Diário de um professor estagiário – Hay que endurecer pero sin perder la ternura jamás
Uma das competências mais cobradas dos estagiários de licenciatura é o chamado controle de turma. Uma expressão bastante tradicional em meio a série de “inovações” as quais somos incitados a desenvolver como professores.
Controle de turma é a capacidade que o professor tem de fazer-se respeitar e ser ouvido em qualquer momento da aula, seja esse momento conturbado ou não. Para mim, esse respeito precisa ser adquirido o mais cedo possÃvel através de pequenos sinais, que, caso se faça necessário, podem culminar com uma atitude brusca.
Minha segunda aula do estágio começou mais tranquila que a primeira, já que as apreensões iniciais haviam se dissipado. Fiz novamente uma breve apresentação para os alunos que tinham faltado e acrescentei o seguinte:
Haverá um dia em que uma de minhas professoras da universidade vai vir observar nossa aula. Vai ser uma espécie de prova que eu estarei fazendo, então, caso vocês queiram ferrar com o professor, naquele dia vocês devem bagunçar bastante; se não quiserem, podem ser comportar um pouquinho melhor que o normal.
Foi um risco calculado. Eu realmente desejo que eles decidam o que acham certo a partir das aulas que estão tendo comigo. Se eles apreciarem as aulas, tenho certeza que me recompensarão, caso contrário, estou disposto a enfrentar as consequências.
Essa fala também relaciona-se com a minha visão da educação, que busca dar autonomia maior para o aluno em casos em que normalmente ele não tem essa possibilidade. Além disso, é uma forma de expor minha absoluta segurança em estar fazendo um trabalho bom o suficiente para ganhar essa pequena recompensa.
A turma respondeu de forma bem humorada, como eu já esperava. Então iniciei a aula com uma rápida e também bem humorada revisão dos temas da aula anterior e estava pronto para iniciar a matéria do dia, quando alguns meninos começaram a pedir para ir ao banheiro ou para lavar as mãos. Deixei dois deles, um por vez, saÃrem. Após sua volta, um terceiro aluno veio até mim para mostrar suas mãos sujas de cola por uma bolinha de papel propositalmente arremessada por um colega. Olhei para o infrator e disse, com voz firme:
– Na próxima…
E ele virou a cabeça para conversar com alguém, rindo. Então falei com voz ainda mais firme e bastante alta:
– Olhe para mim!
– Na próxima brincadeira, diretoria.
– Sim senhor.
A turma inteira ouviu que aquele professor bem humorado, que traz atividades diferentes e gosta de ouvir a opinião dos alunos, também pode ser rÃgido como outro qualquer.
A aula, a partir desse ponto, seguiu normalmente e sem grandes interrupções. Em todos os momentos em que solicitei silêncio, obtive resposta quase que imediata.
Apesar disso, é importante ressaltar que não se trata de criar ressentimentos. Aquele aluno ficou cabisbaixo pelo resto da aula, mas não deixei-o de lado. Fiz perguntas referentes à matéria para ele, permiti que lesse suas respostas dos exercÃcios (assim como os outros) e continuei com o bom humor que todos merecem.
O resultado da primeira repreensão que fiz a um aluno é que adquiri o tão cobiçado controle de turma.



O Processo, de Franz Kafka
Guerra e Paz, de Leo Tolstoy

Ulisses, de James Joyce
Hamlet, de William Shakespeare
Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes
A Divina Comédia, de Dante Alighieri
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