Passando um mês de férias
Descansando o pensamento
Tomando uns para tudo
Olhando o firmamento
Vou contar como arranjei
Que muito ruim eu passei
Com um bom entupimento!
Quando a gente ainda é moço
E com uma pouca idade
De nada sentimos medo
Não temos medo de nada
Mais quando estamos idosos
Ficamos bem melindrosos
Tem receio de tomar água
Mesmo assim pra demonstrar
Que ainda é vigoroso
Fazemos coisas na vida
Mais é mesmo de teimoso
Só para mostrar pro outros
Qualquer coisa engraçada
Só´por arte do tinhoso!
É onde nos trumbicamos
Pois velho não ta com nada
Só serve para lembrar
E falar bem do passado
-Já fui bom nisto e naquilo.
E nunca fica tranqüilo
Com o seu próprio estado.
Tentei ate ficar preso
Mas o azar é de mais
Chegando lá na cadeia
Minha mulher foi atrais
Tirou-me do xilindró
Causou-me raiva e dó
Que qui é isto rapaz!
Perdendo tudo que tinha
A situação ficou louca
Lá em casa pra comer
Agora só tenho a boca
To andando quase pelado
Por que to aperreado
É muito pouco a minha roupa
Voltando ao entupimento
Lembrando ainda arquejo
Por gula ou olho grande
Comi uma broa de queijo
Parece que já vencida
Vinha junto da marmita
Com isto ainda padeço.
Isto foi pela manhã
E já no romper da tarde
Veio aquela vontadinha
Com uma dor lá embaixo
Eu disse: É agora
Que vou botar pra fora
De ontem aquela cachaça!
Fiquei sentado no vaso
Fiz força e nada saiu
Tava lendo uma revista
Meu cérebro não se inludio
Levantei despreocupado
Nada estava alterado
Nem tão pouco ninguém viu!
O caso foi no domingo.
Segunda feira era feriado.
Fiquei em casa tranqüilo
Sonso sem pensar em nada
A tarde veio a vontade
Mais era só ansiedade
Outra vez não veio foi nada!
Na terça feira cedinho
Eu levantei assustado
Fui correndo pro banheiro
Um pouco preocupado
-Tomara que esteja vago
Eu estou desesperado
Acho que vou ficar melado!
Mais foi pura ilusão
O esforço foi dobrado
Duas horas no banheiro
Eu fiquei ali trancado
Fazendo muita da força
Chega doía a ouça
E não vinha era nada!
Resolvi ir ao doutor
Não o meu, o do alheio
De tanto eu botar força
Estava ficando vermelho
Tudo entrava, nada saia
Eu naquela agonia
Estava no aperreio!
Chegando lá no doutor
Ele muito arrogante
Foi tratar de uma pessoa
Muita da inguinorante
Não receitou ao cliente
Mesmo sendo incoerente
Nem um pequeno purgante!
No quarto dia que a coisa
Tava ficando esquisita
O doente preocupado
Já escurecendo a vista
Dizia para os demais
Estou morrendo rapaz
Acho que é nó na tripa!
Tomou uma decisão
Para aquilo melhorar
Encostou em um boteco
Mandou o dono botar
Um copo de para tudo
Que para aquele tubo
Rápido se esvaziar!
Tomou um, tomou, dois
Ate cinco completar
Já estava doendo muito
Quase a não suportar
Depois do sexto se foi
Para casa almoçar
Por que mesmo entupido
Não perdeu o apetite
Jantava e almoçava
Torresmo, ovo e lingüiça
Também não esmoreceu
O seu corpo não sentiu
Nem um pouco de preguiça
O certo, no fim da tarde
Começou ele a suar
Aproveitando o embalo
Voltou rapidamente ao bar
Pra tomar mais para tudo
E mostrar pra todo mundo
Que estava a melhorar.
Depois que tomou mais duas
Sabe o que aconteceu?
Parece que um redemoinho
Na sua barriga mexeu
E deu aquela vontade
Ele correu para casa
Chega as pernas, tremeu!
De novo sentou no vaso
Começou força a fazer
Completara cinco dias
Agora queria ver
Se saia ou não saia
Aquilo que não sabia
Vamos o resto ler!
Fazia tanta da força
Que o olho arregalava
O treco tava entalado
E nem a força o soltava
Mais aquilo era preciso
Nem que caísse o siso
Ele não se levantava!
E a veia do pescoço
Ficava desta grossura!
Valhei-me Nossa Sinhora
Isto aqui não é grossura
O resto deste biscoito
Que eu comi com afoito
Tá intalado de duro!
E depois de muita força
Olho e tudo doendo
Um pedacinho saiu
Preto de tanto veneno
Ali sentado no vaso
Preocupado com o caso
O velho estava gemendo!
Depois de muito suar
Depois de muita tontura
E a veia do pescoço
Ficando desta grossura
A polpa estava doida
Juntamente com as tripas
Verdadeira amargura
Ele no seu pensamento
Ficava analisando
Pensava: Depois de velho
A gente vai se acabando
E o organismo fraco
Do cérebro ate o fato
Fica tudo desmanchando
Medo de peso não tem
Quando jovem a gente é
Namora o que encontra
Tudo que é de mulher
Vai para todo lugar
Sem de nada se assombrar
Bem na hora que quiser!
Então fui aconselhado
A tomar um bom purgante
Mas não gosto de tomar
Nem mesmo refrigerante
Apelei pro chá caseiro
Que cultivo no terreiro
E fortifica bastante.
Colhi um pouco de alho
E um maço de arnicas
Uns caroços de mamona
Coloquei dentro da Xícara
Deixei ela abafada
Para depois ser tomada
Para como é que fica!
Mais como no mês de julho
Tem fogueira ao meio o frio
Com canjica e quentão
Batata doce e lingüiça
Come de ficar doente
Doendo ate o dente
E abaixo do umbigo!
E os gazes são formados
Causando às vezes, prisão
De ventre , a conhecida
Nas fogueiras de São João
Sendo a batata doce
Que causa entre os moços
Aquela forte explosão!
A rapaziada aproveita
Que estão fogos , soltando
Entre aquela barulheira
Eles ficam aproveitando
E também o seu traquinho
Mesmo sendo baixinho
Na festa vão estourando.
Voltando aqui, na velhice
Chamada terceira idade
Ser velho tem seus defeitos
Mais as vezes tem bondades
A força da experiência
Desafia a ciência
Por sua simplicidade!
Por que o velho alcançou
A idade almejada
Vencendo todas as barreiras
Por muitos não alcançados
Dos que morreram jovens
Ate por motivos mórbidos
Não foram agraciados!
Ser velho e ter vencido
Todas barreiras existentes
São respeitados porque
Ganharam experiência
Gastaram sua juventude
Com diversas atitudes
Para um dia ser gente
Mesmo assim ainda existe
Muitos velhos padecendo
Sendo mal tratados por todos
Os jovens ficam dizendo:
-porque velho não morre
Tanto faz ser rico ou pobre
Nada fica eles fazendo!
Todo velho atrapalha
São chato e resmungão
Falam tudo sem pensar
Muitas vezes sem razão
Eu não quero ficar velho
Para não sair do serio
Formo minha opinião.
Ouvi velho reclamando
Da sua situação
Agora que estou velho
Chega a dormir no chão
Por que o filho moço
Sem afinar o pescoço
Tomou ate seu colchão
E fica perambulado
Quase que todos os dias
Já não pode mais fazer
O que antes fazia
E sempre fica falando
Do passado reclamando
Tristezas das alegrias!
Diz: Todos os meus filhos
Foram muitos bem criados
Dei-lhe boa educação
Nunca ficaram apertados
Lutei pra sobreviver
E lhe dar o que comer
Hoje em dia estou sem nada
Ate a minha ganância
A vontade de crescer
Já não tenho ambição
Vico agora a padecer
Esperando só a hora
Daqui eu ir embora
Ou seja, mesmo morrer!
Tenho muito o que fazer
Minhas forças estão fracas
Já não monto em cavalo
Não corro atraz de vacas
Agora no m eu terreiro
Armaram outro poleiro
E canta outro galo!
A minha vista esta curta
Vejo tudo embaçado
A minha voz esta rouca
Quase não escuto nada
Minhas pernas estão tremendo
Todo meu corpo doendo
Só ando preocupado
Quase não lembro de nada
Minha memória esta curta
Quando eu falo as pessoas
Parecem que não escutam
Nem tão pouco me respondem
Ou elas estão me gozando
Ou se fazendo de surdas!
O intestino enfraquece
Para começar de baixo
Os incrementos entalam
Por falta de força, acho!
Em toda parte do corpo
Aparece manchas roxas
E começa,o inchaço.
Agora do velho
E sua alimentação
A começar pela boca
Sem boa mastigação
Não pode lê obter
E muito menos fazer
Uma boa digestão!
Diminui a saliva
Lubrificante primário
Que lubrifica a comida
Para não haver entalo
E ajudar digerir
Depois que ele engolir
Na passagem do gargalo!
Os dentes já estão curtos
Se não foram arrancados
Mesmo ainda tendo alguns
Mais se estiverem quebrados
Não se mastiga direito
E este grande defeito
Pra se é prejudicado!
Inflamação da garganta
Esteja ou não gripado
É mal sinal para o velho
Por ficar muito parado
Vai atrofiando tudo
Tem sorte neste mundo
Se não ficar aleijado!
Dor no estomago é comum
Toda vez que ele comer
Mesmo estando de dieta
Tem que as coisas escolher
Sem alho, gordura ou sal
Além de bem cozinhado
Para não adoecer
O fígado então nem se fala
Este perdeu a função
A bili esta muito fraca
Não tem comparação
Quando ainda era moço
Que comia ate osso
Misturado com feijão!
Começa a aparecer gota
No mocotó e joelho
Em toda junta do corpo
O treco fica é feio
Entorta logo a coluna
Pois todo velho é corcunda
Ela entorta no meio!
Tem apineia e insônia
Passa a ficar acordado
Por não dormir, não comer
Fica ainda mais fraco
E se agrava muito mais
Se ele é viciado
No malvado do tabaco!
Por que o tabagismo
Tem grande influencia
Perdendo noite de sono
A pessoa muito pensa
E a má alimentação
Vai levando o cidadão
Pro soalho da despenca!
Usando óculos e bengala
Bandagem, cinto, correia
Remédios de varias marcas
Que ao mal não alivia
Parecendo astronauta
Toma ele varias cápsulas
De substancia por dia
Todos os ossos do corpo
Ficam muito doloridos
Qualquer coisa faz com que
Ele mude de sentido
E tem que ter paciência
Não contrarie o que ele penca
Pra não perder o juízo!
A criança esta indo
O velho esta voltando
O menino desenvolve
O velho esta se acabando
Quando o menino se cala
O velho como arara
Fica só se lastimando
Um pouco se complica
Quando perde a voz altiva
Os filhos, mal educados
Do velho tira o sentido
Querem por ordem, onde não pode
Mesmo tendo uma lei nobre
O respeito não existe!
Já vi, ouvi, em família
Onde um irmão reclamar
Hoje esta bem melhor
Para os da terceira idade
Os programas sociais
Lutam com toda vontade
Para dar, para o idoso
Um momento mais moroso
Com certa diguinidade!
Embaixo vou terminar
Esta curta narração
Mando um abraço pros velhos
Com muita consideração
Ao narrar este folheto
Anoto antes que me esqueço
Eu já danço esta canção!
Aquele forte abraço
E um aperto de mão
A todos muito abrigados
Por fazer a rimação
Escrevinho-me lá embaixo
De tudo muito obrigado
Manoel Barbosa o Paixão
fim
12. por André em
Out072008, às 13:08pm