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Contos mágicos para os fãs de Harry Potter

Essa resenha foi escrita por Leonardo da Silva, graduando do curso de Letras da UFSC, e contém spoilers.

Recentemente, J.K. Rowling, a criadora de Harry Potter, lançou Os Contos de Beedle, o Bardo (Rio de Janeiro: Rocco), mesmo após ter declarado que “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, o sétimo livro da série, encerraria a saga do bruxo. De fato, neste livro não sabemos nada mais de Harry, já que nem mesmo ele é citado na obra. Entretanto, Beedle nos leva de volta ao mundo dos bruxos, ao universo de Harry Potter; além disso, seus contos, como se sabe, foram citados e lidos por seus colegas de escola. A propósito, segundo Rowling, o que a levou a publicar essa coletânea de histórias (já foram publicados “Animais fantásticos e onde habitam” e “Quadribol através dos séculos”) foi uma “novíssima tradução dos contos feita por Hermione Granger”, a amiga sabida de Harry Potter.



Os contos de Beedle, o bardo

O livro de Rowling traz cinco “histórias populares para jovens bruxos e bruxas”, mas que, com as notas explicativas da autora, podem ser perfeitamente lidas pelos “trouxas” (como Rowling se refere às pessoas sem poderes mágicos, como nós). Nessas notas, Rowling esclarece alguns termos próprios do mundo dos bruxos como, por exemplo, “inferi”, que, “são cadáveres reanimados por magia”.

No mundo dos bruxos, Beedle, poder-se-ia dizer, tem a importância do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen e suas histórias se assemelham em muitos aspectos aos nossos contos de fada. Aliás, seus contos tiveram o mesmo destino dos nossos contos de fadas, ou seja, caíram no gosto das crianças e, como lemos no prefácio do livro, são usualmente contadas antes de dormir. Ademais, como afirma Rowling, nesses contos, assim como costuma acontecer nos contos de fadas, “a virtude é normalmente premiada e o vício castigado”.

Nos contos de Beedle, no entanto, a magia nem sempre é tão poderosa quanto se pensa: seus personagens, apesar de serem dotados de poderes mágicos, não conseguem resolver seus problemas somente com magia. As histórias mostram, desse modo, que ao contrário do que se pensa, a mágica pode tanto resolver quanto causar problemas ou pode também não ter efeito nenhum.

Quanto às heroínas do livro, elas são em geral bem diferentes daquelas dos contos de fada “tradicionais”, ou seja, ao invés de esperarem por um príncipe que as venham salvar, elas enfrentam o próprio destino. No conto “A Fonte da Sorte”, por exemplo, são as três bruxas, Asha, Altheda e Amata, que procuram (juntas) a solução para seus próprios problemas. Elas buscam amor, esperança e a cura para uma doença na chamada “fonte da sorte”. Ao final da estória, elas alcançam aquilo que desejam, muito mais por méritos próprios do que pela magia das águas da fonte que, mesmo sem saberem, “não possuíam encanto algum”.

Na verdade, os heróis dos contos não são aqueles com maiores poderes mágicos, mas sim aqueles que demonstram bom senso e que agem com gentileza. Um exemplo é “O conto dos três irmãos”, onde o irmão mais novo, ao se confrontar com a Morte “em pessoa” não tenta trapaceá-la nem fazer mal a alguém. Desse modo, ao contrário dos seus irmãos, ele tem um final feliz, pois “acolheu, então, a Morte como uma velha amiga e acompanhou-a de bom grado, e, iguais, partiram desta vida”.

Para aqueles que sentiam falta de Dumbledore, o poderoso mago Diretor de Hogwarts, J.K. Rowling mata um pouco da saudade: no final de cada conto, há explicações e comentários do bruxo, os quais foram encontrados após sua morte. Suas explanações são bem pertinentes: elas mostram, por exemplo, que no mundo dos bruxos existia um preconceito contra os não-bruxos (os “trouxas”), há ponto de excluí-los dos contos, ou dar-lhes apenas o papel de vilões, e também alertam para o fato de que alguns dos contos foram censurados ao longo da história e adaptados para que se tornassem “adequados para as crianças”. Isso se assemelha muito àquilo que aconteceu com os contos de fada de um modo geral, os quais sofreram mudanças no enredo para que pudessem se adequar melhor à escola e ao mundo da criança. No entanto, os contos que nos são apresentados no livro são, segundo Dumbledore, os originais, ou seja, são os contos escritos por Beedle há muito tempo, sem adaptações.

Outras questões são trazidas à tona nos contos: amor, tolerância, sentimentos e, como se viu, até mesmo a morte. Isso porque as histórias mostram como a magia não pode resolver tudo e o quão inútil é lutar contra a morte. Sabe-se que a mágica não é capaz de restituir o bem mais precioso: a vida.

Os contos, traduzidos por Hermione Granger das runas, são inéditos, com exceção de “O conto dos três irmãos”, uma história contada para Harry, Rony e Hermione no sétimo livro da série de aventuras de Harry Potter (no capítulo 21, que leva o mesmo título do conto), que tem papel crucial no fim da saga do jovem bruxo.

Quanto às ilustrações do livro, quem as assina é a própria J.K. Rowling, que doou parte do lucro obtido com a venda de Os Contos de Beedle, o Bardo para o “Children’s High Level Group”, uma organização responsável por ajudar cerca de um quarto de milhão de crianças a cada ano.

Em Os Contos de Beedle, o Bardo, sentimo-nos de volta ao “mundo mágico de Harry Potter”. Pena que as 103 páginas do livro acabem tão rápido: para o leitor entusiasta do mago inglês e acostumado com as suas aventuras narradas ao longo de mais de 700 páginas fica um gostinho de “quero mais”. Depois de Beedle, resta aos fãs da magia de Rowling esperar até julho de 2009, quando será lançada a primeira parte do sexto filme baseado na saga de Harry Potter, “Harry Potter e o Príncipe Mestiço”.

No mundo dos livros, no entanto, parece que finalmente (e infelizmente), a saga de Potter ganhou seu ponto final. Será?

6 Comentários

1. por Caíque Gonçalves em
Jan212009, às 1:28am

Li apenas o primeiro livro da saga, só por curiosidade mesmo, para saber porque cargas d’água os livros venderam tanto. Acredito que o grande mérito de Rowling foi criar uma narrativa e um ambiente mágico sem fantasiar demais e transformar a trama em algo absolutamente surreal. Não pretendo ler os outros livros, mas sem dúvida é uma ótima opção para os jovens leitores.
Forte Abraço

2. por Camila em
Fev192009, às 1:07am

Estou morrendo de vontade de ler esse livro!! De fato, é uma forma de matar as saudades da série, embora quase nada se fale sobre ela -além das notas do Dumbledore e da tradução ter sido feita pela Hermione. É incrível perceber como a criatividade de J.K.Rowling vai longe!! Pois creio que é necessário muito talento e criatividade para ser criar “contos de fada” (ou de bruxo, como é o caso). O que prova que o posto de melhor escritora de livros infanto-juvenis não lhe será tirado por autoras menos talentosas.

3. por camila santin calçada silva em
Abr272009, às 16:51pm

Creio que a obra de Rowling é absulutamente sensacional, pois como professora percebi um interesse em meus alunos que não percebia há muito tempo, afinal de contas, um clássico não um livro que catedráticos escolheram para que o fosse e sim antes de tudo é algo que gerou o prazer da leitura pura e simples como recreação .
Abaixo os falsos puritanismos que elencam o que é”bom” ou “mal” se lhe agrade leia, pois leitura é libertação para um novo mundo e neste quesito a saga Potter chega perfeitamente ao seu intento. Parabéns pela idéia da pesquisa.

4. por Érika dos Anjos em
Mai122009, às 15:50pm

Os contos de Beedle, o Bardo não é o último biscoito do pacote, literalmente. Primeiro, porque ninguém me tira da cabeça que não será o último escrito de J.K. Rowling sobre a afortunada série Harry Potter; em segundo lugar, porque dois dos cinco contos são bastante fracos.

Valendo realmente a pena, temos o conto que dá nome ao livro e que foi de suma importância no desenrolar do sétimo livro; o primeiro conto, que se chama O Feiticeiro e o Caldeirão Saltitante; e o terceiro, que é O Coração Peludo do Mago.

5. por Leeuh em
Jul232009, às 2:33am

Eu acredito que J.K. Rowling ao escrever a série Harry Potter , motivou mutios jovens a ler , assim como Stephenie Meyer ao escriver a série Crepúsculo , Pois apesar de exisitir várias outras séries essas duas em especial , tiveram um repercussão muito grande pois as escritoras não pouparam imaginação ao criar as histórias , eu li as duas séries e intendo o motivo di tanto sucesso ; quando vc está lendo estes livros é como si vc não conseguisse parar , como se o livro te convidasse a não sair nunca mais dali.

6. por Carlos Adamirano em
Set172009, às 16:57pm

eu ja fiz a leitura deste livro queria apenas uma resenha para uma prova escolar

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