Clássicos da Literatura – Lista completa

Lista de clássicos da Literatura - Indicações

Alguma vez você já imaginou o motivo de alguns romances antigos serem considerados clássicos e outros não? Nesse texto pretendo dar alguma luz ao conceito de clássico da literatura, essa denominação tão volátil e, em alguns casos, tão subjetiva. Além disso, trago a lista que elaborei com todos os romances clássicos dos quais consegui lembrar-me. Será você capaz de fazer alguma adição a ela?

Romances clássicos são celebrados por acadêmicos, críticos e professores como sendo leituras obrigatórias para qualquer pessoa que pretenda seriedade em relação à literatura. Esses livros são cobrados em vestibulares e concursos por todo o Brasil, sendo alvo de análise em qualquer escola, nas aulas de Literatura.

Apesar disso, são livros temidos pela maioria dos alunos de Ensino Médio, que não costumam ter o menor interesse na leitura de um volume empoeirado, com palavras difíceis, escrito por alguém que morreu muito tempo atrás.

Existe ainda muita confusão, no entanto, em relação ao que exatamente torna um livro clássico ou não. Com uma variedade tão grande de gêneros e centenas de títulos para escolher, o que faz com que essas obras valham a pena?

Crítica Social e Política na Literatura Clássica

Um romance clássico deve ser produto de seu próprio tempo. Escritores têm sido influenciados, ao longo da história, pelo mundo que os rodeia, de forma que seus livros refletem suas realidades e as usam para criticar o cenário social e político da sociedade de determinada época. Ou seja, a literatura clássica serve para ensinar aos leitores algo a respeito de seu próprio mundo.

Um bom exemplo disso é o romance Frankenstein (1818), de Mary Shelley, com o qual eu trabalhei ano passado nas oitavas séries da escola onde leciono Literatura. Shelley, através da narrativa de um experimento científico que deu muito errado, aborda os problemas do mundo que se deparava com a Revolução Industrial em meio aos valores iluministas. Ela usa o monstro criado pelo Dr. Frankenstein para demonstrar os problemas de brincar com a força divina, bem como o conflito entre o homem a natureza.

Outro exemplo é o aclamado Orgulho e Preconceito (1813), de Jane Austen, que, apesar de não se ater a problemas sociais ou políticos de nível global, aprofunda-se no estudo das expectativas e decoro social da Inglaterra Vitoriana. Seus romances, que estão entre os meus preferidos, são uma ótima forma de um leitor de hoje entender o que significava ser mulher (e pertencer à sociedade) no século XIX.

Atemporalidade e Universalidade na Literatura Clássica

Para ser considerado um clássico da literatura, um romance não precisa apenas abordar algum problema de seu tempo, mas também ser atemporal. Isso significa que apesar de lidar com problemas sociais e/ou políticos do passado, um livro clássico possui um tema geral que continua sendo relevante para o mundo de hoje.

A universalidade de um romance é outro fator que ajuda a torná-lo um clássico. Embora todo livro seja escrito em um lugar específico, seu enredo precisa ser significativo em qualquer país, sob influência de qualquer cultura, para ser considerado universal.

Anna Karenina (1877), do russo Leon Tolstoy, é um incrível exemplo de romance universal e atemporal. Ele ainda é muito popular nos dias de hoje, apesar de ter sido escrito há mais de cem anos. Anna Karenina explora temas como ciúme, casamento, expectativas sociais e paixão, temas completamente atemporais e relevantes em qualquer lugar do mundo.

Todos os grandes clássicos lidam com temas morais, que fazem parte da natureza humana, ou com simples emoções e desejos, de um modo que transcendem tempo e espaço.

A linguagem dos clássicos da literatura

A linguagem é importante em qualquer obra de ficção, por isso um romance clássico deve usá-la efetivamente. Um livro que não for bem escrito não resistirá ao teste do tempo. Madame Bovary (1856), de Gustave Flaubert, é um exemplo de romance que tem sido saudado como o mais bem escrito e perfeitamente organizado de todos os tempos. Com uma recomendação dessas, é natural que ele seja indicado para todos os amantes da literatura.

Influência na literatura futura

Romances considerados clássicos têm grande influência na literatura. Eles causaram e ainda causam uma impressão duradoura em nossa cultura literária. Qualquer bom escritor deve ter lido, relido e estudado os clássicos antes de embarcar em sua própria jornada literária. Aí está o porquê de você frequentemente ver menções a textos clássicos em romances atuais, já que os autores costumam prestar homenagem àqueles que os antecederam e formaram a literatura da forma como é vista hoje.

Romance clássico x Clássico contemporâneo

Existe, ainda, uma distinção que pode ser feita entre romance clássico e clássico contemporâneo. Não existe nenhuma regra em torno disso, mas costuma ser aceito que romances clássicos devem ter sido escritos antes do século XX.

Para ser considerado um clássico contemporâneo, um livro também precisa resistir ao teste do tempo, já que pelo menos 40 anos de sua publicação devem ter passado antes de merecer tal denominação. As qualidades acima — dar uma boa visão sobre seu tempo ao leitor, ser atemporal, universal e usar efetivamente a linguagem — também são necessárias, evidentemente.

Lista de Clássicos da Literatura

Num exercício não apenas de memória, mas também de pesquisa, resolvi criar uma lista de clássicos da literatura que seja mais completa do que tudo que já vi pela internet. Eu mesmo já havia publicado uma lista de 48 livros, mas senti que o número de títulos é tão grande que criar uma nova faria mais sentido.

Os critérios de escolha que uso são aqueles dos quais falo no texto acima, com exceção da distinção entre romance clássico e clássico contemporâneo, pois não a considero relevante. Uso, no entanto, um critério que aprendi com o grande filósofo Arthur Schopenhauer, através da seguinte citação:

Como as pessoas lêem sempre apenas as novidades em vez das melhores obras de todos os tempos, os escritores permanecem no âmbito restrito das idéias circulantes, e a época afunda-se cada vez mais na sua própria mediocridade.

Por isso, no que concerne à nossa leitura, a arte de não ler é de máxima importância. Ela consiste no fato de não se assumir a responsabilidade por aquilo a que todo o instante ocupa imediatamente a maioria do público, como panfletos políticos e literários, romances, poesias e similares, que são rumorosos justamente naquele determinado momento, e chegam até a atingir várias edições no seu primeiro e último ano de vida. É preferível então pensar que quem escreve para loucos encontra sempre um grande público, e que o escasso tempo destinado à leitura deve ser exclusivamente dedicado às obras dos maiores espíritos de todos os tempos e de todos os povos, que sobressaem em relação ao restante da humanidade e que são assim designados pela voz da glória. Apenas estes instruem e ensinam realmente.

Espero que você goste da lista e use-a vastamente como fonte de indicações de leitura. Fique à vontade para falar de mais títulos (que sim, estão faltantes) nos comentários.

  • Ilíada (séc. VIII a. C.), de Homero
  • Odisseia (séc. VIII a. C.), de Homero
  • As mil e uma noites (850 a.C.), de autor desconhecido
  • O asno de ouro (1469), de Apuleio
  • Gargântua e Pantagruel (1532-64), de François Rabelais
  • Os Lusíadas (1572), de Luiz Vaz de Camões
  • Dom Quixote (1605-15), de Miguel de Cervantes Saavedra
  • Robinson Crusoé (1719), de Daniel Defoe
  • As viagens de Gulliver (1726), de Jonathan Swift
  • Tom Jones (1749), de Henry Fielding
  • Cândido (1759), de Voltaire
  • Emílio ou da educação (1762), de Jean Jacques Rousseau
  • O Castelo de Otranto (1765), de Horace Walpole
  • Os Sofrimentos do jovem Werther (1774), de Johann Wolfgang von Goethe
  • Os 120 dias de Sodoma (1785), de Marquês de Sade
  • Razão e Sensibilidade (1811), de Jane Austen
  • Orgulho e Preconceito (1813), de Jane Austen
  • Mansfield Park (1814), de Jane Austen
  • Emma (1816), de Jane Auten
  • Frankenstein (1818), de Mary Wollstonecraft Shelley
  • Ivanhoé (1820), de sir Walter Scott
  • O último dos moicanos (1826), de James Fenimore Cooper
  • O vermelho e o negro (1831), de Stendhal
  • O corcunda de Notre-Dame (1831), de Victor Hugo
  • Oliver Twist (1833), de Charles Dickens
  • Pai Goriot (1834-35), de Honoré de Balzac
  • A queda da casa de Usher (1839), de Edgar Allan Poe (apesar de ser um conto, decidi incluí-lo)
  • Almas mortas (1842), de Nicolai Gógol
  • Ilusões perdidas (1843), de Honoré de Balzac
  • Os três mosqueteiros (1844), de Alexandre Dumas
  • A moreninha (1844), de Joaquim Manuel de Macedo
  • O conde de Monte Cristo (1845-46), de Alexandre Dumas
  • Jane Eyre (1847), de Charlotte Brontë
  • O morro dos ventos uivantes (1847), de Emily Brontë
  • David Copperfield (1850), de Charles Dickens
  • Moby Dick (1851), de Herman Melville
  • A cabana do Pai Tomás (1852), de Harriet Beecher Stowe
  • Walden ou A vida nos bosques (1854), de Henry David Thoreau
  • Memórias de um sargento de milícias (1854 e 1855), de Manuel Antônio de Almeida
  • Madame Bovary (1857), de Gustave Flaubert
  • Grandes Esperanças (1861), de Charles Dickens
  • Os miseráveis (1862), de Victor Hugo
  • Memórias do Subsolo (1864), de Fiódor Dostoiévski
  • Iracema (1865), de José de Alencar
  • Alice no País das Maravilhas (1865), de Lewis Carroll
  • Viagem ao centro da Terra (1866), de Júlio Verne
  • Crime e Castigo (1866), de Fiódor Dostoiévski
  • O Idiota (1868-9), de Fiódor Dostoiévski
  • Guerra e Paz (1869), de Leon Tolstói
  • Alice através do espelho (1871), de Lewis Carroll
  • A volta ao mundo em 80 dias (1873), de Júlio Verne
  • Senhora (1875), de José de Alencar
  • O crime do Padre Amaro (1876), de José Maria Eça de Queirós
  • Anna Karenina (1877), de Leon Tolstói
  • Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), de Joaquim Maria Machado de Assis
  • A Ilha do Tesouro (1883), de Robert Louis Stevenson
  • A morte de Ivan Ilitch (1884), de Leon Tolstói
  • As aventuras de Huckleberry Finn (1885), de Mark Twain
  • Germinal (1885), de Émile Zola
  • O Ateneu (1888), de Raul Pompéia
  • Os Maias (1888), de José Maria Eça de Queirós
  • O Cortiço (1890), de Aluísio de Azevedo
  • O retrato de Dorian Gray (1891), de Oscar Wilde
  • Quincas Borba (1891), de Joaquim Maria Machado de Assis
  • As aventuras de Sherlock Holmes (1892), de sir Arthur Conan Doyle
  • A máquina do tempo (1895), de H. G. Wells
  • Drácula (1897), de Bram Stoker
  • A guerra dos mundos (1898), de H. G. Wells
  • Dom Casmurro (1899), de Joaquim Maria Machado de Assis
  • A cidade e as serras (1901), de José Maria Eça de Queirós
  • Os Sertões (1902), de Euclides da Cunha
  • Tarzan (1914), de Edgar Rice Burroughs
  • Triste fim e Policarpo Quaresma (1911, folhetim), de Lima Barreto
  • Retrato do artista quando jovem (1916), de James Joyce
  • Ulisses (1918-21, folhetim), de James Joyce
  • A montanha mágica (1924), de Thomas Mann
  • O processo (1925), de Franz Kafka
  • O grande Gatsby (1925), de F. Scott Fitzgerald
  • O Castelo (1926), de Franz Kafka
  • Em busca do tempo perdido (1913-27, em sete volumes), de Marcel Proust
  • O lobo da estepe (1927), de Hermann Hesse
  • O amante de Lady Chatterley (1928), de D. H. Lawrence
  • Orlando (1928), de Virginia Woolf
  • Macunaíma (1928), de Mário de Andrade
  • O quinze (1930), de Rachel de Queiroz
  • Reinações de Narizinho (1931), de Monteiro Lobato
  • Admirável mundo novo (1932), de Aldous Huxley
  • Menino de Engenho (1932), de José Lins do Rego
  • … E o vento levou (1936), de Margaret Mitchell
  • Angústia (1936), de Graciliano Ramos
  • Capitães de Areia (1937), de Jorge Amado
  • O Hobbit (1937), de J. R. R. Tolkien
  • Vidas Secas (1938), de Graciliano Ramos
  • Finnegans Wake (1939), de James Joyce
  • Por quem os sinos dobram (1940), de Ernest Hemingway
  • Xadrez (1942), de Stefan Zweig
  • O Estrangeiro (1942), de Albert Camus
  • Fogo morto (1943), de José Lins do Rego
  • O pequeno príncipe (1943), de Antoine de Saint-Exupéry
  • Ficções (1944), de Jorge Luis Borges
  • A revolução dos Bichos (1945), de George Orwell
  • Sagarana (1946), de João Guimarães Rosa
  • Doutor Fausto (1947), de Thomas Mann
  • 1984 (1949), de George Orwell
  • O tempo e o vento (1949-62, em 5 volumes), de Érico Veríssimo
  • O apanhador no campo de centeio (1951), de J. D. Salinger
  • O velho e o mar (1952), de Ernest Hemingway
  • Grande Sertão: veredas (1955), de João Guimarães Rosa
  • Lolita (1955), de Vladimir Nabokov
  • O Senhor dos Anéis (1954-55), de J. R. R. Tolkien
  • On the Road (1957), de Jack Kerouac
  • Gabriela, cravo e canela (1958), de Jorge Amado
  • Bonequinha de luxo (1958), de Truman Capote
  • Almoço Nu (1959), de William Burroughs
  • Laranja Mecânica (1962), de Anthony Burgess
  • A redoma de vidro (1963), de Sylvia Plath
  • A paixão segundo G. H. (1964), de Clarice Lispector
  • A sangue-frio (1966), de Truman Capote
  • Cem anos de solidão (1967), de Gabriel García Márquez
  • 2001: uma odisseia no espaço (1968), de Arthur C. Clarke
  • O poderoso chefão (1969), de Mario Puzo
  • As cidades invisíveis (1972), de Italo Calvino
  • Terras de sombras (1974), de J. M. Coetzee
  • Lavoura arcaica (1975), de Raduan Nassar
  • Entrevista com o vampiro (1976), de Anne Rice
  • A hora da estrela (1977), de Clarice Lispector
  • O iluminado (1977), de Stephen King
  • O guia do mochileiro das galáxias (1979), de Douglas Adams
  • O nome da rosa (1980), de Umberto Eco
  • O centauro no jardim (1980), de Moacyr Scliar
  • A casa dos espíritos (1982), de Isabel Allende
  • A lista de Schindler (1982), de Thomas Keneally
  • O livro do desassossego (1982), de Fernando Pessoa
  • O ano da morte de Ricardo Reis (1984), de José Saramago
  • A insustentável leveza do ser (1984), de Milan Kundera
  • Os versos satânicos (1988), de Salman Rushdie
  • O pêndulo de Foucault (1988), de Umberto Eco
  • História do cerbo de Lisboa (1989), de José Saramago
  • Desonra (1999), de J. M. Coetzee
  • Neve (2002), de Orhan Pamuk
  • O filho eterno (2007), de Cristovão Tezza
  • Indignação (2008), de Philip Roth

André Augusto Gazola é formado em Letras, professor de Literatura e História da Arte, pós-graduando em Metodologia de Ensino de Língua Portuguesa e Literatura e fundador do blog Lendo.org.É casado e mora em Bento Gonçalves-RS.

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