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Preconceito Lingüístico: Brasileiro não sabe português. Só em Portugal se fala bem português

As línguas são diferentes. Elas sofrem variações diacrônicas (conforme a época), diatópicas (conforme o lugar), diastráticas (conforme a classe social ou especialização dos falantes) e ainda conforme a situação (formal ou informal).

Apesar de tudo isso, se a língua estabelecer um canal de comunicação entre os falantes, ela já desempenhou o seu papel. E eu até poderia terminar esse texto por aqui.

Mas eu preciso dizer que, a mania quase doentia que o brasileiro tem de se diminuir perante o resto do mundo, dá origem a mais esse mito sobre a língua. Só em Portugal se fala português corretamente.

Meus amigos, nós somos sim uma antiga colônia de Portugal, mas um abismo lingüístico de 500 anos de evolução e quase um século de independência separa nossas línguas.

Diante disso, eu pergunto: por que as pessoas ainda insistem em dizer que os portugueses são os verdadeiros “donos” da língua? Por que uma língua independente, com sua própria gramática e regras, como o português brasileiro, continua a ser vista como inferior à outra?

Me digam se isso acontece com o inglês americano? Afinal, eles também foram colônia da Inglaterra. Por que o inglês da Inglaterra não é muito mais bonito que o inglês americano?

O português de Portugal é diferente do português do Brasil, assim como o português do Cabo Verde é diferente do português de Moçambique, e não é nenhum acordo lingüístico que vai mudar isso. Estamos falando de culturas diferentes, de povos diferentes e de situações sociais diferentes.

A gramática (ou os gramáticos) só precisam entender que frases como “Você viu ela chegar” ou “Eu conheço ele”, são construções totalmente comuns ao português brasileiro. A um falante — ou mais ainda, a um aluno — não devem ser impostas regras que simplesmente não fazem parte da realidade de NENHUM usuário da língua, portanto, totalmente artificiais, numa tentativa inútil de fazer nações que estão a 10.000 quilômetros de distância, falarem exatamente do mesmo jeito.

Referências

BAGNO, Marcos. Preconceito Lingüístico: o que é, como se faz. São Paulo - SP, Edições Loyola, 2002, 18 ed.

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6 Comentários

1. por Anna em
Nov022007, às 17:07pm

Concordo plenamente. É isto mesmo. Preconceito linguistico? Qual é?

2. por cadeiradopoder em
Nov022007, às 21:01pm

Não vejo qual possa ser o preconceito, desde que as pessoas falem conforme o ditado pela gramática do respectivo país. Se “você viu ela chegar” é o que se diz em português do Brasil e “viu-a chegar” é o que se diz em português, e ambas estão certas, qual é o problema?

3. por André em
Nov032007, às 7:35am

Cadeiradopoder, o problema é que “Você viu ela chegar” está errado, segundo as gramáticas. Tanto a do Brasil quanto a de Portugal

4. por Da Brazilian Gangsta em
Fev162008, às 21:59pm

E segundo as regras brasileiras o correto é “você a viu chegar”, sem hífen.

5. por Olimar N. dos Santos em
Out062008, às 9:11am

Concordo mas defendo que é importante termos um padrão
Não como uma imposição elitista mas como uma possibilidade de escolha ou/e de adequação.
Vejo como uma necessidade comunicativa pois se não o tivermos as variações se acentuaram tanto que seria dificil a comunicação, ou não? não seria uma necessidade nacional e/ou social?

valeu !

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  1. Wordpress 02/17/2008 « Eu diigo

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