Diário de um professor estagiário – O Ensino Médio
Na reta final do curso de Licenciatura em Letras, o Estágio III em Língua e Literaturas de língua portuguesa é a continuação natural da prática iniciada semestre passado no Ensino Fundamental.
O Ensino Médio constitui uma experiência bastante diferente para um professor iniciante, pois, além de o conteúdo precisar ser trabalhado de forma diferente — agora sim a estrutura da língua, a gramática, adquire um destaque maior — , a faixa etária dos alunos também exige uma abordagem diferente por parte do professor, que lida agora com adolescentes e todos seus conflitos.
A estrutura da disciplina é a mesma do Estágio II: o estagiário deve escolher uma turma, observar ao menos 2 períodos ministrados pela professora titular e elaborar planos de aula baseados em uma temática que julgue interessante para aquela realidade. Tais planos devem compor 20 períodos de aula, divididos em:
- 4 h/a para usos da língua a partir de gêneros textuais;
- 4 ou 5 h/a para leitura e interpretação de gêneros textuais;
- 1 h/a para produção textual;
- 1 h/a para reescrita da produção textual;
- 1 h/a para leitura dos textos produzidos;
- 8 ou 9 h/a para literatura.
No momento que escrevo este texto, acabo de ministrar meus dois primeiros períodos de usos da língua. Minha turma é de 1º ano, composta por 28 alunos. Ao contrário daqueles da 7ª série do semestre passado, esses são bem mais disciplinados, participativos e maduros, o que, me parece, vai permitir um trabalho muito mais rico.
Os conteúdos de que devo abordar são Coerência e Coesão, em gramática, e o Romantismo, em literatura. Para isso, escolhi a temática culturas urbanas para guiar nossas aulas, ou seja, as conhecidas tribos dos jovens. Nesse sentido, selecionei textos como reportagens, notícias, poemas e contos que tratem (ou ao menos tenham elementos que tornem possível uma relação) de emos, góticos, skatistas, rappers e vários outros desses grupos com os quais os jovens costumam se identificar. O objetivo é tratar dessas culturas urbanas como manifestações sociais que se desenvolveram através de uma série de fatores históricos, que serão analisados em aula através de textos, imagens, e muito diálogo. Evidentemente, através do conhecimento desses grupos, muitas vezes rivais, pretendo ao menos amenizar o preconceito que muitos têm em relação aos jovens de outras tribos.
Nesse semestre, pretendo novamente expor minhas experiências em cada uma das aulas. A inovação vai ser a publicação, junto com tais experiências, dos planos de aula completos, com todo o material utilizado, para você que é professor e gostaria de testar, modificando a seu gosto, minhas propostas de ensino.
Tenho certeza que poderemos compartilhar muitas coisas boas para, juntos, contribuirmos com a educação em nosso país.






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