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On The Road - Jack Kerouac

Geração Beat - Como esquecer…

Para mim, falar de livros, além de ser sempre um prazer, me remete à cultura, ao tempo e espaço onde o escritor se inspirou para escrever seu livro. Eles são eternos, porém datados política e socialmente. Quando um escritor tem sua inspiração para desenvolver sua obra, ele está cercado pelo espaço e pelo tempo e, assim, não tem como não catalogar em seu livro, questões sociais, comportamentais e filosóficas. Respeito, mais que tudo nesta vida, aquele que emprega seu tempo e seu coração no ato de escrever. São deuses os escribas e devem ser sim reverenciados como disse-o bem nosso querido amigo Christian Gurtner.

Hoje vou falar de Jack Kerouac, para mim um dos maiores e mais sensíveis escritores de seu tempo. Vou falar de revolução cultural. Revolução! Uma revolução cultural que ficou conhecida como a Geração Beat.

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Em 1957, Jack Kerouac publicava On The Road e iniciava uma revolução cultural nos Estados Unidos. Este livro tornou-se o manifesto da geração beat, que rompia com o compromisso do american Way of life e pregava a busca de experiências autênticas, um compromisso selvagem e espontâneo com a vida até seus mais perigosos limites. Diante de uma sociedade que aniquilava o indivíduo, os beatniks queriam uma consciência nova, libertada de padrões, escolhiam a marginalidade. (Trecho O Autor e sua Obra)

Não queriam continuar numa sociedade morna, desprovida de vida, de ação e liberdade de pensar e viver.

Apesar das experiências com o êxtase através das drogas, na minha opinião é apenas um detalhe dada a importância desta revolução, a geração beat marcou nova era no mundo cultural. O homem tem direitos de indivíduo e o mais sagrado é, possivelmente o de mudar o Status Quo. Perceber que pode repensar as coisas e, diga-se de passagem, estamos falando de uma revolução artística - Literatura essencialmente…

Os Beatniks

Por intermédio de Burroughs, Kerouac tomou contato com escritores como Kafka, Céline, Spengler e Wilhelm Reich. Os três amigos passaram a conviver com as barras pesadas do Times Square.

Descendente de uma família de franco-canadenses, Jack Kerouac recebeu uma educação católica e graças às suas aptidões de atleta foi estudar na Universidade de Colúmbia. Lá no Campus, conheceu Allen Ginsberg, também estudante e William Burroughs, formado em Harvard. Os três iriam se tornar os principais representantes da geração beat.

Em 1947 Kerouac resolveu sair viajando pelo mundo e pegou a estrada. Associou-se com vagabundos, caroneiros, e bebeu muito por aí. Terminou o On The Road em 1951. Seu estilo é notável e inconfundível, com suas longas frases, onde descartava o uso da pontuação.

Mas sempre foi um individualista. Terminou dividindo um apartamento com sua mãe, onde pintava quadros com Cristos tristes, ficava horas a fio diante da televisão. Ou seja, era, no fundo um espírito conservador e não entendia como influenciara pessoas como Allen Ginsberg (poeta)!

Considerado um rebelde existencial, quedou-se ao budismo mas foi sempre um inadaptado ao mundo em que vivemos.

Escreveu vários romances, como “O Subterrâneo”, Desolate Angels”, “The town and the city”, entre outros.

Se alguém estiver se perguntando o que a geração beatnik tem a ver com os dias de hoje, eu poderia responder, de pronto, que tudo que somos e fomos depois desta revolução, tem a ver com a abertura literária no campo das experiências, da pós modernidade, da noção de liberdade de pensamento e principalmente, tem a ver com a felicidade de fazermos parte de uma cadeia de pensadores e escritores que nos deixaram um legado inestimável.

Trechos de On The Road

Casualmente, uma gostosíssima garota do Colorado bateu aquele shake pra mim; ela era toda sorrisos também; eu me senti gratificado, aquilo me refez dos excessos da noite passada. Disse a mim mesmo: Uau! Denver deve ser ótima. Retornei à estrada calorenta e zarpei num carro novo em folha, dirigido por um jovem executivo de Denver, um cara de uns trinta e cinco anos. Ele ia a cento e vinte por hora. Eu formigava inteiro; contava os minutos e subtraía os quilômetros. Bem em frente, por trás dos trigais esvoaçantes, que reluziam sob as neves distantes do Estes, eu finalmente veria Denver. Imaginei-me num bar qualquer da cidade, naquela noite, com a turma inteira; aos olhos deles, eu pareceria misterioso e maltrapilho, como um profeta que cruzasse a terra inteira para trazer a palavra enigmática, e a única palavra que eu teria a dizer era: “Uau!”…

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10 Comentários

1. por Marcela D´annunciação em
Jul122007, às 19:41pm

Adorei Daisy! Quando vi um filme sobre a ”geração beat” achei muito legal! A influência total dos hippes…
Gosto de uma peça teatral que tem este ”tema” como desenrolar da história… ( Sua né??? rsrs)
Parabéns!!!!!!!!!
bjos!

2. por Marcela D´annunciação em
Jul122007, às 19:44pm

OPS!!!! fiz o comentário pelo nick da minha mãe!!!! FOI MAL!!!
Aliás vou fazer mais comentários aqui no lendo!!!!!!
bjoss André!

3. por André Gazola em
Jul132007, às 8:23am

Já arrumei o engano Marcela :)

Sobre o post.

É a literatura no seu sentido mais amplo. A crítica social (ou revolução social) é, na minha opinião, o principal papel dos livros. Aquele que consegue fazer isso e ainda manter a arte intacta, com certeza terá produzido uma obra de arte!

Beijos Dai e Marcela!

4. por _Maga em
Jul142007, às 16:16pm

“Para que qualquer produto intelectual de peso possa surtir de imediato um efeito amplo e profundo é preciso que haja uma afinidade secreta, uma coincidência entre o destino pessoal e o destino anônimo de sua geração.”p. 14, Thomas Mann

Beijos

5. por Daisy Carvalho em
Jul142007, às 16:44pm

É sim Maga, provavelmente Thomas Mann falava em um sentido mais específico quando coloca “produto cultural”. No caso da geração beat, a mudança foi radical (Ocidente), desembocando na contra-cultura, no power flower dos hippies que destruiram o conceito imperialista dos EUA, naquela maldita guerra do Vietnã. Sem falar nas revoluções de 68, aliás, 1968 é consagrado mundialmente (Ocidente) como o começo da queda de coisas canonizadas (artes e afins) e, felizmente conceitos como os de Tomas Mann, e até mesmo de qualquer escritura, sagrada ou não, passaram a ser questionados. Mas acontecimentos históricos como o movimento beat, se é história, não podem ser questionados, porque história é fato.
Sua opinião, como sempre, é válida e nos ajuda a pensar…valeu!
Mil beijos, Maga.

6. por Daisy Carvalho em
Jul142007, às 22:11pm

É, eu precisei voltar Maga para declarar no ar que com relação à postura de Tomas Mamm frente ao nazismo, estou absolutamente certa de que é histórico. E louvável. :*

Obrigada…
Beijos!

7. por _Maga em
Jul152007, às 14:55pm

Oi Daisy, acho que agora eu entendi o porque do mal entendido… rs

A minha intenção ao citar Thomar Mann não foi de afrontar os beatnik na verdade eu nem pensei que ele faria parte da cultura da qual os beats eram contra… enfim…

O que me fez colocar a frase aqui foi isso: “Hoje vou falar de Jack Kerouac, para mim um dos maiores e mais sensíveis escritores de seu tempo. Vou falar de revolução cultural. Revolução! Uma revolução cultural que ficou conhecida como a Geração Beat.” Relendo a frase do Mann dá para ver que ele fala um pouco disso: para que um movimento cultural tenha impacto imediato no seu meio os revolucionários tem que estar atentos ao seu tempo e agir dentro dele. Quantos autores só foram reconhecidos e compreendidos muitos anos depois do lançamento de sua obra (inúmeras vezes muito tempo depois da sua morte). Pelo o que você descreveu os Beats conseguiram esse efeito de tocar e influenciar a sua geração modificando a forma de pensar de viver de milhares de pessoas e os movimentos posteriores ao seu.

Beijos

8. por Daisy Carvalho em
Jul152007, às 19:03pm

Tá certa, Maga, tá certa sim. É claro que houve uma necessidade contemporânea e eles tinham que ter a anuência de sua geração.
O que houve entre nós foi só mesmo um mal entendido, e muito chique, com Tomas Mamm no meio rs :*

Te adoro!
bj!!!

9. por moisés rodrigo krummenauer em
Mai122008, às 14:13pm

li o livro on the road de jack kerouac e achei simplesmente fantástico, muito bom de lr mesmo, leitura de fácil compreensão, uma narrativo sem palvaras, extramamente recomendado. valeu!!!

Links para este artigo:

  1. Top 10 - Escritores americanos mais bêbados da história

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