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Eu tenho duas professoras velhas

Os fatos ocorrem dentro da faculdade, em duas disciplinas importantíssimas que vou deixar de citar, obviamente, para evitar constrangimentos.

Na primeira delas, entra na sala uma professora exuberante, cheia de vida e vontade para passar todo o conhecimento de seu pomposo currículo para seus pupilos.

Uma aula que dá show em recursos: slides, vídeos, áudios, data show e explicações que simplesmente nos envolvem no fascinante mundo da ling(ops!).

É uma professora velha, que me faz ter vontade de envelhecer logo e saber tanto quanto ela.

Em contrapartida, na outra disciplina, somos enviados à outra sala pois a professora deixou um bilhete na porta, como aviso aos alunos do turno vespertido e esqueceu-se de retirá-lo.

Com sua chegada e desfeita a confusão, ela informa que está com tendinite, glutite, arrebite, #%$ite e terá de ficar sentada a aula toda, pois não consegue ficar em pé.

Então distribui um belo polígrafo para cada aluno — sem levantar-se, evidentemente — e passa a aula toda explicando, de forma repetitiva, monótona e que não acrescenta nada ao que já está escrito.

É uma professora velha, que me faz ter medo de chegar àquela idade com essa minúscula quantidade de energia e sem sequer cativar a atenção de meus alunos com uma aula interessante.

Não pense que eu é que sou o aluno rebelde, que apenas reclama “daquela matéria que não gosto”, isso tudo é fato e é lamentável no ensino de uma universidade.

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5 Comentários

1. por Bruno em
Abr022007, às 21:05pm

Pois é, isso é algo que assola muitas outras salas de universidades e escolas! Penso, que com o avanço de tudo, os professores também devem seguir esta tendência, sendo dinâmicos, espotâneos, etc, mas fazendo o básico: ensinar!
Abraço!

2. por luciano pita em
Jun302007, às 21:09pm

Torço para que, quando você ficar velho, você não tenha tendinite.
Aliás, torço para que você não tenha nenhuma doença, pois se voce for professor de uma faculdade ou escola particular, você irá direto para a rua!! será demitido… pois é assim que funciona o mundo das pessoas dinâmicas, competentes, competitivas, ágeis e espontâneas…

3. por André Gazola em
Jun302007, às 21:21pm

Não sei se isso foi uma crítica ou um fio de esperança, mas espero que quando eu ficar velho, consiga passar para meus alunos tudo aquilo que sei e respeitar o tempo que eles dispendem com minha aula.

Se eu não tiver condições de fazer isso, não tenho o direito de continuar como professor.

4. por luciano pita em
Jun302007, às 21:44pm

No mundo das pessoas dinâmicas, competitivas, astutas, competentes, ágeis, não há direitos; apenas deveres.
Você terá o direito de trabalhar e dar lucro para seu patrão. Se falhar um único instante, está lascado! Direito de greve? nem pensar! Você terá apenas o direito de se conformar.
Velhos com tendinite, artrite, artrose, deficiências físicas não deveriam nem viver, de acordo com os príncipios da competência e da competitividade. Compaixão, solidariedade, compreensão, esperança são palavras detestáveis, execráveis no mundo dos competentes e ágeis. Nesse mundo o que manda é o lucro e a satisfação pessoal e fácil, o egocentrismo, o ganho individual e a pressa de ganhar.

Espero que, quando ficarmos velhos, o mundo tenha superado essa pressa, essa competência, essa competição, e seja mais compreensivo com as pessoas doentes ou com deficiências, com o tempo de cada um. Mas para isso será necessária uma revolução que ponha abaixo o lucro pessoal e particular, a competência e a competição.
Torço por isso e que venha rápido.
Por você e por mim. Por todos nós.

L>Pita.

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