Guilherme Shakespeare – Há quatro séculos!
Eis que chega o fenômeno!
Já era de se esperar a visita de Shakespeare por aqui, mas nada de tragédias, comédias… Pensei em deixar sua memorável obra um pouco “de lado” e pesquisei algumas coisas interessantes deste absoluto mestre na arte de escrever, este dramaturgo no qual o mundo inteiro confia, ama, segue como a um mestre.
Toda a sua vida é mal conhecida, como a própria data de nascimento. Shakespeare, o maior dramaturgo inglês de todos os tempos é dos menos conhecidos, pessoalmente, na pátria e no mundo! Enquanto suas obras se colocam em primeiro lugar no conhecimento e no gosto universal, ele próprio como pessoa é e foi praticamente desconhecido. Sua pessoa mal é identificada.
Shakespeare só é conhecido por suas obras, fora delas este autor praticamente desaparece. Seus personagens, como sabem, são tão assustadoramente reais, tão humanos que poderíamos dizer que eles, os personagens tomaram o lugar do escritor, o lugar ao sol onde todos os consagrados deveriam estar. E a maioria deles têm esse seu lugar. Mas este poeta e dramaturgo foi, talvez, o único escritor a ceder sua “vida” para seus personagens. Para suas obras.
O curioso de Guilherme Shakespeare é que seu “anonimato” já começa pelo próprio nome. Até mesmo os ingleses conhecedores profundos das obras deste criador de Hamlet, Macbeth, Cimbeline, O Mercador de Veneza, Tímon de Atenas, Otelo, Conto de Inverno, Romeu e Julieta – o mais popular e encenado no planeta! — até mesmo esses “estudiosos” entram em controvérsias ao falarem de Shakespeare.

O desconhecimento de Guilherme é tão grande que chegou-se mesmo a especular que Shakespeare seria um pseudônimo e que Bacon seria o verdadeiro autor das geniais obras assinadas pelo dramaturgo. Até a própria grafia de seu nome gerou polêmica. Uns defendiam Chacksper, outros Shakpere ou ainda, Shakespeyre. E há várias outras formas de grafar-lhe o nome. Falo sobre isso para enfatizar este fenômeno: o autor inglês é praticamente desconhecido. Suas obras falam dele, por ele e para ele. Sabemos que foi ator e que muitos personagens de suas tragédias já existiam, mas foi Shakespeare quem deu-lhes vida, vigor, personalidade, criando-os na materialidade da existência, mas na perenidade de sua alma e na imortalidade de seu exemplo.
Como disse, Guilherme Shakespeare se tornou ator depois de exercer funções como farmacêutico, tipógrafo e até escrivão. Mas foi no contato com o palco que começou a escrever e o resultado o mundo sabe. Casou-se aos dezoito anos mas nada se sabe sobre sua esposa. Não teve nenhuma participação na vida literária do autor.
Para época seus textos eram tidos como populares, encenados até em praças públicas. Simples assim é Shakespeare, de acesso absoluto ao homem, somos sua inspiração, nossas vidas como um todo são exemplo de tragédias: o bem versus o mal, o bom e o mau caráter, a inveja, a vingança, o amor apaixonado, sentimentos presentes no ser humano mas que o autor inglês transpôs para a arte de forma inimitável, ilimitadamente genial.
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E terminemos com um belo soneto traduzido oficialmente pelo poeta maior da estilística contemporânea Geraldinho Carneiro.
Quando penso que tudo quanto cresce
Só guarda a perfeição por um momento.
Que palco desce mundo só oferece
Aquilo que dos astros ganha o alento;
Quando vejo que os homens como as plantas
Crescem e declinam sob o mesmo céu.
Se jactam e depois, a alturas tantas,
Decaem sem memória do que é seu.
Então toda a ilusão da impermanência
Te faz mais moço aos meus olhos agora,
Em que combatem o tempo e a Decadência
Para mudar em noite a tua aurora.
E, combatendo o Tempo por teu amor.
Se ele te toma, eu te faço maior.
Pesquisa baseada no livro de meu pai, Clássicos para a juventude, primeira coleção oficial de clássicos no Brasil. Edição de 1964, da então editora Matos Peixoto.


O Processo, de Franz Kafka
As flores do mal, de Charles Baudelaire

Crime e Castigo, de Dostoiévski
Édipo Rei, de Sófocles
Madame Bovary, de Gustave Flaubert
A Divina Comédia, de Dante Alighieri
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