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Mera Anarquia – Woody Allen x Nietzsche

Escritor, cineasta e… filósofo involuntário.

Longos vinte e sete anos se passaram, longuíssimos para os leitores de Woody Allen e para crítica, naturalmente. Sim, Woody Allen é excelente escritor de livros. Sempre foi.

No livro Mera Anarquia, Allen Conigsberg, do Bronx, reúne coletânea de contos e com seu estilo irônico de ver a vida, em plena maturidade, resolve satirizar o filósofo Nietzsche, Kant e outros. Vindo de uma genial cabeça acho boa indicação lê-lo, porque Allen brinca falando muito sério e jamais foi ruim, como dizem seus fãs e adoradores, “até mais ou menos ele é bom” em qualquer segmento artístico, seja no cinema com seus roteiros enxutos e de raciocício rápido, seja na Literatura. E não é a primeira vez que este adorado cineasta flerta com a Filosofia, para quem já leu, por exemplo, Cartas de Woody Allen a Platão, sabe que o escritor tem mesmo mil e um questionamentos a respeito do que seja a vida, bem, como todos nós, com a diferença de que Allen tem uma genial veia para o humor, um humor cítrico e crítico, debochado sem deixar de ter a sensibilidade e coerência dos grandes pensadores.

Nietzsche e Kant

Ele começou sua carreira vendendo textos de comédias, para quem acha que Woody Allen é referência de cinema de qualidade, tudo bem, acertou em cheio, mas, convenhamos, ler o autor de Mera Anarquia, é mergulhar num fantástico mundo de sabedoria e podem se preparar porque é pra rir, rir mesmo, de Nietzsche e Kant, dois filósofos alemães que em algum tempo foram santificados e inquestionáveis. Mas como este genial roteirista está sempre a frente, um intelectual pronto para derrubar paredes do convencionalismo, é, pra mim, um gênio da pós modernidade, algo que eu poderia dizer estar acima do bem e do mal… lá das Torres Gêmeas.

Está recomendada a leitura, fique à vontade para anarquizar com a Filosofia, esta que sempre nos inibe diante da vida e, céus!, muitas vezes acabrunha a arte. Woody Allen não abre mão de suas artes e enfrenta com muito humor tudo que possa parecer-lhe ameaçador a sua liberdade de ser, pensar e criar.

Não é desse seu novo livro, mas esta frase de Allen — considerado por muitos o maior cineasta vivo do mundo — pode definir o seu rascante e irônico modo de encarar o mundo ao seu redor.

Sinto-me profundamente aliviado pelo fato de o Universo ser finalmente explicável. Começava a convencer-me de que o problema estava em mim.

6 Comentários

1. por André Santos em
Ago032007, às 15:20pm

Daisy, esse livro ainda não está à venda? procurei em alguns sites e não encontrei.

2. por Daisy Carvalho em
Ago032007, às 15:39pm

Oi, querido!
Estamos em espera, mas te mando e-mail assim que tiver notícias, mas é bom porque ficamos aguardando com mais ansiedade… :)
Beijos! :*

3. por _Maga em
Ago052007, às 1:01am

Adorei!! Não sabia que ele escrevia também!

Vou ver se acho o primeiro livro dele por ai…

Se bem que tenho que ler A Republica de Platão antes… hehehe acho honesto dar prioridade aos mais velhos, neste caso heheheheheehe

Alias, obrigada, graças a vocês dois eu li Fedro e acabei emendando O banquete, quebrando de vez qualquer medo que eu tinha em ler os filósofos gregos… e é impressionante como Quintana tinha razão…

Do exercício da filosofia

Como o burrico mourejando à nora,
A mente humana sempre as mesmas voltas dá…
Tolice alguma nos ocorrerá
Que não a tenha dito um sábio grego outrora…

Mário Quintana

beijos

4. por marcel em
Set302007, às 20:31pm

Não seria woodY allen?!

5. por Daisy Carvalho em
Out012007, às 8:46am

É, colega, tem razão! :) Obrigada, viu lindo.

Estou preocupada com a opinião de Nietzsche a respeito. E espero que o Allen Conigsberg não se importe de eu ter subtraído um tão fundamental ‘y’ de seu nick artístico.

Volte sempre ( e leia os artigos também) :)

E um beijo, pela subtração de palavras em seu comment.

6. por Anônimo em
Dez042007, às 11:15am

Wood alen é um verme perto do Nietzsche

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