Por que ir à faculdade?
Esta é uma pergunta que milhares e milhares de jovens se fazem a todo momento. E o que se percebe é que , talvez por serem jovens, sejam negligenciados em um momento crucial de suas vidas. Esse momento traz sofrimentos genuÃnos porque trata-se de uma primeira grande crise de identidade. “O que vou ser agora que cresci?”.
Talvez pais e educadores fiquem um tanto ausentes a essas dificuldades. Muitas vezes ao invés de ajudar, só complicam mais, forçando-os deliberadamente a escolherem um bela carreira. Onde está o equÃvoco? Nossa, são vários, mas o de fato mais sério, em minha opinião, é o óbvio: não importa a profissão, o mais importante neste momento é elucidar na cabecinha pensante deles que o principal é estar dentro de uma universidade, seja qual for o curso. Lá, eles irão começar a ter contato com o mundo exterior, com informações funtamentais, com o seu “eu”, independente se estarão assistindo a uma aula de semântica, Filosofia Contemporânea, ou Informática. Neste caso, todos os caminhos levam ao conhecimento.
Deixe-os a vontade, com o passar do tempo, por si só perceberão o lampejo da certeza. Sentirão em seu Ãntimo o prazer por determinado assunto e lá irão eles, em busca de seu futuro e do conhecimento. Mas sem pressa ou pressão. Quem nunca ouviu falar do menino que queria ser aviador mas virou professor de matemática, ou a menina que queria estudar letras e se saiu muito bem como bióloga e trabalha até para o governo? Deixe-os em liberdade e terão bons resultados.
Pais e educadores deveriam sentar com esses seres do futuro, com muito respeito e explicar-lhe que o mais importante é ter uma formação de Terceiro Grau. Filosofar mesmo: “Ora, a vida é quase sempre exemplar, meu filho, a respeito do número três — São Primeiro, Segundo e Terceiro graus. São três os reis magos; as três estrelas marias; pai, filho e espÃrito santo; os três porquinhos, etc. Entre na faculdade, depois você estuda, querido! Mais ou menos isso.
Talvez se esse mito de carreira fosse desfeito, os jovens perderiam o medo de se perderem. É muito cruel esperar dos rapazes e moças que decidam, e rápido, que diabo eles são na vida. Pelo amor de Deus, nem o mais velho dos anciãos poderia afirmar que já sabe quem é ou o que faz ou o que fez de sua vida. Mas se este ancião estudou e se interessou por sabedoria e conhecimento, ainda que continue em suas eternas crises humanistas, ao menos tem a companhia do saber, esta que se leva para todo o sempre.
Portanto, queridos vestibulandos e futuros, não dêem ouvidos aos seus pais tanto assim e nem aos seus professores robotizados pelo sistema: Entrem sim para a faculdade, pela porta da frente, sem medo, pernas firmes. Só depois, escolham, com muita calma o que vão ser quando crescerem. Vocês tem um grande aliado: O tempo!


O Processo, de Franz Kafka
Guerra e Paz, de Leo Tolstoy

Ulisses, de James Joyce
Hamlet, de William Shakespeare
Madame Bovary, de Gustave Flaubert
A Divina Comédia, de Dante Alighieri
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