Som da Guerra
O texto a seguir foi escrito por Sérgio Neves Filho.
* Caso você queira ver seu texto publicado no lendo.org, envie através do e-mail mr.thechessman@gmail.com ou pela página de contato
A nossa sociedade está em crise?
Todos temem a guerra mas sequer reconhecem seu som.
Apesar do bombardeio de mentiras, nosso sangue ainda sabe que nem sempre uma guerra se faz com morteiros, metralhadoras e granadas.
De nossas casas o som da guerra já não se escuta, mas sei que estamos em guerra neste exato momento. Aos que não sabem, o terror é falso, os morteiros acabaram nos anos setenta, e a partir daí só ouve-se o som agudo e estridente das lâminas de papel, tinta e palavras, embora haja sempre uma televisão gritando que iremos morrer.
A melodia silenciosa da terceira guerra parece ter aumentado de volume nos últimos anos. Alguns poucos ouvidos aguçados ainda são capazes de escutar o assovio dos morteiros que ainda caem sobre nossas instituições. Nossos infantes famintos e moribundos por falta de atenção de nosso secular falso comando, lamentam, juntamente aos nossos soldados, a falta de suprimentos e incentivo a manterem-se de pé.
Nossos postos de comunicação estão sitiados pela força inimiga, nossos céus estão paralisados, nosso moral escandalizado, nossos suprimentos acabados, e nossa inteligência perturbada. Todavia, nosso olhar altivo enxerga além das linhas inimigas, e enquanto nossos inimigos andam de peito estufado na crista do país, nos escondemos nas crateras que seus próprios morteiros abriram, segurando com nosso braço forte os alicerces da sociedade brasileira.
Nenhuma guerra é ganha com mercenários.
Crime e Castigo, de Dostoiévski
Hamlet, de William Shakespeare
Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes
A Divina Comédia, de Dante Alighieri
A Ilíada e a Odisséia, de Homero
Guerra e Paz, de Leo Tolstoy
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