Lamento dos oprimidos — Poemas árabes
Meus amigos já sabem que tenho um tesouro herdado da biblioteca de meu avô. Hoje resolvi divulgar uma gratificante publicação — Lamento dos oprimidos (1971) — livro que reúne belíssimos e pungentes poemas árabes. Algo de excepcional, o que eu chamaria de puro sangue poético, já que a poesia nasce e morre nas entranhas da dor do homem, nada mais oportuno que falar deste excelente livro. Das dores mais profundas que se abatarem sobre o povo árabe quando os Estados Unidos implantaram o Estado de Israel.
Transcrevo pra vocês parte do prefácio, quando já dará pra sentir mais de perto a dor e a humana tristeza do povo árabe.
Quando, nos princípios do movimento sionista, o filósofo judeu Max Nordau, que entusiasticamente a ele aderira, foi informado que a Palestina era uma terra habitada, correu apavorado para Theodor Herzl, o fundador do Sionismo, bradando-lhe: “Eu não sabia! Se é assim, estamos cometendo uma iniqüidade!”
Mas Herzl e os demais sionistas, porém, permaneceram implacáveis. E aquela iniqüidade veio afinal concretizar-se quando, em maio de 1948, por uma decisão cruel da ONU, alí se instalou o Estado de Israel. Com ele a dor e a injustiça, a opressão e a guerra se instalaram na terra outrora chamada Terra Santa. Israel nasceu no sangue, e tem sempre de viver no sangue.” (Mansour Chalita – então Ministro Plenipotenciário da LEA no Brasil – 1971).
Muito simples. Poderia definir assim a questão: A ONU são os Estados Unidos, e onde esses “pousam” as mãos, é sangue na certa. É a pseudo e repulsiva supremacia do homem mau sobre a nação alheia. Atual, não? — não posso deixar de admirar os EUA por sua inimitável capacidade de me causar esse dejavu.
Alguns trechos dos poemas escritos na época da guerra sangrenta, onde os escritores árabes se escondiam como ratos, buscando alguns minutos de vida para escreverem suas poesias derradeiras.
Canção de um professor egípcio (Salah Jahin) — sobre um bombardeio numa escola no Cairo em 1970, onde 89 crianças estudavam. Inúmeras morreram. Não era um alvo militar.
Agora, crianças,
Repitam comigo:
Dar
Tomar
Bombardear
Matar
MATAR!A lição terminou,
Apanhem seus cadernos manchados de sangue.
Pois dentro do Palácio das Nações Unidas
Há um concurso de Pintura Infantil…… Agora. Consciência Mundial, diga-me, minha cara,
Que pensa dessas manchas vermelhas?
São de uma menina egípcia de tez tostada pelo sol
Que era na minha classe a mais brilhante…… Um crocodilo
Com milhares de patas
Em um mundo que fervilha de fantasmas,
Um mundo omisso
Que silencia diante da trama diabólica…
O impossível (Tawfiq Zayyad)
É muito mais fácil para vós
Fazer passar um elefante por um buraco de agulha,
Ou pescar peixe frito no céu,
Arar os mares
Ou fazer falar um crocodilo,
Do que matar, com vossa tirania,
O brilho de uma idéia,
Ou nos afastar um passo apenas
Do caminho que traçamos…
À procura de uma nova canção (Mahmud Darwish)
E chegará o dia
Em que precisarei
Buscar novas canções
Em que precisarei cavar novas ruínas
À procura da nova poesia,
Em que rejeitarei as rosas
Que vêm do dicionário;
Pois rosas crescem no braço
Do camponês,
Na mão do trabalhador,
Na ferida do combatente,
Na superfície do rochedo.
Na lembrança (Samih Al-Kassim)
Enquanto eu possuir um pedaço de terra,
Enquanto eu possuir uma oliveira,
Um limoeiro, um poço, uma recordação,
Enquanto o árabe ainda for falado
No folclore e na poesia,
Travarei, em face dos meus inimigos,
Em nome dos livres_ Trabalhadores, estudantes e poetas _
Uma guerra devastadora
Contra os inimigos do sol.
Onde estão hoje, em pleno ano de 2007, os soldados americanos… Pense nisso, cara pálida!


O Processo, de Franz Kafka
Guerra e Paz, de Leo Tolstoy

Crime e Castigo, de Dostoiévski
Édipo Rei, de Sófocles
Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes
A Divina Comédia, de Dante Alighieri
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