O Conceito de “Pós-Moderno” ainda é atual?
O texto a seguir foi enviado pelo leitor José Aloise Bahia, de Belo Horizonte – MG.
José estudou economia (UFMG). É graduado em Comunicação Social e pós-graduado em Jornalismo Contemporâneo (UNI-BH). É Jornalista, pesquisador, colecionador de artes plásticas e escritor.
Autor de Pavios Curtos (Anomelivros, 2004). Participa da antologia O Achamento de Portugal (Fundação Camões/Anomelivros, 2005) e também do livro Pequenos Milagres e Outras Histórias (Grupo Galpão, Editoras Autêntica e PUC-MINAS, 2007).
Conheça mais sobre o autor nessa entrevista concedida ao site K Plus.
* Caso você queira ver seu texto publicado no lendo.org, envie através do e-mail mr.thechessman@gmail.com ou pela página de contato
Uma pergunta infernal e cheia de espinhos, que gera dúvidas, debates e questionamentos em muitos pensadores. Um mal-estar, como diria o sociólogo Zygmunt Bauman.
Mas vamos lançar mais luzes sobre a questão. Nesse calor medonho — o clima da Terra está mudando, o aquecimento global é um novo paradigma/acontecimento importante –, nas dobras e desdobramentos da atualidade, vejo o termo “Contemporaneidades” como o mais consistente. Contemporaneidades, no plural. Pois as marcas — talvez um certo esgotamento e não o fim em meio à desordem — da Modernidade ainda estão presentes de maneiras múltiplas e híbridas. Sem falar que convivemos com outras visões de mundo e “quase tudo” é noticiado em escala internacional. Ou seja, “quase tudo” hoje em dia está contaminado/intermediado por uma amálgama sem igual de culturas, meios de transmissões etc.
Numa escala macro, o Oriente e o Ocidente se misturam sem cessar, e os Pólos estão descongelando. Eis um contexto resumido: a informação está mais rápida a cada dia, hora e minuto — quase todos têm acesso a algum tipo de informação e o analfabetismo está diminuindo mundo afora. A fome e a guerra, não.
O Capitalismo globalizado cria os seus blocos econômicos de nações no campo comercial/financeiro, observamos uma contínua sinestesia das artes (semelhante ao que aconteceu no final do Impressionismo e que influenciou o Modernismo. Logo em seguida, Duchamp colocou as artes plásticas numa espécie de “sinuca de bico”, que perdura até hoje.), explosão da virtualidade e hipervisibilidade, um(a) constante mix/mistura dos gêneros, escolas literárias e suportes no reino da comunicação, preocupações com as questões da ecologia e do aquecimento da Terra, avanços tecnológicos na exploração do universo, fomentações de inter/multi/disciplinaridades nas ciências em geral, expansão do consumo e da reprodutibilidade, crise da razão proposital (tem filósofo que discorda), fragmentação dos discursos etc.
Traduzindo: na minha opinião, ainda vivemos uma extensão da modernidade e seus valores culturais. Tudo isso para dizer que não uso e compactuo com o termo ou alcunha “Pós-Moderno” como oposição à Modernidade. Pois mesmo com o silêncio das vanguardas, ainda não vi uma grande “ruptura” que caracterize e dá nomes aos bois: a humanidade e parte dos seus cientistas e pensadores ainda não deram um atestado científico e o status pertinente sobre o conceito em voga (existem pensadores que utilizam o termo “Pós-Moderno” mais para criticá-lo do que a apropriação e a confirmação deste. Que é o caso do brilhante pensador Jean Baudrillard, falecido recentemente.).Conseqüentemente, também ainda não vi algo que distingue e concretize uma certa superação da “Razão da Modernidade” (e olha que isso vem lá do passado, a partir da Revolução Francesa e da Revolução Industrial, que batizam a Idade Contemporânea), pois volto a reiterar: a modernidade ainda está em expansão, desdobra-se numa condição de contemporaneidades.
Pra finalizar, vejo o termo “Pós-Moderno” como uma certa conveniência. Este “Pós”, portanto, pouco significa. No lugar de “Pós-Moderno” usaria outro termo: “Contemporaneidades”. Ou, talvez os dois termos se equivaleriam… Essa discussão é muito ampla: digna de um longo ensaio ou um livro. Todavia, ainda temos muitas dúvidas se, de fato, a “Modernidade” foi superada, mesmo observando que a “Razão Moderna” e a “Razão Contemporânea” não conseguem suprir todas as necessidades de explicações e esclarecimentos que as Contemporaneidades demandam.
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