Períodos Literários – O Quinhentismo

Quando estudamos Literatura na escola, geralmente somos apresentados à linha cronológica dos movimentos literários que formam a história da literatura no Brasil. São datas, autores, características e uma infinidade de palavras incompreensíveis que fazem com que nos afastemos e até criemos uma barreira a essa “disciplina que só estuda livros velhos”. Está aí o cerne, ao meu ver, do problema da falta de leitura crônica que temos no país.

Um dos caminhos que tenho buscado para amenizar os efeitos desse currículo — afinal existe uma exigência conteudista bastante ultrapassada em torno do ensino de Literatura — é dar mais foco aos textos e em sua relação com elementos da atualidade, principalmente outras artes como a fotografia, a pintura e o cinema, o que tem rendido resultados bem interessantes.

Em qualquer livro didático de Literatura, se pesquisarmos sobre o Quinhentismo, encontraremos uma série de informações que envolvem a chegada dos portugueses ao Brasil, os primeiros contatos com os índios e a descrição da nova terra feita por Pero Vaz de Caminha através daquele que é considerado o texto fundador da nossa literatura: A Carta. Provavelmente haverá algum trecho desse texto, que os alunos compreenderão nada ou muito pouco sem o auxílio do professor, e a denominação geral de literatura de informação, com importância mais hitórica que artística.

Depois disso, encontraremos nomes como Padre José de Anchieta e Padre Manuel da Nóbrega, que foram expoentes da literatura de formação ou jesuítica, criada com o objetivo de catequizar os índios, propagando a fé cristã, sob influência da Contrarreforma, aspecto importante do contexto histórico da época.

Tudo isso está certo, faz parte do conteúdo e deve ser passado aos alunos. Porém, não existe uma metodologia mais eficaz que a simples transmissão de informações? Sempre existe.

A primeira coisa que costumo fazer é motivar os alunos sem sequer citar a que conteúdo estou me referindo. Em uma aula recente sobre Quinhentismo no Brasil, iniciei mostrando a eles as seguintes imagens:

Mostrando uma por vez, na ordem que você vê acima, levo os alunos a analisarem aspectos como a vegetação, a presença de animais e/ou de seres humanos através de sinais de cultura (como casas, naves, castelos, etc.)

Nesse momento não digo nada a eles, mas através disso quero levá-los a refletir sobre mundos diferentes do nosso, como se estivéssemos na pele dos portugueses que chegaram a um mundo completamente diferente do deles em 1500.

Após essa análise de cada imagem, mostro a eles o trailer do recente filme de Tim Burton, Alice no País das Maravilhas:

Oralmente, levo os alunos a refletirem novamente sobre os elementos semelhantes e diferentes em relação ao nosso mundo que estão presentes no País das Maravilhas, a vegetação, as personagens, presença ou não de tecnologia e de cultura.

Agora, em que os alunos já começam a entender em que ponto desejo chegar, introduzo um elemento importante através do filme Avatar, de James Cameron:

Novamente faço-os analisar os mesmos elementos anteriores, mas pergunto finalmente quais as diferenças que percebemos no filme de Cameron.

Não constuma demorar muito até alguém citar a exploração da terra e do povo nativo. É somente nesse momento que faço a primeira referência à chegada dos portugueses ao Brasil — um mundo completamente exótico para eles, na época — e o tipo de atitude que tiveram em relação a esse “planeta distante”.

É através dessa construção que introduzo um conteúdo considerado muito chato pelos alunos. A partir daqui já é possível fazer algumas alusões à Carta de Pero Vaz de Caminha, mas é importante não deixar de lado a vasta e interessante obra de outros viajantes que descreveram a nova terra através de imagens que, se analisadas com atenção, impressionam até o aluno mais indisciplinado. Veja algumas das que usei:

Índio Tapuia, de A. Eckhout

Os filhos de Pindorama, de Hans Staden

Aldeia Tupinambá, de Hans Staden

Depois dessa introdução, aí sim é hora de adentrar um pouco mais o conteúdo, dar informações mais precisas e diretas, resolver questões de vestibular e/ou ENEM sobre quinhentismo (logo vou adicionar algumas a este post) e garantir que seus alunos saibam este conteúdo — o que não deve NUNCA levá-los a criar qualquer tipo de barreira como a que costuma ser gerada pela mera exposição de fatos, características e datas.

Ser professor é estar o tempo todo buscando novas estratégias para o ensino de sua disciplina. Seja ativo, busque, pesquise e dê a oportunidade que seus alunos precisam para perceberem a maravilha que é estudar sua matéria!

André Augusto Gazola é formado em Letras, professor de Literatura e História da Arte, pós-graduado em Metodologia de Ensino de Língua Portuguesa e Literatura e fundador do blog Lendo.org.

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