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Dostoiévski – Por que ele escreveu O Jogador?

O livro O Jogador é, ao mesmo tempo, autobiográfico, genial e a mais perfeita história literária já contada por um ser humano!

Fiodor Mikaílovich Dostoiévski

Nascimento- 11 de novembro de 1821, em Moslovo.

Falecimento- 9 de fevereiro de 1881, em São Petersburgo.

Seu primeiro contato com a roleta – Dostoiévski era jogador compulsivo!

O francês Louis Blanc, fundador do jogo da roleta organizado, proibido de continuar explorar seus cassinos em Paris, ambicionou a Alemanha, montando quatro casas famosas de jogos nas cidades de Homburg, Wiesbaden, Baden-Baden e Ems.

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Daí começou a famigeração e o vício coletivo, destrutivo, algoz. Com seu prestígio, manteve suas casas de jogos até 1868. Até que uma lei federal, não obstante todo o prestígio do maldito “cassineiro”, interditou e fechou seus cassinos em todo território alemão.

Esse homem, francês terrível e inescrupuloso, com o apoio do príncipe Carlos de Mônaco, fundava então seu mais extraordinário e famoso cassino na cidade de Monte Carlo.

Os russos tornaram-se freqüentadores assíduos do chamado balneário, que na verdade nada fazia para relaxamento do corpo, muito pelo contrário, saiam desmoralizados, corpos em frangalhos, bolsos vazios. Quando não ficavam por lá mesmo, debaixo da terra.

Dentre esses russos viciados, esse maldito francês arrebanhou nosso querido e inestimável Fiodor Dostoiévski, que se deixou seduzir pelas roletas, pelo fascício dos panos verdes, um paradoxo para um dos maiores escritores do planeta, se não for o maior, ao menos no quesito só idéias geniais para romances, já que é constatado que é o escritor de mais proliferação de idéias que uma mente humana poderia ter para literatura. Essa informação é oficial no mundo inteiro, querido leitor.

Certamente haveremos de prestar reverências eternas a Dostoiévski, autor de Crime e Castigo, Os irmãos Karamazov, Noites Brancas, Memórias do Subsolo, O Idiota, O Crocodilo, Nietotchka… (quero ler toda sua obra antes de partir).

Atormentado em toda sua vida, desde jovem preocupava-se com questões materias, em meio a turbilhão de conflitos internos e espirituais. Mas sabe-se também que sua queda para jogo já vinha de há muito, pois passou a juventude a jogar dominó e bilhar, sempre em busca de lucros. Talvez desta forma tentasse fugir de sua mente gigantescamente criativa, uma alucinada máquina de criar.

Desde que voltara da Casa dos Mortos (um de seus primeiros romances), trazendo sua mulher, uma franzina e tísica viúva louca, com o filho desta, e sofrendo terrivelmente com sua epilepsia, migrar para a Europa Ocidental, tornou obsessão do escritor de O Jogador.

Escrevia milhares de artigos, mas estava sempre com dívidas. Assim, no dia 7 de junho, deixou sozinho a Rússia, com algum dinheiro adiantado por seus próximos romances.

Viaja por países como França, Inglaterra, Itália, Suíça, Alemanha. Deslumbra-se com o pano verde das jogatinas. Ingênuo ainda, joga e ganha bastante dinheiro.

Esse é um trecho de uma curiosa carta que Fiodor Dostoiévski escreve à cunhada de Paris após contato com a roleta:

Durante quatro dias observei as mesas de perto. Havia ali centenas de jogadores, mas, palavra de honra, só duas pessoas sabiam jogar! Era uma francesa e um lord inglês. Entendiam do jogo e nunca perdiam, pouco faltando para rebentar a banca. Peço-lhe, não creia que eu estava radiante de alegria porque acabava de ganhar em vez de perder, que eu me julgue um grande conhecedor do segredo do jogo. Esse segredo, aliás, bem o sei, é o que há de mais simples e estúpido. É preciso unicamente domínio sobre si mesmo e, sejam quais forem as peripécias do jogo, a gente evitar o entusiasmo excessivo. Eis tudo. Esta regra impedirá você de perder, fazendo-lhe necessariamente ganhar.

Daí pra frente, só sofrimento e miséria, por dez anos esse vício, mais sua doença incurável, fizeram de Dostoiévski um sofredor, mas o gênio fez de toda essa amarga odisséia sua fonte de inspiração literária.

Na continuidade, falarei do referido livro – O Jogador – e verão como essa inspiração divina se manisfestava, e como esse miraculoso processo inspirador excitava as mais profundas e ultra-sensíveis fibras de criação do escritor.

Não por acaso, Fiodor Dostoiévski é o escritor de maior número de obras literárias que se obteve de um cérebro humano.

Autores que tiveram influência de Dostoiévski

  • Marcel Proust
  • Franz Kafka
  • Albert Camus
  • Nietzsche
  • Sartre
  • Freud
  • Yukio Mishima
  • Aleksandr Solzhenitsyni

Um gênio que fez de suas mazelas, fonte de inspiração, quando qualquer mortal se abateria em fracassos, debatendo-se em desespero.

Mas gênio é gênio.

15 Comentários

1. por Oº°'¨ Jefferson ¨'°ºO em
Ago312007, às 0:39am

Primeiro comment! êba

Dos russos, adoro o Fiódor acima d qq outro. O jeito monótono de ser. Parece um psicólogo contando sobre uma de suas sessões. Vale a pena ler. Vou aguardar ansioso a continuação do comentário.

1 abraço.

PS: Só não vou deixar esse post comportadinho, dizendo q a escrita do Fiódor e do SK são muito parecidas! kkk, agora é me esconder…

2. por Daisy em
Ago312007, às 0:47am

Aguarde a resenha, nobre provocador hehe…

Beijos! hehehe…

3. por André Gazola em
Ago312007, às 9:11am

Nunca cheguei a ler mto Dostoiévski, mais por falta de tempo mesmo.

Li umas partes do Notes from Underground (versão em inglês do Memórias do Subsolo), pra algumas pesquisas da faculdade e já percebi um estilo bem.. hum.. diferente.

4. por Daisy Carvalho em
Ago312007, às 18:53pm

Dé,
Isabela Bocayuva, uma professora que tive, doutora em Filosofia, me falou uma vez que deveríamos ler ao menos uma obra de cada grande escritor, nem que seja um conto, ou fragmentos. Disse ainda, com relação a Dostoiévski, que o mais indicado deste seria lermos Notes from Underground, assim vc teria contato com o grande gênio. Você me inspirou porque dexei minha leitura do Memórias do Subsolo para ler O Jogador, mas estou voltando pra ele apaixonada. ;)
Farei um post depois.

bjs.

5. por _Maga em
Ago312007, às 22:36pm

Olá Daisy!

Esse livro eu li! Hehehe… eu não gostei tanto assim. Achei um livro bom, mas gostei muito mais do conto que veio ao final da edição que eu peguei: O sonho de um homem ridículo.

A minha aula de Romance desta semana foi sobre o romance polifonico de Dostoiévski. Foi bacana, a única coisa que não curti foi que a professora contou o final de vários livros dele, e eu só havia lido três… rs

Vicio é algo triste.

beijos

6. por Alexandre Kovacs em
Ago312007, às 23:22pm

Infelizmente ainda não tive o prazer de ler “O Jogador”, mas, na minha opinião, Dostoiévski criou dois dos personagens mais alucinados da história da literatura universal: Raskólhnikov e o príncipe Míchkin, respectivamente em “Crime e Castigo” e “O Idiota”.

7. por Daisy Carvalho em
Set012007, às 2:24am

É, minha gente, amei O Jogador porque sofro de uma paranóia que me faz querer estar sempre aos pés de um mestre, ouvindo, só ouvindo, sem nada falar. Que impossível hehehe.
Mas é paranóia, vocês aqui vale, com certeza muito mais.

Beijos e beijos! Maga, bom te ver, linda!!!

8. por Daisy Carvalho em
Set012007, às 2:29am

Alexandre Kovacs!!!

Adivinhou meus pensamentos: queria te ver para te parabenizar pelo BlogDay. Desejo felicidades a todos os blogueiros, mas direciono à você a casta de paraninfo desta festa, em nome do Lendo.org!

Beijos! :)

9. por Alexandre Kovacs em
Set012007, às 11:43am

Daisy, Acho que sou muito novo para assumir a função de paraninfo!!!

Falando sério, MUITO obrigado pela sua gentileza e comentários que sempre me incentivam muito. É um prazer participar dos debates do Lendo.org.

10. por _Maga em
Set012007, às 17:08pm

Olá Daisy!

No texto que estava lendo ele falava justamente sobre isso: que cada pessoa se identificava mais com um ou outro personagem do Dostoéviski. No romance dele isso é bem bacana: cada personagem é como se tivesse uma vida própria além do autor, e isso não acontece apenas de obra para obra, mas dentro da mesma obra. Por isso é chamado de romance polifonico.

Bacana, né?

Eu também tenho esses vícios de querer ficar só ouvindo, ouvindo, ouvindo para aprender um monte. Mas em geral sempre falo uma coisa ou outra (ou várias) porque aprendi que aprendo melhor quando participo um pouco… rs

beijokas, linda

11. por Daisy Carvalho em
Set012007, às 22:19pm

Ah, hoje to muito, muito triste.. :(

Falamos depois, minha linda. Esses escritores me arrasam. Que bom que tenho amigos de verdade ao meu lado. Acho que também falo demais rs…

Te adoro, minha linda.

Vai passar…

Beijos! :)

12. por Daisy Carvalho em
Set022007, às 9:25am

Oi, Maga!!! =]

Passou! É que fiquei muito envolvida pelo livro. Não sei se sabe mas literatura não é minha única paixão, eu enredo por caminhos da filosofia e então às vezes me pego sofrendo pela humanidade hehe. Gosto também de teologia e já até estudei com um doutor padre (!), mas foi muito bom, aprendi um pouquinho.
Muito legal essa sua análise de romance polifônico, não sabia que eram assim conceituados esses romances. Bacana mesmo ;)

Bom domingo, querida!

… e beijosss!

13. por Catarina Veloso em
Mai192009, às 12:26pm

Todos os livros de Dostoievsky são verdadeiras obras-primas da literatura mundial. Pessoalmente, não é “O Jogador” o seu livro mais marcante… Para mim, “Crime e Castigo” é, seguramente, um dos melhores livros escritos até hoje… Também “O Idiota”, “Casa dos Mortos”, “Os Irmãos Karamazov”, “O Adolescente”, “Um Sonho de Tio”… Bem, eu sou suspeita porque é um dos meus escritores de eleição. Mas concordo plenamente que todas as pessoas deviam ler pelo menos um livro de sua autoria na sua vida…

14. por Leitora Atenta em
Out312009, às 14:34pm

Minha cara Daisy,

Por que você não indicou na sua bela introdução ao livro do Jogador que as palavras ali escritas são cópia do texto original de Costa Neves?

Não é correto apropriar-se do texto de outrém sem citar a fonte!

Abraços,
leitora atenta.

15. por Marco Antonio Silva em
Set012010, às 12:01pm

Sou fanático desde minha áurea juventude pelos escritores russos, mas um me tocou no fundo de minha alma, Dostoievski, fantástico os seus romances e suas novelas; escritor que mais entende ao fundo a alma humana, não preciso apontar alguma obra em especial. Quero aqui neste momento oportuno apontar uma obra de peso sobre ele (Dostoievski), é a imensa biografia escrita por Joseph Franki, que neste momento estou na leitura do 3º volume e que em cada página me deixa mais preso ao livro. Não deixem de confirmar o que estou destacando.

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