Fernando Pessoa - Bem Vindo!
Nossa Língua

Quando se fala em escritor, impossível não pensar nos poetas, esses maravilhosos sintetizadores do amor, assim nos honramos com a visita de Fernando Pessoa, para mim o maior dos maiores, o mais criativo e multifacetal escritor de poesia que a Terra já teve conhecimento. Por falarmos a mesma língua, mais orgulho nos dá. Sendo assim, ao amado Fernando Pessoa e a seus heterônimos Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiros, felicitações do Lendo.org pelo Dia do Escritor!
Acho tão Natural que não se Pense
Acho tão natural que não se pense
Que me ponho a rir � s vezes, sozinho,
Não sei bem de quê, mas é de qualquer cousa
Que tem que ver com haver gente que pensa…
Que pensará o meu muro da minha sombra?
Pergunto-me � s vezes isto até dar por mim
A perguntar-me cousas…
E então desagrado-me, e incomodo-me
Como se desse por mim com um pé dormente…Que pensará isto de aquilo?
Nada pensa nada.
Terá a terra consciência das pedras e plantas que tem?
Se ela a tiver, que a tenha…
Que me importa isso a mim?
Se eu pensasse nessas cousas,
Deixaria de ver as árvores e as plantas
E deixava de ver a Terra,
Para ver só os meus pensamentos…
Entristecia e ficava � s escuras.
E assim, sem pensar tenho a Terra e o Céu.Alberto Caeiro
Caminho a teu lado mudo
Caminho a teu lado mudo
Sentes-me, vês-me alheado…
Perguntas: Sim… Não… Não sei…
Tenho saudades de tudo…
Até, porque está passado,
Do próprio mal que passei.Sim, hoje é um dia feliz.
Será, não será, por certo
Num princípio não sei que
Há um sentido que me diz
Que isto — o céu longe e nós perto
É só a sombra do que é…E lembro-me em meia-amargura
Do passado, do distante, E tudo me é solidão…
Que fui nessa morte escura?
Quem sou neste morto instante?
Não perguntes… Tudo é vão.Fernando Pessoa Poesias Inéditas

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