Literatura, Filosofia e Cerveja

Literatura e Filosofia combinam com vinho e café, segundo as convenções.

Os amantes cafeinados fazem da leitura e do café irmãos, dividindo o sofá noite a dentro rumo ao conhecimento que os livros trazem, ao mundo da fantasia e da imaginação dos romances, dos clássicos da literatura e dos pensamentos dessa gente doida da Filosofia — também por um intuito biológico, podemos dizer, já que os notívagos-leitores precisam se manter acordados para chegar ao final daquele livro de 2.468 páginas.

Vinho é fino e café é chique. A começar pela variedade de taças para tomar vinho e pelas variadas formas de se preparar um café que dão um belo quadro de cafeteira ou de corredor de apartamento — não num lugar de destaque como na sala de estar, mas ali, bem visível, na parede do corredor.

Quadro explicativo dos vários tipos de café

Há tipos de café para todos os gostos.

Podemos dizer que o vinho tem uma relação histórica com a filosofia e a literatura, já que a Grécia antiga, berço da filosofia, é uma das primeiras civilizações a produzir o vinho e, inclusive, usá-lo em rituais celebrados a deuses.

Um trecho do último livro que li cita o vinho com tanta poesia que embriaga todos os sentidos. Lindas linhas de Herman Hesse no seu O Lobo da Estepe. Reproduzo-as aqui, para que você, leitor, tome conhecimento:

Também me pareceu extraordinário que em alguma parte dos verdes vales homens fortes e trabalhadores houvessem plantado videiras e depois pisado as uvas, para, mais tarde, aqui e ali, em lugares distantes, alguns quietos e desiludidos cidadãos e um desesperado Lobo da Estepe pudessem extrair de seus copos um pouco de confiança e de alegria.

Embriaga, não?

Talvez, então, o título deste artigo gere estranheza a alguns leitores. Literatura, Filosofia e… cerveja?

Cerveja lembra mais um happy hour, um encontro com amigos, um final de semana na praia, e isso é praticamente a opinião e o gosto popular. Já o meu gosto sempre foi um tanto avesso.

Gosto e também sou consumidora de cafés e vinhos, mas tenho uma paixão. Sou uma amante confessa e fiel do resultado da equação (água + malte + lúpulo + fermento). Tanto, que em meados de 2009 recebi o meu certificado de participação do curso de introdução à Alquimia da Cerveja, com o objetivo de saber mais sobre esse líquido que tanto me agrada.

Enquanto amante da cerveja, sinto que a minha amada é um pouco injustiçada — ou talvez eu me sinta desfocada nesse universo tão dionísico e cafeinado (e elitizado).

Cerveja também é história, literatura e arte. Um artesanato. E uma boa companhia.

Existem registros de que os Sumérios produziam a bebida de 2600 a 2350 a.C., tendo inclusive a Ninkasi, a deusa da cerveja (e você só conhecia Baco e Dionísio!). Além disso, o Código de Hamurabi, documento de aproximadamente 1792 e 1759 a.C., incluía leis de comercialização, fabricação e consumo da cerveja. No Egito, o faraó Ramsés III (1184 – 1153 a.C.) passou a ser chamado de “faraó cervejeiro” após doar aproximadamente 1.000.000 litros de cerveja aos sacerdotes do templo de Amón.

E assim a cerveja esteve andando na história lado a lado com o homem. Atualmente a Alemanha é mundialmente conhecida como a grande produtora de cerveja, fama conquistada ainda na época dos mosteiros, quando os monges a fabricavam para o período dos grandes jejuns, quando era proibido o consumo de alimentos sólidos e, assim, repunham sua energia com cerveja — já no antigo Egito era considerada pão líquido. Os alemães também têm a festa mais popular ligada à bebida, que aqui no Brasil é conhecida como Oktoberfest.

Assim como os vinhos e o café, existem vários tipos de cerveja — apesar de apenas um ser conhecido popularmente. São três grupos: as cervejas do tipo Ale, Lager e Lambic.

Tipos de Cerveja

Membros da família Einsenbahn

 

As do tipo Ale são cervejas de alta fermentação cujas leveduras flutuam quando expostas a temperaturas entre 18ºC a 25ºC . As mais conhecidas são:

  • Barley Wine (vinho de cevada)
  • Bitter (amarga)
  • Blonde Ale (ale loira)
  • Brown Ale (ale marrom)
  • India Pale Ale (ale clara e fortemente lupulada)
  • Pale Ale (ale clara levemente avermelhada)

As do tipo Lager são cervejas de baixa fermentação, isto é, quando o levedo fica depositado no fundo do tanque com temperatura entre 9ºC a 14ºC. As mais conhecidas são:

  • Pilsener (aqui no Brasil conhecida como Pilsen)
Exemplos de cerveja pilsen

Você já tomou cerveja Pilsen sem saber, certo?

  • Munchener
  • Vienna
  • Dortmund
  • Einbeck
  • Bock
  • Export
  • Munich

As Lambic, por sua vez, são cervejas de fermentação espontânea.

Quem sabe um dia, não tão distante, o popular será discutir tipos de cerveja assim como se debate sobre café e vinho; e ao invés de sair torto do bar ou da festa, saborear a bebida — princípio mais qualidade, menos quantidade. Assim nasce a “arte cervejeira”.

Chega de papo e vamos brindar com pão. Líquido, é claro.

Rosana Gazola é formada em História e especialista em Música e Musicalidade. Dá aulas de Arte e História para Ensino Fundamental I e II em escolas de rede privada.

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