Análise do poema “A Nosso Senhor Jesus Christo com actos de arrependimento e suspiros de amor”

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Estou inaugurando meu canal no Youtube. Lá serão publicados vídeos com análises de obras literárias, questões de concursos e vestibulares comentadas — tanto de literatura quanto de língua portuguesa — e ainda outros temas relevantes aos estudantes e professores que frequentam o blog.

O primeiro vídeo já disponível é a análise de um dos poemas que são leitura obrigatória para o vestibular da UFRGS 2014: A Nosso Senhor Jesus Christo com actos de arrependimento e suspiros de amor, de Gregório de Matos Guerra, um poeta brasileiro do período Barroco.

Você pode assistir ao vídeo abaixo e também acompanhar a transcrição.

Transcrição do vídeo

Olá caro aluno, caro vestibulando!

Hoje vamos analisar juntos o primeiro poema de Gregório de Matos, seguindo a ordem divulgada pela UFRGS para o vestibular de 2014.

O poema tem o título de A Nosso Senhor Jesus Cristo com actos de arrependimento e suspiros de amor e diz o seguinte.

[leitura do poema]

Bem, talvez a primeira coisa que podemos observar nesse poema é o título bastante longo. E isso é uma característica do período literário no qual se insere o Gregório de Matos, que é o Barroco, como você já deve ter estudado.

Pra quem não estudou, é preciso dizer que o mais importante a lembrar sobre esse período é a presença da temátia religiosa, do catolicismo, já que ele se desenvolve num momento histórico de muitos conflitos referentes à religião.

Gregório de Matos, como nosso principal poeta do período, tem em uma de suas fases – que se costuma dizer que são 3 – essa coisa de falar de Jesus e da fé, sempre colocando-se como alguém inferior, submisso e pecador.

No poema em questão a gente consegue ver isso já pelo título, certo? Já no título é evocada a figura de Jesus. Ou seja, o poema está como que endereçado a Jesus e o eu-lírico expõe até mesmo qual é sua posição: ele está arrependido e “suspirando” de amor. Amor por quem? Pela fé, por Deus.

Em qualquer poema que a gente estuda, mas principalmente nesses do Gregório, é muito importante a gente conhecer o significado de todas as palavras para poder entendê-los melhor. Nesse poema aqui não tem muitas palavras que nos causem problemas.

Talvez você não conheça o significado de delinquido. Essa palavra é o particípio passado do verbo delinquir, que significa cometer delitos, crimes.

Então, na primeira estrofe, o eu-poético diz basicamente o seguinte: “Meu Deus, é verdade que eu lhe ofendi, é verdade que eu pratiquei delitos e que toda essa minha maldade ofendeu o Senhor.”

Ou seja, ele está admitindo seus erros em um diálogo com Deus.

Na segunda estrofe, o eu-lírico associa essa maldade já citada por ele à questão da vaidade. Vaidade, como você está lembrado, é um dos sete pecados capitais – aliado à soberba ou orgulho -, ou seja, é algo extremamente condenável para a Igreja Católica.

Ele diz que foi vencido por tanta vaidade e que, da mesma forma, quer ver-se agora vencido pelo arrependimento por ter praticado tantas coisas ruins e graves (tanta enormidade).

Assim, vemos que na primeira metade desse soneto, o eu-lírico admite todas suas faltas e declara-se arrependido. Vejam o contraste presente aqui. Essa coisa de pecado x arrependimento é muito típica do Barroco e do Gregório. Da mesma forma que o homem vivia em um conflito existencial, a arte reflete esse conflito através dos contrastes. Interessante, né?

Tudo bem até aqui? Então vamos lá!

Iniciando a terceira estrofe o eu-lírico intensifica esse arrependimento e roga a Deus que Ele lhe dê os braços, ou seja, o perdoe através de sua luz, que seria o caminho da sua salvação. Perceba que temos a impressão de que o eu-lírico poderia estar até mesmo em seu leito de morte, rogando clemência após uma vida longe da fé. Não parece isso pra você também?

Com certeza você se perguntou o que significa essa palavra estranha “pertendo”, mas pode ficar tranquilo que é somente uma forma arcaica do verbo pretender. Ou seja, o eu-lírico quer, pretende, a salvação através dos tais abraços divinos.

E olha lá o último verso: uma súplica fortíssima, um pedido de misericórdia associado ao sentimento mais nobre e à citação dupla do filho de Deus. Muito Gregório de Matos aí!

A nível estrutural nós temos um recurso interessante, também. Se você reparar, quase todos os versos iniciam com a mesma palavra com que o verso anterior terminou. Isso é uma figura de linguagem chamada Anadiplose. Repare nas palavras grifadas. Sempre a última deste verso inicia o verso seguinte. Isso serve tanto para intensificar as ideias quanto para dar uma espécie de movimento circular ao poema, o que pode significar várias coisas, entre elas a ideia do eterno devir, do eterno pecar/arrepender-se/salvar-se. E por que não? Se essa é a lógica do catolicismo?

Ainda a nível estrutural, podemos olhar para as rimas e dizer que nos quartetos elas são interpoladas, ou seja ABBA e nos tercetos estão organizadas na estrutura CDE, como você pode visualizar.

Finalizando, para você ter certeza de que entendeu esse poema, que tal responder essas 3 questões simples?

Não deixe de assistir ao vídeo novamente para fixar bem as ideias presentes no poema.

Eu sou o professor André Gazola e através do blog Lendo.org você acaba de compreender um belíssimo texto da literatura brasileira.

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André Augusto Gazola é formado em Letras, professor especialista em escrita e redação para ENEM, vestibulares e concursos públicos, além de pós-graduado em Metodologia de Ensino de Língua Portuguesa e Literatura.

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