Senhoras e Senhores: Escriba Cafe
A dramaturgia de Christian Gurtner no melhor podcast literário que eu conheço.
O Escriba Cafe é um site com textos fantásticos que questionam o mundo, a vida do ser humano, nosso papel na terra e diversos aspectos de nossa existência.
Somado a isso, você ainda pode acessar a versão Mobile do site ou do podcast através do seu aparelho celular, interagir e ganhar prêmios com os desafios Escriba Cafe, ver os vídeos do VideoCast, enviar comentários em texto ou áudio e muito mais!
Participe desse mundo de mistério e fantasia criado por Christian Gurtner, ouça os podcasts e seja envolvido por esse ar divinamente composto.
Veja um dos maravilhosos textos introdutórios dos podcasts, este pertence ao podcast de número 39: “Ritual do Ciclo Gelado”.
Quem sou eu
Além daquele que fui?
Perdido por florestas e sombras de ilusão
Guiado por pequenos passos invisíveis de amor
Jogado aos chutes pelo ódio do opressor
Salvo pelas mãos delicadas de anjosReerguido mais forte, redimido
Anjos salvei por justiça lutei e o amor
Novamente busqueiQuem sou eu?
Além daquele que quero ser
Puro, sábio e de espírito em paz
Justo mesmo que por um instante
Forte mesmo sem músculos
E corajoso o suficiente para dizer:
Tenho medo!Mas quem sou eu
Além daquele que aqui está
Sou vários, menos este
O que aqui estava jamais está
E jamais estaráSou eu o que fui e cada vez mais o que quero ser
Mudo, calo, ergo, sumo, apareço, bato, apanho, odeio!
Amo.
Mas no momento seguinte será diferente
Posso estar no caminho da perfeição
Cheio de imperfeiçõesSou o que você vê ou o que quero mostrar
Mas se olhar por mais de um segundo
Verá vários eusEu o que fui
Eu o que sou
E eu o que sereiE eis que elevando-me a altura do ser
Encontro flutuando entre as nuvens como pó
A pergunta que jamais puderam responder:
Quem somos nós?Nós os vermelhos, os pretos, os amarelos e os louros
Nós os que se amam e se destroem
Os que não conseguem viver sem o outro
Mas expulsam-no e o correm
Ah, nós!
Todos nós como um só, tão pequenos e impotentes
Por tão pouco temos dó
E por tão pouco não ficamos contentesSem nós o mundo não pára de girar
O sol não pára de nascer
A lua não pára de brilhar
E o universo não cessa de crescerPortanto, algo tivemos que encontrar
Para com um falso poder nos enganar
E dominamos as árvores os rios e animais
Os matamos e os destruímos até não sobrar maisE então descobrimos que sem nós
Os animais e a natureza sem feridas
Continuam em perfeita harmonia a viver
Mas sem água sem florestas e sem outras vidas
Somos nós quem deixamos de viverDiante desse fato
Que de fato poderá acontecer
O homem tenta outro ser dominar
Um ser que seja perecível e fácil de combater
Descobriu o homem
Que um outro homem ele deve controlarSomos todos animais
E assim vamos nos combater
Ergam suas espadas e contra os tiranos vamos perecer
A glória estará no fim
A honra em cada umO pensamento será em fim
A nação que teremos em comumE se um dia o dia do fim chegar
Jamais esqueceremos que tentamos lutar
E nos chamarão de covardes
Nos blasfemarão como selvagens
Seremos vistos como pragas e então iremos lhes lembrar
Que lutando tentamos o mundo mudarE em nossas batalhas não houve violência
Foi uma guerra contra a demência
Daqueles que queriam o mundo devastarSenhoras e Senhores: Escriba cafe!




O Processo, de Franz Kafka
Guerra e Paz, de Leo Tolstoy

Ulisses, de James Joyce
Hamlet, de William Shakespeare
Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes
A Divina Comédia, de Dante Alighieri
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