O Amor Platônico - Fedro de Platão
A Versão de Platão para o Amor
ImpossÃvel não falar mais um pouco deste que é o maior dos discursos na literatura e que fala do amor: Fedro.
Depois que Fedro reproduziu para o velho Sócrates o parecer de LÃseas sobre o amor, este, com sua extra-terrena sabedoria, emocionou-se com tal discurso. Mas, momentos depois, refletiu e disse para o amigo Fedro que algo não estava de acordo com o tal discurso. Fez ele, o próprio Sócrates um discurso pelo qual se arrependeu e em seguida, num sopro de inspiração divina, disse tudo que sabia sobre o Amor… Então, falando de almas e sentimentos superiores, Sócrates decidiu avaliar melhor a questão.
Este livro Fedro eu até suplico que seja lido, pois jamais acharão em qualquer outra escritura tamanha sensibilidade e sabedoria para se falar de um tema que provavelmente não conhecemos bem: o amor! Na faculdade onde estudo e em meu bairro, vivo dizendo para as pessoas que as amo. E amo mesmo, não posso evitar esta sensação maravilhosa… ainda bem!
Fedro Compare preços e economize dinheiro
Não resisti e resolvi postar mais um trecho deste que é o maior dos heróis da filosofia, Platão, que humilde e sabiamente escreveu em fabulosa literatura todo o pensamento socrático. Fedro é o resumo da filosofia de Platão, que resumiu a alma pensante de Sócrates.
Trecho do livro Fedro
Só então a alma do amante segue, com receio e pudor aquele que ama.
Entretanto, o jovem que se vê mimado e honrado como um deus pelo seu amante, tem desperta em si a necessidade de amar. Se antes, os seus amigos ou outras pessoas lhe denegriram esse sentimento, afirmando ser vergonhoso um tal consórcio amoroso, e se esses conselhos o afastaram do seu amante, o tempo que passa, a idade, a necessidade de amar e de ser amado, levam-no, de novo, aos braços do amante. Não é desÃgnio do fado que o malvado ame o malvado e que um homem virtuoso não possa ser amado pelo homem virtuoso. Quando o amado recebe o amante, que desfrutou da sua doçura e do seu convÃvio, compreende que o afeto de seus amigos e parentes em nada é comparável ao de um amante inspirado pelo delÃrio. Assim vivem, se vêem e se tocam, ora nos estádios, ora em outros lugares. Assim nasce essa emanação que Júpter, quando amara GanÃpedes, chamou de desejo. Esse desejo se insinua ao amante, e quando este se encontra cheio dele, transborda. Do mesmo modo que um zéfilo ou que um som refletido por um corpo sólido e polido, também as emanações da beleza, entrando pelos olhos através dos quais - como lhe é natural - atingem a alma, volta esta ao belo, estende as asas e, molhando-as, as torna capazes de gerar novas asas, inundando também de amor a alma do amado. Ele ama, mas sem saber o quê. Nem sabe , nem pode dizer o que aconteceu consigo; assim como um contaminado de oftalmia desconhece a origem de seu mal, assim também o amado, no espelho do amante, viu-se a si mesmo sem dar por isso. Na presença do amado a dor do amante se esvai, e o mesmo sucede com este na presença daquele. Quando o outro está longe, o amante sente tristeza, e da mesma forma esta sacode o amado, porque ele abriga o reflexo do amor - acreditando, contudo, que se trata de amizade, e não de amor…
Nota - Este Amor Platônico foi desgastado em tantas trovas e poesias, em falas e conversas de bar e por escritores ávidos pela poesia de Platão; porém reinará puro e absoluto entre nós. Suponho que Platão estivesse querendo nos persuadir a enxergar o amor de uma outra perspectiva, onde nada pode ser mais importante que o simples ato de amar, mesmo que seja um amor carregado de desejo, ainda assim só se sente que é amor, porque sente-se sua força, e é justamente na sua ausência, que ele se realiza…

Escreva um comentário
Sua opinião é válida até o ponto que respeita a opinião alheia. A partir daÃ, você corre o risco de ser impiedosamente criticado, rebaixado e apedrejado :)