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As Memórias do livro, de Geraldine Brooks

Como todos os livros recebidos diretamente da editora, e como todo best-seller, comecei a ler o As Memórias do Livro com um pé atrás. A autora, Geraldine Brooks, é mais uma dessas jornalistas que descobriram seu fabuloso e divino talento para escrever ficção. Mas está bem. O romance foi vencedor do prêmio Pulitzer, concedido desde 1917 pela Universidade de Columbia, em Nova Iorque; deve ter seus méritos. Só achei estranho o fato de Homer Simpson já ter ganho o tal prêmio.

Hanna Heat é uma conservadora e restauradora de livros australiana que é chamada para estudar um famoso manuscrito datado do século XV: a Hagadá de Saravejo, um livro religioso dos judeus que possui esplêndidas iluminuras, coisa proibida na religião daquela época. O trabalho da phD de Sydnei é restaurar a misteriosa Hagadá que fora conservada (e salva) por um bibliotecário muçulmano.

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Porém, ao examinar as páginas desgastadas — sempre sob o olhar de uma armada enorme de seguranças — ela percebe traços que podem revelar muito sobre a história daquela relíquia: a asa de um inseto, um fragmento de pena, manchas avermelhadas, um pêlo branco, cristais de sal, e outros. É através desses elementos que a história daquele livro é construída entre as páginas do romance.

A partir das pistas, começam-se a intercalar capítuos que oscilam entre o presente — com os diversos confltos e Hanna; e o passado — em ordem decrescente de data, é contada a história de cada um daqueles traços encontrados na Hagadá. Isso transforma o As Memórias do livro praticamente numa obra de contos, no qual várias pequenas histórias ajudam a elucidar a trama principal para o leitor e, de certa forma, para a própria Hanna, que passa por conflitos secundários com sua mãe, uma médica famosa que nunca perdoara o fato da filha ter seguido a carreira da arte, ao invés da medicina; com o bibliotecário muçulmano, com o qual ela se envolve; com seus amigos pesquisadores, que auxiliam com as análises das pistas; e, por fim, com a revelação de que seu pai fora um grande pintor australiano, cuja morte sua mãe estivera envolvida.

O enredo, como um todo, é interessante. Tem algumas cenas forçadas, é claro que tem. Mas atrai. Considero a personagem principal, Hanna, um tanto mal construída, principalmente nas questões emocionais: no início do livro ela fala sobre (e faz) amor e sexo como uma banalidade, um acontecimento ao acaso e esporádico. Não vejo verossimilhança numa atitude dessas vinda de uma grande estudiosa, phD em conservação de livros. Porém, no decorrer da narrativa, há indícios de que ela se apaixona pelo bibliotecário muçulmano — que é casado, e que ela dormira enquanto estava em Saravejo — , mas as relações com sua mãe pioram, até serem cortadas. Por outro lado, seus sentimentos afloram em relação ao pai (já morto), mas suas manifestações de amor continuam frias como no início.

De qualquer forma, esse é um aspecto para gente que estuda essas coisas analisar. O livro é também um romance histórico e dá pra aprender muito sobre conflitos religiosos, um pouco de nazismo, Segunda Guerra, Inquisição, e outros. Além de, é claro, sobre essa profissão diferente que é a conservação/restauração de livros.

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8 Comentários

1. por Ubiratan Rocha da Silva em
Ago212008, às 17:10pm

Muito boa informação.

2. por Gesiane em
Set192008, às 20:33pm

André, estava afim de ler este livro, mas agora não muito.
Sou apaixonada por literatura estrangeira e não estou acreditando que entre as resenhas não tenha A sombra do vento, um super livro de Carlos Zafon. É uma pena mesmo, porque já há um lançamento de um outro livro dele “O Jogo do Anjo”. Li a Sombra do Vento e acredito que é um livro tão bomquanto A menina que roubava livros.
Outra observação é que não vi nenhuma resenha de nenhum livro da Asne Seierstad… Mas é claro que o dia tem 24 horas e ninguém consegue ler todos os livros que quer.
Por último, você não deveria julgar desta maneira os jornalistas que escrevem, porque a maioria dos estudantes de jornalismo tem um pouco de escritor. Afirmo isso, porque estudo jornalismo e um dos motivos pelo qual escolhi a área foi por amar literatura e adorar escrever.
Euclides da Cunha era jornalista e escreveu um clássico.

3. por marcio rodrigues silva em
Set302008, às 13:24pm

Acho que o colega andré não leu o livro todo, deixou de fora vários fatos relavantes ao livro que molda o carater da personagem. É um livro para ser lido, não aceite a opinião dos outros, leia o livro e tenha a sua opinião. Gostei muito do livro, não consegui para de ler.

4. por André Gazola em
Set302008, às 15:24pm

Marcio, é claro que li todo o livro sim.

Minha opinião, juntamente ao que achei importante, está aí.

5. por marcio rodrigues silva em
Out012008, às 9:10am

ENTÃO ME DIGA EM QUE PARTE DO LIVRO VOCÊ VIU QUE O BIBLIOTECÁRIO MUÇULMANO ERA CASADO, NÃO VOU CONTAR A HISTÓRIA DELE POR RESPEITO A QUEM NAO LEU O LIVRO AINDA.

6. por André Gazola em
Out012008, às 11:13am

Página 44, linha 2.

7. por marcio rodrigues silva em
Out012008, às 12:05pm

DEVE SER A MESMA PAGINA QUE FALA QUE A MULHER DELE FOI ATINGIDA POR UM TIRO ENQUANTO ESTAVA NUMA FILA.

8. por ricardo em
Nov292008, às 13:38pm

Acabei de colocar esse livro na minha estante no skoob, http://www.skoob.com.br, eu iria lê-lo por último, mas depois que li a resenha achei que a história parece bem, interessante. Abraços.

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