O Seminarista, de Rubem Fonseca

Livro O Seminarista, de Rubem Fonseca

Para quem estuda literatura brasileira na faculdade e está acostumado com títulos como O Ateneu, O Quinze ou Os Sertões, pegar um livro intitulado O Seminarista para leitura de fruição parece meio doentio.

No entanto, o novo livro de Rubem Fonseca narra não a história de um menino mandado para um colégio interno, nem de uma família que luta para sobreviver em meio à seca, muito menos é um tratado histórico-geográfico sobre uma revolução, mas sim a história de um matador profissional, o melhor de todos — O Especialista, como é chamado — que decide largar a profissão.

Seu nome é José, um ex-seminarista que fora expulso por comportamento libidinoso. Seus amigos o chamariam de Zé, se ele tivesse amigos. A não ser por dois ex-colegas — um de seminário, outro de sinuca — que não via há tempos, não tem ninguém. Seus trabalhos são encomendados por alguém que conhece como Despachante — ele diz quem é o freguês, me dá as coordenadas e eu faço o serviço. No dia seguinte, não lê os jornais para não saber do caso e nem saber nada sobre sua vítima, que sempre leva um tiro na cabeça — li em um livro de medicina que a morte é instantânea e sem dor.

Enquanto lia a obra fiquei um bom tempo achando que o enredo deixava uma lacuna grave: como um ex-seminarista, amante de poesia, incapaz de machucar até mesmo uma mosca, apaixonado por rock, livros e mulheres, teria se tornado um matador? Mas quando terminei a leitura percebi que isso é o que menos importava, pois o fato de Zé estar cansado de sua profissão, tentar se aposentar e ser, de certa forma, sugado de volta para ela serviu-me como uma alegoria que representa essa espécie de prisão sob a qual todas nossas escolhas nos envolvem.

São essas prisões que atormentam o Zé durante todo o romance — 181 páginas que podem ser lidas em uma tarde. Os tempos de seminário estão sempre presentes através de sua mania de pronunciar frases em latim, sempre de autores e/ou pensadores famosos como Horácio, Virgílio, Cícero e outros. Estando presente o Seminário, também está o desejo de sua mãe de que se tornasse padre e, assim, também vem à tona a expulsão como algo que a decepcionaria.

Para escapar dessas prisões, ele resolve se aposentar. Tendo ganho muito dinheiro como matador, poderia viver tranquilamente até o final. Dá suas roupas finas ao porteiro do prédio, desfaz-se de sua arma de estimação e conhece Kirsten. Mal sabia ele que todos os fantasmas de seu passado recente voltariam para atormentá-lo através dela.

A estreia de Rubem Fonseca na editora Agir o reafirma com um dos melhores em literatura policial do Brasil e sem dúvida manterá você preso à história de um Especialista, não doentio, mas perturbado como todos nós.

Você pode ouvir o primeiro capítulo do livro, lido pelo próprio Rubem Fonseca, no vídeo abaixo:

André Augusto Gazola é formado em Letras, professor de Literatura e História da Arte, pós-graduado em Metodologia de Ensino de Língua Portuguesa e Literatura e fundador do blog Lendo.org.

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