOR se informar a respeito de músicas e danças que fazem parte das experiências dos alunos; fomentar na escola a prática da multidisciplinaridade em torno da música; indicar a procedência e autoria das melodias populares e folclóricas, quando houver; fornecer informações sociológicas para que os alunos vivenciem experiências de relativismo cultural e compreensão do outro;
  • a ESCOLA pode fazer um levantamento do calendário de festas populares e folclóricas locais e estaduais e respeitar as transformações da cultura popular e as inter-relações com a cultura de massa.
  • a COMUNIDADE é valorizada através da participação de músicos, cantores, construtores de instrumentos musicais, dançarinos e outros, nas atividades de ensino-aprendizagem.

Portanto, buscando a reapropriação, estaremos trabalhando em prol da construção da identidade dos grupos, permitindo o exercício da tolerância entre as diferenças, valorizando a cultura popular e construindo a cidadania.

Bolsas para a faculdade

Rosana Gazola é formada em História e especialista em Música e Musicalidade. Dá aulas de Arte e História para Ensino Fundamental I e II em escolas de rede privada.

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