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Livro psicografado por alienígenas? Crie sua teoria da conspiração

Acaba de ser publicado no Escriba Café, o podcast de número 46, entitulado Teoria da Conspiração. Nele, Christian Gurtner aborda diversos temas envolvendo todos os mistérios que possam estar ocultos na humanidade. Além disso, ele cria uma teoria da conspiração sobre si mesmo. Acreditável? Talvez não. Possível? Não sabemos.

O fato é que a melhor teoria da conspiração criada por seus ouvites sobre eles próprios, será premiada com seu livro psicografado por alienígenas.

E eu não podia perder essa oportunidade de criar uma teoria da conspiração que, acreditem, é real, sobre mim mesmo

A Criação: dois protagonistas e um fantoche

Nossa história começa há muito tempo, quando a luz era um mero requinte, que fazia do universo um foco de existência divina.

Deus e Aquele Cujo Nome Não Deve Ser Pronunciado estavam entediados. E o tabuleiro estava vazio.

Então Deus, em sua sabedoria infinita, dividiu o tabuleiro em preto e branco. Chamou a parte branca de “casas claras” e a parte negra de “casas escuras”, dividindo-as alternadamente. Também disse que uma casa branca sempre ficaria à direita, assim todos deveriam seguir. E viu que isso era bom.

Mas o tabuleiro continuava vazio. E nenhuma batalha travava-se em suas casas.

Por isso Deus criou os peões, e fê-los pretos e brancos, colocando-os em duas linhas, encarando uns aos outros, mas não tão próximos, deixando o centro vazio para a futura batalha.

E os peões tornaram-se a alma do jogo. E Ele viu que isso era bom.

Para reforçar os cantos do tabuleiro, Deus colocou quatro grandes torres lá, duas brancas e duas negras. Cada uma ficou próxima aos peões de sua própria cor. Só que elas quiseram mover-se para atacar umas às outras, para destruí-las com suas catapultas, mas Deus disse, com rigor, “Torres atrás dos peões.” e as torres obedeceram.

E Ele viu que isso era bom.

Próximo a cada torre, Ele postou um cavalo com uma brilhante armadura para guardar suas entradas. E os cavalos quiseram saltar a parede de peões, mas Deus não fez nada para impedir. “Dêem espaço para as outras peças, antes de moverem-se pela segunda vez”, Ele simplesmente avisou-os.

Então, novamente em Sua infinita sabedoria, Ele criou os Bispos para ficarem próximos aos cavalos e orar por Seu nome. Porém estes eram fracos, e só poderiam mover-se duas casas por vez.

Mas aqui, o Inimigo, o Adversário, Aquele Cujo Nome Não Deve Ser Pronunciado, interviu nos planos de Deus. Com um toque de sua maldade sem fim, proveu os bispos com uma força maléfica, tornando-os capazes de mover-se por um número ilimitado de casas, ao longo das diagonais. Assim, Aquele Cujo Nome Não Deve Ser Pronunciado balanceou os valores dos Bispos e dos Cavalos, apesar de serem totalmente diferentes uns dos outros. Ato tamanho, que nunca mais fora presenciado no decorrer da história.

Muitas horas de discussões e argumentos foram gastos pelos estudiosos para dizer qual peça valeria mais, sem nenhuma conclusão alcançada. E assim foi o início da corrupção do homem pelo xadrez.

Depois, Deus viu os bispos postando-se ao lado dos cavalos, rogando por Seu nome e difundindo Sua glória. Ele viu que isso era, apesar de não totalmente perfeito, ainda aceitável.

Então Deus criou a Rainha. A Rainha sendo uma verdadeira dama, começou sua vida de acordo com as cores. Mesmo antes de Deus abrir Sua divina boca e dizer a elas onde tomarem suas posições, a Dama branca pôs-se na casa branca, e a Dama negra acomodou-se na casa negra. E elas mantiveram, com solenidade e honra, a máxima distância uma da outra, pensando ao mesmo tempo, “Oh não, aquela mulher está usando o mesmo vestido que eu, espero que ninguém perceba.” Assim, suas belezas reais proporcionaram aos peões algo a aspirar.

E Deus viu que isso era bom.

E no sexto dia, Deus criou o Rei. E o Rei era a maior de todas as peças, e a larga cruz ao topo de sua coroa era, literalmente, a cruz que deveria carregar. Para que todas as peças amassem-no, protegessem-no, e fossem gratas por dar a vida em seu nome. Mas a peças de cor oposta, odiavam profundamente o rei, e de bom grado afundariam suas garras em sua carne, para destruí-lo.

Algumas gargantas cortadas e uns poucos desentendimentos não estavam totalmente fora de questão. E Deus viu que isso era um pouco rude, mas que continuava sendo bom.

E no sétimo dia, Deus descansou para apreciar o fruto de sua criação. Enquanto Ele estava maravilhado com seu magnífico conjunto de casas negras e brancas, com as peças em suas posições, Aquele Cujo Nome Não Deve Ser Pronunciado aproximou-se em passos silenciosos, sentou-se em frente a Deus, e em um tenebroso desafio, recitou:

– Uma partidinha, para passar a tarde?

– Uhm, eu estou guardando este jogo para dar de presente ao Homem. Disse Deus.

– Ora, vamos lá! — disse ACNNDSP — Apenas um ping então, que mal haveria nisso?

– O que é um ping? — perguntou Deus, balançando sua cabeça divina.

– É um jogo rápido, praticado com o uso de um relógio de xadrez. Explicou ACNNDSP.

– Eu não lembro de ter criado um relógio de xadrez. Disse Deus.

– Eu tomei a liberdade de fazer um. Disse ACNNDSP.

– Você e seus artifícios, Sir. Quero testar sua idéia. Mas utilizemos um homem para essa tarefa.

– Sempre cauteloso. Tu és um covarde! Tudo bem, mas eu é que escolherei e ensinarei esse homem.

– Pois bem, que assim seja.

Então, Aquele Cujo Nome Não Deve Ser Pronunciado, encaminhou-se até um antigo planeta chamado Terra, onde os homens destruiam-se por banalidades e já não acreditavam totalmente na sabedoria de Deus. Lugar ideal, portanto, para ACNNDSP espalhar sua discórdia e fazer suas experiências.

Escolheu um jovem chamado André Gazola. Fez com que conhecesse o xadrez, fazendo-o perder jogo após jogo, durante muito tempo. Sabia que o orgulho do rapaz, cedo ou tarde, despertaria o desejo de vingança para com aqueles que lhe impuseram a derrota.

Com o tempo, ACNNDSP, proporcionou-lhe acesso a livros, bases de dados e computadores. André foi então melhorando no jogo até que tornou-se tri-campeão de sua cidade e bi-campeão de seu Estado. Espalhando o medo e o ódio entre seus adversários.

Finalmente, ACNNDSP apresentou-lhe o ping. André titubeou no início “5 minutos é pouco tempo para pensar”, mas acostumou-se e logo apaixonou-se pelo grande número de partidas que poderia ganhar em pouco tempo, impondo ainda mais discórdia sobre seus oponentes.

ACNNDSP, agora satisfeito com seu experimento, voltou-se para Deus e disse:

– Veja, André vence partida após partida, agora é também um grande campeão do ping.

– Você pode estar certo meu caro — disse Deus — Mas veja, agora que André acostumou-se a vencer todos em apenas 5 minutos no ping, não consegue usar mais do que esse tempo, mesmo nas partidas mais longas, e é derrotado facilmente, já que não consegue parar para pensar, diante da profunda meditação de seus adversários.

– Não é possível! Isso não pode estar acontecendo! Humano insolente! Vou castigá-lo impedindo que volte a estudar este jogo maldito!

E assim, André foi amaldiçoado por Aquele Cujo Nome Não Deve Ser Pronunciado e nunca mais abriu seus livros de xadrez, apesar de continuar vencendo seus adversários, um a um, nas partidas de 5 minutos.

19 Comentários

1. por Jefferson em
Nov082007, às 8:14am

boa, muito boa mesmo. Eu só colocaria a criação da Rainha por último por consideração à ordem original das coisas. E deixaria vc eternamente pensando em qualquer coisa, além das partidas de xadrez, somente durante 5 minutos.

Trágico? Hehe, sou mau…

2. por Dai em
Nov082007, às 11:31am

Talvez por falta de experiência vc trocou as bolas e pronunciou o que não deveria ser pronunciado o tempo todo. Seria mais interessante. E achei bem legal a teoria, porém machista demais para ser crível mesmo na ficção.
Mas para início de conversa, André, tá ótimo mesmo. Parabéns.
Se conselho fosse bom, etc… Mas tbm não passou credibilidade, Deus não teve voz de poder sufuciente.

Mas gostei. Parabéns!

3. por André em
Nov082007, às 11:50am

teoria? machismo? credibilidade? onde?

4. por Dai em
Nov082007, às 14:02pm

André, esquece cara, tá bom teu texto. Eu devo ter viajado porque olho tudo com olhos literários ;)

Dá licença, Dé? :)

Se algum leitor da Daisy Carvalho passar por aqui, quero que sintam-se convidados para conhecer meu blog que finalmente será inaugurado por esses dias, com textos da pesada, e informações em primeira mão sobre os caminhos da Arte no BR nosso de cada dia!

Será veiculado um MEME com convidados de nome na literatura e afins, cineastas e poetas, enfim, todo tipo de maluco possível nesta atmosfera pensante em que vivemos.
Escolherei o melhor e mais sério dono de blog literário para dar uma entrevista numa Rádio aqui do RJ porque os cariocas gostam mais de praia do que esses ‘papos cabeça’. É um projeto para divulgar meus amigos blogueiros de outras regiões fora do Rio de Janeiro.

Você, campeão, é um dos q estão no topo da lista porque algo que não posso negar sobre meu amado e mau humorado gauchinho: É o mais enfezado blogueiro mas tbm o mais sério e competente na opinião da Dai. E que muito lhe devo ;) Mais pela pouca idade, né? rs.

(Espero que continue escrevendo. Sei que vai arrebendar, pupilo haha)

Beijos da Dai!!

Meu blog:

http://www.dai.lendo.org

5. por Dai em
Nov082007, às 14:12pm

Ok, vc merece uma explicação, Dé.

No fundo não gostei desta metáfora de xadrez. Acho que vc, tão lido, lindo e culto, poderia caprichar nesta viagem.

E sei que podes fazer um estrago nos teus textos porque sou testemunha de como é proliferante tuas idéias, afinal, convivemos uns bons meses na ralação do Lendo.org, meu blog predileto! :)

Não estranhe, carioca fica assim mesmo: alegre e excitado com a proximidade do verão.

Conselho: Solta teus demônios e comece a postar textos do Dé ;)

Beijo!!! :D

6. por Dai em
Nov082007, às 14:16pm

Ops! ‘Como SÃO proliferantes tuas idéias’ hehehe… (sorry)

7. por André Gazola em
Nov082007, às 15:17pm

Esse texto aí não tem nenhum fim literário, está aí simplesmente pra concorrer a um livro que eu quero há tempo. Nada mais.

Tenho certeza de que NINGUÉM que tenha algo de crisão, vá gostar do texto. Mas enfim, eu também não gosto de cristãos.

8. por Dai em
Nov082007, às 16:40pm

Pois é, agora entendi melhor. Mas ninguém quer falar de cristãos (eu hein!).

O C. é um aescritor maravilhoso, eu tbm gostaria de ter um livro seu.
Suas crônicas têm estilo, né? Lembra que eu ia te dar um livro dele? Mas o carreto saía dez vezes mais caro hehe.

Enfim, boa sorte. Mas insisto, cabeça dura: comece a escrever contos e crônicas aqui no Lendo.org.

Boa sorte!

(e teu texto ‘não literário’ é, de certa forma, um conto contemporâneo conspirando contra o Apocalipse ;)

Tchê!

9. por André em
Nov082007, às 16:51pm

Pois é, o frete pro livro dos alienígenas é mto caro, deve ser pq vem de outro planeta ué =P

Sou um bom leitor, não um bom escritor, então, quem sabe um dia, eu goste de escrever ficção. Por enquanto, vou conspirando contra tudo e contra todos na não-ficção, ou criando conspirações :P

10. por C. em
Nov082007, às 18:29pm

Oh, marcenos me abduzam! (marcenos são os ancestrais dos marcianos, significando então, essa frase – para nós, terráqueos -algo como “Macacos me mordam”)

Estão cobrando frete caro nas vendas da obra alienígena? Com esse impecilho os extra-terrestres não contavam. Tentarei o uso de telepatia através do chip que me foi implantado no cérebro para obter permissão marciana para vender o livro diretamente no Escriba Cafe.

E André, esse episódio aí do xadrez me foi contado por um dos marcianos que me abduziram, mas eu não sabia que era você, que coincidência!

11. por Dai em
Nov082007, às 21:42pm

O bom é que lá no Escriba Café parece um bom lugar para pouso, neste caso não precisamos nos preocupar com os verdes marcianos. Verde lembra dólar.

Mas acredito que haja uma nuance comunista, em nome de Marx, caso contrário, nenhuma novidade nos OVNS.

:P

12. por Dai em
Nov082007, às 21:53pm

… E C., pode me responder se por acaso nesta dinastia marciana também existe preconceito contra o oposto do masculino, ou seja, nós, marcianas?
Caso esteja enganada, por que não poderia eu, participar de tão excitante concurso?
Ou na verdade a galáxia é masculina? :(

Não me esconda, eu guento!

Beijo. :)

13. por Dai em
Nov092007, às 9:29am

Christian, já comecei lá no teu blog, a revelar a verdadeira conspiração contra o planeta Terra. Não sei se era para ser só uma brincadeira, mas mais cedo ou mais tarde essas informações iriam mesmo vazar. ;)

14. por Xorna em
Nov092007, às 14:29pm

Ae André, show de bola, gostei muito cara… bem criativo =)

ainda bem que eu não fui o escolhido… kkk

abraço

15. por André em
Nov102007, às 9:58am

@C: Pois é, como esse universo é pequeno, não é?

@Xorna: Valeu cara, que bom que gostou =)

16. por Dai em
Nov102007, às 12:33pm

Último pouso no post:

Está publicada por mim a verdadeira Conspiração Messiânica no blog do http://www.escribacafe.com

E André, deixo em público registrado que se por acaso eu ganhar (não creio) eu faço questão de ceder para ti o livro do C.

Bons últimos momentos no Planeta terra ;)

17. por Rafael Jaques em
Nov112007, às 9:00am

Bom… Tu sabes que eu não acredito nesse tipo de coisa, então prefiro não opinar…

Porém, vou deixar um comentário sobre outra coisa…

Uma mão lava a outra… Eu te pedi o texto sobre crase há muito mais tempo! :P

Então quando o senhor me conseguir o texto sobre crase, eu te consigo o do gmail! ;D

Aquele abraço!

18. por Dai em
Nov112007, às 11:43am

Aí, RAFAEL! Beleza?

Este explica e dá MIL exemplos práticos para consulta. ;)

Ajudei??? :)

http://www.ceismael.com.br/oratoria/oratoria014.htm

19. por Dai em
Nov122007, às 23:49pm

André,
Se não for afronta à sua pouca experiência, te inclui em minha lista para comentar sobre meu post do “corno”.

Mas não vá, caso tenha algum problema com este artifício imposto pelas mulheres.

Só não queria deixá-lo de fora dos convidados, já que para mim tu és homem de verdade ;)

Beijo.

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