Receba Atualizações

Assinantes do Feed

Junte-se aos milhares de leitores que assinam o feed ou recebem os textos por e-mail.

Lendo.org | Livros, literatura e resenhas

Pesquisa personalizada

Preconceito Lingüístico: O Português do Brasil apresenta uma unidade surpreendente

Dando início a série de artigos nos quais vamos desmistificar diversos aspectos da língua portuguesa, quero dizer que este mito, o de homogeneidade lingüística, é possivelmente o mais grave entre todos.

Mesmo nos meios científicos e acadêmicos, entre grandes gramáticos e estudiosos da língua, ainda há a idéia de que no Brasil se fala um português totalmente uniforme, sem dialetos. Sinceramente, eu não sei onde essas pessoas vivem, pode ser em qualquer lugar, menos no Brasil.

O fato é que os dialetos existem em enorme quantidade em nosso país, e não estou falando de sotaques. Não precisamos sequer ir muito longe para perceber que, em diferentes cidades, às vezes muito próximas de nós, há palavras diferentes para designar coisas diferentes. Querem um exemplo?

A palavra peixeira.

No nordeste, ela serve para designar um tipo de faca de grande porte, usada geralmente em trabalhos agrícolas. Já, aqui no sul, uma peixeira significa, no máximo, uma mulher que vende peixes, nada mais.

Mas vamos além. Lá no interior do nordeste, em uma família pobre, de nenhuma forma alguém vai falar em peixeira, mas sim em pexêra. E alguém aí acha que está errado? Que as pessoas vão pensar: “Pexêra? Mas de que diabos ele está falando?”. É claro que não, todo mundo vai entender perfeitamente.

E qual o problema de tudo isso, vocês me perguntam?

Como nós podemos pensar em uma educação ideal, no momento em que a escola tenta impôr suas normas lingüísticas como se todos os 170 milhões de brasileiros falassem uma língua comum?

Para Marcos Bagno (2002, p.16):

Embora a língua falada pela grande maioria da população seja o português, esse português apresenta um alto grau de diversidade e de variabilidade, não só por causa da grande extensão territorial do país — que gera as diferenças regionais, bastante conhecidas e também vítimas, algumas delas, de muito preconceito –, mas principalmente por causa da trágica injustiça social que faz do Brasil o segundo país com a pior distribuição de renda en todo o mundo. São essas graves diferenças de status social que explicam a existência, em nosso país, de um verdadeiro abismo lingüístico entre os falantes das variedades não-padrão do português brasileiro — que são a maioria da nossa população — e os falantes da (suposta) variedade culta, em geral mal definida, que é a língua ensinada na escola.

A escola precisa entender que o aluno chega lá falando o português de sua comunidade, que geralmente é uma variedade não-padrão, e que seu papel é acrescentar – e não substituir — a norma culta da língua ao aprendizado da criança.

Infelizmente somos um país em que boa parte da população não tem acesso à educação. Essa privação, faz com que muitas pessoas não consigam usufruir de todos seus direitos, exatamente pelo fato de não conhecerem o português padrão.

Um exemplo real e que acontece todos os dias por todo o Brasil? Em uma entrevista de emprego, diversas empresas dispensam candidatos qualificados e competentes, simplesmente por não utilizarem a norma culta ao falar.

Nosso país será cada vez mais elitista, se as instituições de ensino e a própria população “culta”, não admitir a existência de milhares e milhares de línguas portuguesas.

Referências

BAGNO, Marcos. Preconceito Lingüístico: o que é, como se faz. São Paulo – SP, Edições Loyola, 2002, 18 ed.

27 Comentários

1. por C. em
Out302007, às 17:23pm

Objeção!

Caro Sr. André A. Gazola, estudante de letras, campeão de xadrez que recusou meu desafio,

Cuidado ao pisar nesse terreno do preconceito linguístico: ele é um beco sem saída onde sempre terminaremos no “o problema é a educação que o governo oferece”.

A escola deve, sim, “impor suas normas”. Se cada escola, de cada região começar a ensinar o português popular regional, em breve um brasileiro do sul falará um idioma completamente diferente de um brasileiro do norte, e ambos não conseguirão se entender de forma alguma, e aí as consequências serão gravíssimas economica e socialmente.

As empresas devem, sim, exigir o domínio razoável e essencial do português culto.

Acho que você se enganou ao afirmar que temos “milhares de línguas portuguesas”. Na verdade não temos nem três, nem duas. Temos somente uma e uma grande influência de sotaques e gírias que se fortificam com o tempo, mas te garanto que para cada uma dessas palavras, como a “pexêra” cada persona regional tem uma outra palavra que é de entendimento geral, e assim todos se entendem, ainda mais porque somente algumas palavras são readaptadas, e não a gramática e o vocabulário em geral.

Várias dessas “definições” regionais, acabam se espalhando pelo Brasil – como o caso da “pexêra” – que tanto eu, quanto você e também a maioria dos brasileiros sabe que “pexêra’ pode ser um fação – muito famoso nos casos de adultério no nordeste – como também uma mulher mal-cheirosa na feira.

E essas palavras entram vagarosamente para o português culto.

No Aurélio: Peixeira sf. Bras. N.E. 1. Faca para cortar peixe. 2. Facão muito cortante

É do nordeste, mas está no dicionário, não é mesmo?

Salve algumas poucas tribos indígenas, nós conseguimos nos comunicar em qualquer região do Brasil, graças ao português culto. E isso não é elitismo, é uma forma de sobrevivência de uma nação. O que você sugere é quase um comunismo linguístico separatista – perdoando-me pelo paradoxo.

Abraços!

2. por André em
Out302007, às 18:00pm

que recusou meu desafio

O desafio já foi aceito meu caro, é só marcarmos :)

A escola deve, sim, ‘impor suas normas’

As empresas devem, sim, exigir o domínio razoável e essencial do português culto.

Concordo e discordo. Claro, o papel da escola é ensinar o português padrão, ponto.

O português padrão não deve deixar de existir, mas como eu falei, não deve buscar substituir aquele que a criança aprendeu em sua comunidade lingüística (lembre-se que estou falando da língua falada e não escrita).

Não é uma questão de ensinar o português não-padrão.

Não estou dizendo que a Constituição deve ser reescrita em dialeto do sul do Mato Grosso porque isso vai tornar o Brasil menos elitista, a questão é de não ridicularizar alguém pelo seu modo de falar, assim como não ridicularizar uma mulher que gosta de transar com mulheres.

E sem dúvida que as empresas devem exigir que seu funcionário consiga comunicar-se na forma padrão, só não é justo que algumas pessoas não tenham sequer acesso ao aprendizado dessa norma padrão e, por conseqüência, não tenham acesso a um emprego decente.

Acho que você se enganou ao afirmar que temos “milhares de línguas portuguesas”. Na verdade não temos nem três, nem duas. Temos somente uma e uma grande influência de sotaques e gírias que se fortificam com o tempo, mas te garanto que para cada uma dessas palavras, como a “pexêra” cada persona regional tem uma outra palavra que é de entendimento geral, e assim todos se entendem, ainda mais porque somente algumas palavras são readaptadas, e não a gramática e o vocabulário em geral.

Sinto dizer que esse pensamento é exatamente aquele dos gramáticos ortodoxos.

Você conhece o catalão Christian? É uma língua românica falada em algumas regiões da Europa, principalmente na Catalunha. É parecido com o espanhol em alguns aspectos, mas a formação das frases é completamente diferente.

No entanto, nós conseguimos entender quase a totalidade dos textos escritos nessa língua. É uma língua diferente, mas permite a comunicação de praticamente qualquer falante de línguas latinas.

Aliás, se nosso português é uma única língua que dá origem a variações que se fixam com o tempo, então todos nós, portugueses, espanhóis, argentinos, romenos, italianos, franceses, etc. falamos latim, afinal, foi exatamente o processo que acontece com o português hoje, que deu origem a todas as línguas latinas.

E finalmente:

nós conseguimos nos comunicar em qualquer região do Brasil, graças ao português culto. E isso não é elitismo, é uma forma de sobrevivência de uma nação. O que você sugere é quase um comunismo linguístico separatista – perdoando-me pelo paradoxo

Aí você sugere que, se eu for para o nordeste e tentar me comunicar com aquela família pobre que não fala português culto, eu não vou conseguir me comunicar? Se isso acontecesse, seria mais um motivo pra eu chamar isso de exclusão social.

Pra terminar, quero lembrar que eu não estou aqui defendendo a reescrita dos livros, não estou aqui defendendo uma revolução do ensino do português padrão e muito menos a fragmentação de uma sociedade (já fragmentada), estou aqui defendendo o direito que as pessoas têm de não serem ridicularizadas pelo seu jeito de falar. Pura e simplesmente isso.

Abraços

3. por C. em
Out302007, às 19:30pm

André, me desculpe, mas não dá para comparar o catalão com com os hipotéticos dialetos no Brasil.

Você fala do jeito que quiser e como quiser, mas seu idioma é o português. E se você acha que as pessoas que “não têm acesso” à essa educação estão sendo excluídas, então devemos pensar um pouco mais sobre essa exclusão.

A exclusão delas não é a de não ter acesso à educação. É a de não ter acesso a nada.

Na situação que elas se encontram, se do dia para a noite elas aprendessem falar o português culto, a vida miserável que elas levam não iria mudar em absolutamente nada. Aliás, ia mudar num ponto: Ao invés de dizer “Óia, nóis tá na merda” elas diram “Percebam que nossa situação econômica não é suficiente sequer para atendermos nossas necessidades básicas”

Então é loucura achar que o problema é esse. Essa exlusão, essa miséria, são consequências da irresponsabilidade social que chegou ao Brasil junto com Cabral. E a falta de educação é também somente uma consequência e não uma causa – muito embora um círculo-vicioso fora criado em toda essa bagunça política.

4. por André em
Out312007, às 7:35am

Bom Christian, na minha opinião, pode-se comparar qualquer língua com qualquer língua. E não acho que os dialetos do Brasil sejam hipotéticos.

Concordo que o tema da exclusão não é tão simples assim, mas essa história de causa/conseqüência já entrou nesse círculo-vicioso e por isso, não vejo uma forma de separar o que é causa do que é conseqüência.

O Problema não é só esse, mas é um deles, não há como negar isso, ao meu ver.

E não vamos criar algo artificial como “do dia para a noite elas aprendessem falar o português culto”, mas vamos pensar em “com o passar dos anos, a educação do Brasil vai melhorar, as pessoas terão mais acesso às bibliotecas, acesso a cursos preparatórios, acesso a eventos culturais, etc etc etc” e será que não ia mudar nada? Por mais que eu seja cético em relação a esse país, eu acredito que iria mudar muita coisa, mesmo sendo algo bem utópico.

Só que pra tentar atingir essa utopia, temos que começar por algum lugar e, na minha opinião, extinguir o preconceito lingüístico é um bom começo.

5. por C. em
Out312007, às 10:34am

Sabe, André, concordo com muito do que você disse e discordo fervorosamente de várias outras coisas.

Mas já estou sem forças para seguir discussões desse tipo. Afinal é algo que fazemos há décadas. Discutir, discutir, discutir… Talvez alguém diga que “é preciso discutir antes para executar uma ação”… Tudo bem, mas quanto tempo mais precisaremos discutir? Um século? Um milênio?

Acho que aí sim estamos nos elitizando nesse ponto: Sentados em nossas cadeiras confortáveis, teclando em nossos computadores de milhares de reais e discutindo sobre como é ruim a vida dos miseráveis nordestinos.

Eu desprezo revoluções como a comunista, sou a favor de cada um enriquecer de acordo com seu trabalho e competência. Mas também defenderei eternamente a igualdade de oportunidades. Me perdoe pela metáfora lulística, mas, você não pode dar terra morta para uma pessoa e terra cultivável para outra e dizer que “quem plantar primeiro ganha o investimento”. E é exatamente o que acontece nesse país .

Portanto, vamos montar nossa caravana e rodar o Brasil educando os sem educação, insentivando o estudo, fomentando a opinião e exigência dos direitos como cidadão e como humano.

6. por André em
Out312007, às 11:54am

Infelizmente concordo Christian. Às vezes é desanimador ficar discutindo isso, simplesmente porque sabemos que, no fundo, somos revolucionários passivos.

Mas… a luta segue.

7. por Adam Victor Nazareth Brandizzi em
Out312007, às 17:16pm

Discutir se variação lingüística é dialeto ou não me parece uma discussão tão complicada quanto diferenciar língua de idioma (embora nesse campo já haja uma definição bem mais clara ;).

André, creio o português brasileiro é mais uniforme do que se imagina. Já li o Preconceito Lingüístico do Bagno (e achei ótimo!), mas tenho a impressão de que ele é feito a partir de parâmetros ultrapassados. É como se comparasse o dialeto do Riobaldo com o linguajar do bacharel carioca dos anos 50. Hoje em dia, porém, quatro dentre cinco brasileiros vivem em áreas urbanas, mais “vulteráveis” à linguagem midiática uniforme. Não duvido que que haja rincões com dialetos tão diversos quanto os de Guimarães Rosa, mas hoje tais dialetos estão se tornando tão significativos numericamente quanto o guarani…

Isso, porém, não torna irrelevante o problema do desrespeito às variaões lingüísticas, naturalmente. Pelo contrário, é ainda mais importante estudá-los e documentá-los agora.

8. por Dai em
Nov012007, às 10:43am

André e Christian:

Gravei esta discussão para levar para minha faculdade. Argumentações de base e propriedade.
Só é lamentável constatar que a intelectualidade e boa vontade existem igualmente do Senado (e muito), porém nada é feito e pensando bem, nem é tão importante assim a questão dos dialetos. Chacrinha já dizia que quem não se comunica se trumbica. Portanto, ainda bem que C. deu por encerrada a discussão que já estava ficando maçante.
Mas de qualquer forma devo destacar a mais relevante frase (em minha opinião) de todo contexto que, ironicamente foge ao contexto. A frase é do André:
“…assim como não ridicularizar uma mulher que gosta de transar com mulheres.”
Não tenha-se dúvidas que em toda parte do Brasil existe este maldito preconceito praticado até por heteros intelectuais que amam Oscar Wilde, por exemplo. E do matutu analfabeto que aponta: “Lá ê vai o homi viado!”
Desta forma creio que vocês dois deram a volta ao mundo, deram de cara com Cabral e morreram de sede em frente ao mar.
Parabéns André por ilustrar seu argumento com um exemplo considerado ‘minoria’, assim como os surdos-mudos que provavelmente não aproveitariam quase nada do que foi dito por vocês.
Mas, como foi proferido, e bem, não é para desanimar, cada um bota a boca no trumpete como pode.
Até mais, tchê!
C. Beijo, Sir! :)

9. por Dai em
Nov012007, às 10:54am

Perdoa, Christian, minha habitual falta de atenção:

Amo a forma como escreves e a tua elegância first world de defender idéias tão sinceramente nacionalistas, sem pieguice ou qualquer conotação afetada.

Sua inteligência me comove, C.

Beijos! ^^

10. por Raphael Turquette Maciel, 17 em
Nov252007, às 19:01pm

“(…) há palavras diferentes para designar coisas diferentes.”

Não estou certo disso, mas penso que você quis dizer que:
Há palavras IGUAIS para designar coisas diferentes.

~Turket

11. por Jeniffer em
Mar282008, às 14:49pm

C..
sinto muito.. mas concordo com o André.
Vc está confundindo língua com gramática normativa!!!
bjos

12. por amanda em
Mai142008, às 18:46pm

“grande maioria” é um pleonasmo que foi usado nesse negosso ai, pois se é maioria ja é grande não existe a menor maioria por exemplo, ok? porque não decemos para baixo agora?

13. por André Gazola em
Mai152008, às 12:11pm

Ok Amanda, desculpe por ter nascido, também, tá bom?

14. por adriana ferreira em
Ago042008, às 15:36pm

Eu acho Bagno um máximo suas idéias também. Se as pessoas e essa “elite” da língua se conscientizassem tudo seria muito diferente.

15. por Pedro Victor em
Dez082008, às 16:43pm

Não concordo que existam dialetos no português falado no Brasil. Dialeto a meu entender sugere diferenças gramaticais e semânticas que impedem por completo ou em parte o entendimento da mensagem escrita e/ou falada, o que não acontece no nosso país.

O que temos por aqui é regionalismo, causado por diferenças temporais e lingüísticas na colonização do Brasil, e lugares distantes e ditos totalmente opostos no contexto brasileiro podem mesmo apresentar semelhanças que cada região tem como exclusiva sua. Algumas palavras usadas por gaúchos como por exmplo “voti”, “bicheira” e “carreira” e o uso do tu, são referências ao português arcaico, dos tempos do início da colonização, e também são faladas no nordeste. Esses regionalismos no entanto apenas somam verbetes ao português que falamos, e em algumas poucas exceções substituem palavras, como no caso da tangerina/laranja-cravo/bergamota. Como por exemplo o caso da peixeira. Se você for lá naquela família do interior do nodeste e alguém falar em peixeira, você ou alguém que estiver contigo, com certeza entenderá do que se trata. Se não entender, o sinônimo, facão, é entendido por ambas as partes.

A mídia e a escola (por pior que elas sejam) têm servido à homogeinização da língua falada no Brasil (e mesmo nos países lusófonos). Se uma família do interior do amazonas não frequentou a escola, nos dias de hoje ela impreterivelmente conviverá com alguém que o fez e terminará absorvendo o o conhecimento do português padrão, ao menos no que toca à compreensão. Se isso não se verifica, com raríssimas exceções, existe a televisão como agente homogeinizador.

O que quero dizer é que hoje no Brasil, praticamente toda a população consegue comunicar-se com praticamente qualquer brasileiro. Tenho plena certeza que se você fosse visitar aquela família do interior do nordeste, você poderia não conseguir entender tudo o que eles falam caso eles estivessem tendo uma conversa informal entre sí. Mas entenderia 80%. E ainda assim, se eles estivessem falando diretamente com você, você entenderia 100%.

Apenas em 1758 é que o português foi instituído como língua oficial do Brasil. Até então, a maioria da população falava o Nhe-ga-tu e mais uma imensa massa heterogênia de línguas indígenas. Desde então a língua no país vem sendo substituída pelo português, processo que ainda não acabou apesar de estar em seu ápice, o que ainda abre brechas para o imaginário de dialetos portugueses. Mas repito: o que temos hoje são apenas sotaques e regionalismos, ramos que florescem do tronco principal, mas que na situação em que nos encontramos agora, dificilmente, se não nunca, desprenderão-se do tronco principal da nossa língua. São aditivos, não substitutivos.

Sou de Natal, conheço o interior do nordeste, já estive em Goiás e Brasília, nos três estados do sul, e agora estou em São Paulo. Tenho amigos do norte e nunca tive dificuldades de me comunicar com quem quer que seja no Brasil.

16. por jonathan em
Mar122009, às 22:21pm

de fato é bem verdade que não existe a homogeneidade que esperam alguns profissionais tradicionais e isso de fato mostra um abismo de conceituação sobre nossa lingua. importante sua colocação obrigado. minha monografia é sobre este tema

17. por Weslley Jeicy em
Mar192009, às 20:39pm

Bom só vim agradecer pela ajudinha,
sou um adolecente, estudande do ensino medio, formação em pedagogia estou no 1º ano e vim dizer que o debate de vocês foi muito util para minha materia que minha professora esta iniciando espero haver mais idéias
e aprender com vocês, ser tao inteligente quanto vocês e fala o PP tao bem quanto vocês.

18. por Amanda em
Mar282009, às 21:13pm

Acho que o debate se perdeu em minúcias e esquecemos o núcleo da mensagem: Não existe grande uniformidade lingüística no Brasil. Eu sequer sabia que o mito discutido existia, justamente por viver em uma região com muitas variações linguísticas (sejam elas “dialetos” ou não!).

“Não duvido que que haja rincões com dialetos tão diversos quanto os de Guimarães Rosa, mas hoje tais dialetos estão se tornando tão significativos numericamente quanto o guarani…”
Nunca li tamanha tolice num português tão elegante! As pessoas no interior do Brasil ainda falam de forma bem diversa ao carioquês repetido nas novelinhas da Globo.

19. por Tay Silva em
Abr042009, às 11:37am

Eu sinceramente adorei o debate entre André e Christian.Apesar de concordar muito mais Cristian,meus parabéns aos dois por terem mostrado pontos claros e verdadeiros a respeito do assunto.Beijos!

20. por Adriana em
Jun282009, às 13:08pm

Estou fazendo pós em língua inglesa e tenho interesse em pesquisar sobre a influencia do regionalismo na fluência oral dos professores e qual a opinião dos alunos sobre o aprendizado com professores de regiões diferentes.
Ex. Um professor de Nordestino de inglês ensinando no sul, qual a opinião do aluno sobre a aprendizagem, desta forma captar se há preconceito lingüístico por parte dos alunos.(principalmente em escolas de ensino de idioma)
Já li Marcos Bagno, adorei por sinal.
Espero alguma colaboração, pois a partir daqui irei decidir minha monografia.

21. por Jessy em
Set212009, às 19:23pm

Olá, estou fazendo um trabalho sobre Erros Linguisticos e Preconceito Linguistico, gostaria de saber qual a posição de linguistas e gramaticos em relação a esses dois temas. Além disso queria saber mais palavras que são faladas de diferentes modos em cada região do Brasil e se esses “erros linguisticos” causam problemas na comunicação.
Obrigada.

22. por Érika em
Nov252009, às 9:08am

o que importa é a comunicação entre as pessoas, mesmo que a fala ou linguem usadas por elas sejam diferentes. Pois ninguem pode ser discriminado pelo seu jeito de falar, pois como todo preconceito, isso tabem é crime. Todos fomos criados por um só Deus, portanto devemos respeitar e aceitar as diferenças.todos tem o direito de livre expressão.

23. por Myrian Crusoé em
Dez212009, às 11:05am

Boa colocação, André. Nós, professores de língua materna, precisamos compreender que o processo de aprendizagem não se procede com imposição, mas numa observação participante, num exame, análise. Penso que não devemos substituir um língua por outra, mas ampliar nosso repertório e essa consciência deve ser despertada no aluno.

24. por Ricardo borges em
Fev202010, às 14:19pm

De 1758, até nossos dias sendo a”língua” a palavra chave é pouco tempo, pois é claro que ainda existiram muitas diferenças, mais nas quais devem ser respeitas.
Talvez se todos os brasileiros dominassem a norma culta em 100 que viriam, daí então mudaríamos de era lingüística, e seria um novo processo de adequação senda assim um processo contínuo sem fim, a língua sempre muda, pois as pessoas que a usam mudam.

25. por Mariano em
Abr222010, às 22:31pm

Preconceito ou pessimismo linguístico? Antes de Cristo, perante e Depois Dele. Sempre houve e sempre haverá esse fenômeno. Não é na Bíblia que Cristo distribui pães a(5.000?) homens sem contar as mulheres e crianças? Não foi ele quem escolheu 12 homens(apóstolos)? Isso não é preconceito? Não é no Livro Sagrado que se verifica o mito da Torre de Babel como um risco para a mistura desordenada do uso da língua? Observem, se para toda organização existe um orgão regulador, por que não deve haver uma instituição que garanta, que sirva de referência para a língua portuguesa? Por que não se fala em matemática, geografia, história etc? Com todo respeito acho que o Bagno é muito pessimista. Será que quem usa a palavra “blogar”, um neologismo que não faz parte da Norma, será discriminado? Claro que não.
Então o preconceito é contra o miserável falante ou não da Norma Culta.Assim, “deplorar a situação e constatar que nada pode ser feito redunda num fatalismo conservador, bem próprio de certas camadas médias da população” (Fiorin – Linguagem e Ideologia). E mais, essa idéia de analisar palavras ou orações(fundo e forma) é coisa arcaica. O que se deve é analisar o discurso. Ninguém quer analisar as palavras do Lula, mas o discurso mobiliza dezenas de especialistas. Desculpem-me usei tal personagem apenas para ilustrar o que eu gostaria que ficasse claro. A questão não é mais a estética das palavras mas a discursividade que elas representam por meio de enunciados.
Abraços!

26. por Rogério em
Jul122010, às 10:59am

Vocês deveriam acabar com o preconceito enraizado em seus discurso. Termos como “miseráveis nordestinos” demonstram uma tendência preconceituosa em seus pontos de vista. Miséria, desigualdade social, inacessibilidade à educação estão presentes em todas as regiões do nosso país. Não sei porque sempre que mencionamos certas mazelas sóciais só nos lembramos do nordeste. Conheçam o nordeste, depois falem dele.

Escreva um comentário

Caros(as) leitor(as)

Seus comentários são muito bem-vindos e para que o convívio entre nós seja aprazível – mesmo quando discordarmos – antes de escrever, leia o que segue:

Não serão publicados: comentários anônimos ou com apelidos grosseiros; comentários escritos todo em MAIÚSCULAS; comentários escritos de forma incompreensível, um exemplo, todo em "miguxês"; comentários com ofensas pessoais; comentários com propagandas e spam; comentários referentes a outro post que não este.

As opiniões expostas nos comentários são de responsabilidade de quem as escreveu. Obrigado.

André

Lendo.org - Literatura e Resenhas de Livros ©2006-2010

Todos os direitos reservados - Não copie sem prévia autorização