Febre – Robin Cook
Uma família vive feliz em uma cidadezinha pacata no interior dos Estados Unidos, chamada Shaftesbury. Um ex-médico que agora dedica sua vida à pesquisas do câncer (depois de ver sua primeira mulher morrer com leucemia), seus dois filhos Chuck e Jean Paul, sua filha Michelle e ainda sua nova esposa Cathryn.
Eles vivem próximos ao rio Potomac, que cruza toda a cidade, onde é interrompido por diversas fábricas, entre as quais uma instituição química chamada Recycle Ltd., fábrica de reciclagem de borracha, plástico e vinil.
Charles tem feito muito progresso em suas pesquisas com o câncer. Ele busca descobrir uma forma de fazer o sistema imunológico ser forte o bastante para conseguir destruir as células cancerígenas e sente que está prestes a descobrir algo grande.
Sua filha Michelle tem apresentado febre nas últimas semanas e o que parecia apenas um resfriado, escondia algo que traria novamente o terror para a vida de Charles e da família Martel.
Levada ao pediatra, descobre-se que Michelle tem leucemia mieloblástica, o tipo mais agressivo da doença, com casos fatais em 99% dos casos.
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Ao ver sua filha fadada ao mesmo fim de sua ex-esposa, perder seu emprego devido ao instituto se interessar por uma outra pesquisa que Charles sabe ser inútil e descobrir que a Recycle Ltd. despeja benzeno no rio Potomac, que é uma substância causadora de leucemia, o pai se envolve em acontecimentos que vão desde a procura de um órgão que possa fechar a Recycle Ltd., até o rapto de Michelle do hospital para sua casa, onde continua suas pesquisas com os aparelhos roubados de seu antigo emprego, usando o próprio corpo como cobaia, até que enfim seus esforços dão resultado com a descoberta do fator imunológico que poderá curar Michelle.
É Robin Cook mostrando sempre quem é o mestre do terror médico.
Trecho do Livro
Estava mais escuro do que no hall, com a luz vindo de uma pequena lâmpada noturna colocada perto do chão. Dando um tempo aos seus olhos para se acomodarem, Charles ficou por um momento observando o ambiente. Do outro lado da cama via-se o monitor cardíaco. O sinal auditivo tinha sido abaixado, mas o sinal visual permitia ver um traçado repetitivo e fluorescente na pequenina tela. Havia dois tubos endovenosos, cada qual penetrando num dos braços de Michelle. O da esquerda tinha um duplo conector e Charles viu que estava sendo usado para infusão da quimioterapia.
Charles avançou silenciosamente pelo quarto, os olhos fixos no rosto adormecido da filha. Ao chegar mais perto, viu, com surpresa, que os olhos de Michelle não estavam fechados. Estavam observando cada um de seus movimentos.
– Michelle? — murmurou Charles.
– Paizinho — sussurrou a menina em resposta. Ela pensara que se tratasse de outro técnico do hospital, entrando sorrateiramente à noite para tirar-lhe mais sangue.Ternamente, Charles tomou a filha nos braços. Sentiu-a perceptivelmente mais leve. Ela tentou retribuir o abraço, mas seus membros estavam sem força. Ele encostou seu rosto ao de Michelle e embalou-a devagarinho. Podia perceber sua pele corada pela febre.
Observando o rosto da filha, ele reparou que seus lábios estavam ulcerados. Charles experimentou uma emoção tão poderosa que ia além das lágrimas. A vida não era bela. Era uma experiência cruel, na qual a esperança e a felicidade não passavam de ilusões passageiras que só serviam para tornar a tragédia inevitável mais pungente.
Enquanto abraçava a filha, pensou em sua reação diante da Recycle Ltd. e achou que era uma insensatez. Claro que ele podia compreender seu impulso de vingança, mas, em face das circunstâncias, havia meios muito mais importantes para gastar seu tempo. Era evidente que o pessoal da Recycle não se importava com uma garota de 12 anos e podia negar convenientemente qualquer sentido de responsabilidade. E o que dizer da chamada comunidade de câncer? Eles se importariam? Charles duvidava, vendo como tinha visto a dinâmica interior de seu próprio instituto. A ironia estava em que as pessoas que controlavam a megalítica instituição de câncer corriam, em última análise, o mesmo risco que o público em geral de sucumbirem da doença.
– Paizinho, por que seu nariz está tão inchado? — perguntou Michelle, olhando para o rosto de Charles.
Charles sorriu. Doente como estava, Michelle ainda se preocupava com ele! Incrível!
Ele inventou uma história de ter escorregado na neve e de haver caído comicamente de cara no chão. Michelle riu, mas logo seu rosto ficou sério.
– Paizinho, eu vou ficar boa?


A Ilíada e a Odisséia, de Homero
As flores do mal, de Charles Baudelaire

Ulisses, de James Joyce
Hamlet, de William Shakespeare
Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes
A Divina Comédia, de Dante Alighieri
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