Entre os índios e a corte: Jane Austen vs. José de Alencar
Há alguns dias eu descobri que amo literatura inglesa. Simples e inverossímil assim.
Pois é. Finalmente comprei o Curso de Literatura Inglesa, do Jorge Luis Borges, que eu queria faz tanto tempo. Logo dei de cara com a poesia épica dos anglo-saxões, entremeada pelas divagações dessa biblioteca ambulante que foi Borges.
Ainda estou no início do curso. Autores como Samuel Johnson, William Wordsworth, Coleridge, Henry James, Blake, Chales Dickens e vários outros me esperam. Mas ando ansioso mesmo é pra saber se o meu famoso professor vai falar da nossa querida Jane Austen.
Em quase todas as listas do tipo “Livros que você deve ler antes de [frase inusitada aqui]” constam os romances da Jane: Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice), Razão e Sensibilidade (Sense and Sensibility), Persuasão (Persuasion), Emma (Emma), A Abadia de Northanger (Northanger Abbey) e O Palácio das Ilusões (Mainsfield Park).
São livros que, de um modo geral, recriam a vida da corte inglesa do período Regencial (1800 à 1820, mais ou menos) e denunciam as futilidades, os vícios, os preconceitos e as preocupações das camadas sociais de então. Com heroínas de muita personalidade, fato marcante em suas obras, Jane desconstrói as relações humanas de seu tempo e revela que muitos sonhos e perversões são comuns a todos, independentemente de suas posições na sociedade.
Recentemente comprei Orgulho e Preconceito, na tradução de Lúcio Cardoso, e Persuasão, numa bela edição bilíngue, com tradução de Fabio Cyrino. Estou lendo o primeiro, depois de já ter visto o filme (um fato legal é que todos os livros têm os filmes correspondentes, em várias versões e épocas de produção), e é simplesmente fantástico.

Orgulho e Preconceito - Quem gostou do meu marca-páginas?

O curso de Borges e os romances de Jane. Porque eu adoro fotos de livros
Disso tudo saiu uma decisão importante: vou trabalhar com Jane Austen no meu mestrado.
Claro, faltam dois anos até eu me formar, mas como uma das enormes deficiências no ensino de literatura é justamente a parte da literatura estrangeira, já vou me familiarizando com a produção inglesa e pensando num projeto de pesquisa. Lógico que isso envolve ler todas as obras no original e selecionar bibliografia específica, que é escassa em português. Mas é pra isso que se estuda inglês, ué :-)
Enquanto isso, na faculdade, ando estudando os índios europeus e cristãos do José de Alencar.
[pensando alto] Sem contar que tem gente achando que ler notas de rodapé com informações de vocabulário é ensinar literatura.
Simetria invertida e docência empreendedora. Tá lá no Projeto Pedagógico das Licenciaturas. Pena que ninguém lê… [/pensando alto]
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