Vende? Vende! Mas será que é bom? (Ou: Livros Super valorizados)
O blog espanhol Papel en Blanco publicou dois artigos intitulados “Livros super valorizados” nos quais são expostos alguns títulos que, apesar da grande fama alcançada, talvez não mereçam exatamente o adjetivo bom.
Confesso que não li e nem conheço todos os livros dos quais o texto fala, mas trago a vocês algumas das críticas aos títulos que já tive contato, mesmo eu não concordando com algumas delas.
O Código da Vinci, de Dan Brown – Não foi surpresa nenhuma ver esse livro na lista. Segundo o autor, o best-seller de Dan Brown representa o maior engano literário dos últimos tempos. Com um estilo pobre e esquemático, Brown constrói uma história arquetípica sobre um fato tão revolucionário quanto risível: o Cálice Sagrado é uma representação de Maria Madalena, amante de Jesus Cristo. Capítulos curtos e uma prosa que convence até os mais céticos inflaram a conta bancária do senhor Brown e alavancaram a venda de suas outras obras pífias, que não recomendo nem aos meus piores inimigos: Fortaleza Digital e Anjos e Demônios. A adaptação do livro para o cinema foi tão desastrosa que nem Tom Hanks foi capaz de salvá-la.
- Leia minha resenha de O Código da Vinci
- Leia minha resenha de Anjos e Demônios
A saga de Harry Potter, de J.K. Rowling – O autor afirma ter gostado de ler os livros. O primeiro lhe pareceu magnífico, o segundo, ainda com suas irregularidades, não estava mal, assim como o terceiro. A partir do quarto, a coisa mudou: cento e poucas páginas e ainda não havia começado o curso em Hogwarts. O foco das aventuras do jovem bruxo começava a não ser a luta contra o bem ou o mal, mas sim se Ron e Hermione estavam saindo juntos ou qual das meninas Harry Potter gostava. O declive da saga é evidente mesmo para os que se consideram fãs incondicionais.
Crônica de uma Morte Anunciada, de Grabriel García Márquez – Um romance de êxito duradouro cujo maior problema é que tudo gira em torno de uma morte que é anunciada ainda na primeira frase: “No dia que iriam matá-lo, Santiago Nasar…”. Sem dúvida é uma obra menor de García Márquez, que se mostra pedante e autocomplacente, com um enredo tão emaranhado que se torna difícil de digerir. Poderia ser visto como um thriller sem ritmo. Aplicado ao cinema seria como um filme de Hitchcock sem nenhum rastro de inspiração.
O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder – Essa foi minha grande surpresa, sempre considerei O Mundo de Sofia um livro fabuloso. Segundo o autor, a obra que cobre toda a história da filosofia é um livro agradável e com uma função louvável: apresentar a filosofia ao grande público. Para isso, utiliza a história de uma menina norueguesa chamada Sofia, que recebe fascículos sobre vários pensadores, desde a Grécia Antiga. Se bem que algumas explicações sejam extraordinárias (atenção à de Freud) e contenham maravilhas como aquilo de “a capacidade de assombro”, a história de Sofia é medíocre, confusa e em alguns trechos, extremamente comercial.
- Leia minha resenha de O Mundo de Sofia
Verônica decide morrer, de Paulo Coelho – Esse é o único livro de Paulo Coelho que já li e vou concordar com a crítica: o livro é realmente medíocre. Ele diz que é um livro difícil de ler devido a sua inverossimilhança, sua abundância de tópicos e por incluir o sexo como mera desculpa para arrastar o leitor ao longo da história. Personagens impossíveis e um estilo tão confuso que em nenhum momento supõe-se um prazer para o leitor. Incrivelmente, é um dos livros mais mencionados como meio para sair de uma crise. É também um dos favoritos entre pessoas que não leem mais de dois ou três livros por ano. Eu falo de Verônica decide morrer por ser o engano mais representativo de Paulo Coelho, mas de igual calibre são Onze Minutos, O Zahir ou Brida.
A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón – Esse é um dos mais ilustrativos casos de marketing viral (e nem tãão viral assim) de um livro que começou sendo finalista de um prêmio organizado pela Planeta, e acabou como um best seller mundial. Com sua narrativa, Ruiz Zafón pinta uma Barcelona convencional e personagens planos e previsíveis. Mesmo que isso não seja um verdadeiro problema para o leitor, A Sombra do Vento é um romance do qual só se citam virtudes e esquecem-se de citar os (vários) problemas.
Boa parte da obra de José Saramago – O caso deste prêmio Nobel português é curioso, pois parece que todo mundo o admira, mas poucos realmente leram algum livro seu. Ler o genial Ensaio sobre a Cegueira não passa nem perto de ler o pesadíssimo Todos os Nomes, o tremendamente populista (e polêmico) Evangelho Segundo Jesus Cristo ou o decadente A Caverna. O seu Viagem a Portugal, que é considerado um dos melhores livros de viagens da história, também não pode ser chamado de obra-prima. Seu estilo extravagante (parágrafos grandes, ausência de pontos e diálogos incrustados de narração) funciona só às vezes. Se não há uma boa história, não importa o que se faça, nunca vai funcionar.
Você concorda com as críticas? Leu os livros citados? Ficou surpreso com algum título que é um de seus favoritos?
Veja a lista completa das obras super valorizadas nos textos originais:
ATUALIZAÇÃO
Saiu a parte 3 da lista, vejam lá :-)


O Processo, de Franz Kafka
Guerra e Paz, de Leo Tolstoy

Ulisses, de James Joyce
Hamlet, de William Shakespeare
Madame Bovary, de Gustave Flaubert
A Divina Comédia, de Dante Alighieri
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