Preconceito Lingüístico, Falácia Clássica e alguns Aspectos da Escrita
Após uma discussão um tanto inflamada na lista de discussão Blogs Educativos, onde um dos participantes, aparentemente de Portugal, resolveu criticar os modos como a língua portuguesa é escrita e falada no Brasil (ou meios virtuais), soltando declarações como:
[...]Mas a forma como alguns escrevem muitas
vezes é um autêntico atentado à Língua Portuguesa, seja com erros
seja nas contrução das frases. Lá por se estar a escrever “na
internet”, acho que devemos respeitar sempre a nossa Língua. Vamos
ter cuidado nisso, não acham? Caso contrário, como podemos exigir que
os nossos alunos falem e escrevam correctamente?[...]
[...]eu acho que o brasileiro fala bastante mal o português (talvez precisássemos de um novo acordo ortográfico) e agora já estou a perceber a razão.[...]
Fiquei espantado ao ver que há pessoas que pensam que uma língua tão rica quanto o português, possa ser estática a ponto de exigir tamanha padronização, em todas as situações.
A língua portuguesa é falada por mais de 210 milhões de pessoas, é a quinta língua mais falada no mundo todo, a terceira do mundo ocidental. A partir disso, como pode-se esperar uma padronização? Há um conflito de culturas, não apenas entre países diferentes, mas também entre diversas regiões de um mesmo país.
No Brasil há dialetos incrivelmente distintos em cada estado, até em cada cidade podemos perceber grandes diferenças na fala da população e alguém tem coragem em afirmar que a língua é “falada mal”?
Isso me fez lembrar do conceito da “Falácia Clássica”, onde dizia-se que o grego antigo, da época de Homero, em sua forma escrita, era melhor do que o grego em sua forma falada, séculos depois.
Além das variações faladas, há também as variações de escrita: ora, em um meio digital como uma lista de discussão, por exemplo, não há a menor necessidade de usar escrita cuidada. Isso simplesmente afastaria as pessoas, simplesmente não haveria uma comunidade que compartilha idéias, mas sim um bando de gente esnobe dando sua opinião “baseado das idéias de Chomsky, Saussure e, que seja, Paulo Freire”.
Crime e Castigo, de Dostoiévski
Hamlet, de William Shakespeare
Madame Bovary, de Gustave Flaubert
A Divina Comédia, de Dante Alighieri
A Ilíada e a Odisséia, de Homero
As flores do mal, de Charles Baudelaire
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