Criatividade na escola, vamos desenvolver?

A criatividade, que deveria ser a preocupação maior de qualquer sistema educacional, é palavra encontrada em dicionários apenas como definição construtiva, difícil de ser operacionalizada em classes com cinquenta alunos, durante a instrução comandada por professor, frequentemente não-criativo, em uma escola apenas preocupada em seguir a risca as sugestões das autoridades educacionais, raramente criativas.

 “(…) a criatividade, bem como a inovação, são palavras que, em nosso meio, têm conotações curiosas. Criativo, como o cientista, é o sujeito louco. Inovador é o indivíduo ‘tumultuador da paróquia’, sempre em vias de ser repreendido ou perder seu emprego”, afirma Hennig (1985).

A escola tem o papel de pensar em sujeitos que tenham curiosidade, interesse e vontade como parte integrante da sua personalidade, certos que estão agregando de maneira significativa à formação dos indivíduos. Para tanto, é necessário fornecer aos alunos um ambiente onde eles possam desenvolver e testar suas ideias e realizar suas práticas; que hajam pessoas preparadas, pacienciosas e disponíveis para ajudá-los a identificar e delimitar melhor os problemas que desejam resolver.

É importante lembrar que a ‘formação do sujeito crítico’, expressão comumente usada nos objetivos dos projetos educacionais, tem ligação direta com a criatividade na escola. Esta não é desencadeada através de conteúdos definidos sobre temas já desgastados e o uso de técnicas de ensino inadequadas. Cabe ao professor estimular a procura do novo, desenvolvendo temas que provoquem a curiosidade, o interesse e a vontade como fatores fundamentais da formação do indivíduo na sua personalidade. Também deve fornecer informações básicas e, a partir disto, favorecer a proposição de problemas e auxiliar na busca de soluções.

Além das práticas e atividades que o professor pode propiciar aos seus alunos, também deve-se ter uma visão crítica sobre a postura enquanto educadores. Mais do que atividades criativas, a escola e o professor precisam compreender a importância de equilibrar o ambiente criativo com o ambiente de respeito, e que criatividade na escola só é possível quando existe a liberdade de expressão. Quanto menores forem os alunos, mais elas precisam se expressar livremente, experimentando e vivenciando as diversas situações. Novamente, coloco a questão da extrema valia da consciência do trabalho de expressão corporal por parte dos educadores.

A criatividade na escola, então, é responsabilidade da instituição, que deve dispor de material com que criar, e do currículo que deve conter um conjunto de experiências significativas que provoquem o processo criador. O indivíduo potencialmente criativo, com o ‘material com que criar’ e através das ‘experiências significativas’ deve intuir e verificar suas próprias ideias. Quer dizer, pensar com sua própria cabeça e fazer por sua própria iniciativa.

Assista ao vídeo abaixo, uma conferência de Ken Robinson abordando temas que envolvem a criatividade — ou a falta dela — na escola.

Rosana Gazola é formada em História e especialista em Música e Musicalidade. Dá aulas de Arte e História para Ensino Fundamental I e II em escolas de rede privada.

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