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O que é Preconceito Lingüístico?

Alguém ainda lembra dos seus tempos de escola, quando aquele colega que sempre que precisava ler alguma palavra com dois erres (rr) como, por exemplo, carroça, acabava pronunciando um belo caroça e toda a turma caía na gargalhada? Ou ainda aquele que veio lá do interior e era conhecido como caipira? Lembram?

Pois já naquele tempo, vocês, inocentes crianças, estavam cometendo preconceito lingüístico.

Preconceito lingüístico é o deboche, a sátira, ou a não-tolerância em relação ao modo de falar das pessoas.

No Brasil falamos português, isso todos sabemos. Mas por algum motivo, convencionou-se que o português falado deve ser o mesmo que o português escrito. Isso quer dizer que, ao longo dos anos, a gramática normativa e a língua foram tratadas como uma coisa só.

Ainda não ficou claro? Eu explico melhor: o português que a gente aprende na escola é chamado português padrão, cujas regras de composição são definidas pela gramática. Tudo certo até aí?

Pois bem, o fato é que a língua falada é muito mais viva e flexível do que as regras escritas naquele livrão grosso. Portanto, língua falada e língua escrita são coisas totalmente diferentes.

Contudo, no momento em que vemos uma luta imensa para abolir os mais diversos tipos de preconceito, aquele do tipo lingüístico continua desconhecido fora dos círculos acadêmicos, e o que é pior, estimulado pelos meios de comunicação em massa, como rádio e TV.

Nessa série de artigos nos quais eu vou tentar desmistificar vários aspectos do português como língua falada, com objetivo de acabar com esse preconceito, vou me basear em dois livros excelentes do Marcos Bagno, um grande lingüista brasileiro que trata do tema preconceito lingüístico com uma naturalidade e objetividade muito boa.

São eles:

No primeiro deles, Bagno destaca 8 mitos do senso comum sobre a língua portuguesa. Através da exposição desses mitos, vou ajudar vocês a entenderem melhor as diferenças entre língua falada e língua escrita, para nunca mais ridicularizar alguém pelo seu jeito de falar.

O primeiro mito vai ser A língua falada no Brasil apresenta uma unidade surpreendente. Será?

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7 Comentários

1. por Dai em
Out292007, às 19:46pm

Marcos Bagno é uma sumidade. Tenho certeza que aprenderemos muito por aqui.

bj.

2. por Anna em
Out292007, às 19:56pm

Guten Tag, André (Oi!);
Pois é, preconceito existe até na linguagem. Seres humanos…
E aí, coloquei o seu link no Blog Linha.
Ah, estou aprendendo a me expressar por escrito e no computador. Embora, não compreenda direito as instruções, vou aprendendo por tentativa e erro.(rs!)
Depois me diz como está.
Abraço

3. por _Maga em
Out302007, às 1:29am

É… até para isso viajar é importante: aprendemos a deixar o ouvido mais atento a pequenas diferenças, e descobrimos a quantidade de línguas que há em uma língua.

Uma coisa que me intrigou um pouco é quando alguém mais do norte fala que “no sul fala-se cantando” ou quando alguém mais ao sul fala “que as pessoas do norte falam cantando”. Eu não falo cantando, com escalas de notas e partituras. Falo, simplesmente. O que há é uma diferença de entonação. Em geral, mais ao sul as frases são pronunciadas de forma mais tônica ao seu final, enquanto mais ao norte acontece o oposto: as frases vão perdendo a tônicidade quando chegam próximas do fim. E ai temos pessoas falando cada uma com o sotaque próprio da sua região. Não são cantores só por isso… rs

Beijos (acho que empolguei-me rs)

4. por André Gazola em
Out302007, às 12:13pm

Pois é _Maga, a questão do sotaque também é alvo de preconceito, muitas vezes, mas o foco principal vai ser o uso da língua em si e não apenas o sotaque.

Achei legal o que você falou sobre a tonicidade, eu nunca tinha reparado nessa inversão do norte para o sul. Bem interessante.

Beijos

5. por Ângela em
Ago072008, às 9:26am

isso aí, tudo está certinho, felicidades para vocês!!!!!!!!
:)

6. por vinícius em
Ago112008, às 20:57pm

péssimo.

já identifiquei a formação desse grupinho “bagnista”. apesar de ter alguns pontos verdadeiros, a idéia do marcos bagno leva a uma conclusão absurda e até risível. vamos parar com essa paranóia do preconceito, por favor.

7. por kelly moreira cardoso em
Set142008, às 20:16pm

Apresentarei um seminario sobre preconceito linguistico, que tem como autor Marcos Bagno em seu livro Preconceito Linguistico o que e como e como se faz… RECOMENDO PARA TODOS NOS BRASILEIROS…E um livro de otima qualidade, clareza e objetividade… todos nos com certeza temos ou ja tivemos algum tipo de preconceito linguistico.aprendemos assim desde de pequenos a ter essa atitude sem ao menos imaginar nas suas consequencias.E importante nos livrarmos desse fantasma.

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