Diário de um professor estagiário – Considerações Finais

Para finalizar nossa série sobre a primeira grande jornada de um(a) professor(a), é bom refletir sobre o papel do estágio em uma licenciatura: os avanços que representa, os conflitos que se manifestam e são solucionados, as perspectivas que dele se desprendem.

Ensinar, para mim, sempre foi uma necessidade. Apesar de ter percebido que precisava ser professor só 1 ano após terminar o ensino médio, transmitir conhecimento sempre foi algo natural em minha vida, seja na escola, onde frequentemente era o monitor ou ajudante da professora, seja em trabalhos voluntários em que, aos 15 anos, ensinava xadrez para estudantes do ensino fundamental, seja no meu primeiro ano de trabalho com informática, em que eu estudava muito a fim de modificar tudo que fosse possível com base em alguma teoria, escrevia em fóruns especializados e até num blog – que acabou quando resolvi deixar aquele mundo dos chips para adentrar no universo da educação.

Com o estágio, pela primeira vez estive em uma posição formal de ensino na qual era chamado professor. Essa posição permitiu-me, em primeiro lugar, confrontar a minha visão da educação com a minha prática docente. Ou seja, eu pude testar minha adaptação à realidade de uma escola pública com base na visão da educação que eu já tinha, não com o objetivo de verificar se estava certa ou errada, mas de analisar como seria minha relação e a relação que eu estabeleceria entre a teoria, a prática e o meu próprio pensamento como professor.

Essa percepção é algo primordial a qualquer pessoa que pretenda fazer algo pela educação.

Em segundo lugar, ser chamado de professor sanou aquela necessidade da qual falei no início, que é algo essencial a qualquer um que pretenda ser chamado professor. Um legítimo educador, para mim, deve ser aquele que tenha, sob a forma mais íntima, essa necessidade de ensinar, precise disso para que sua vida faça sentido, seja plena. Um legítimo educador precisa depender totalmente, a nível existencial mesmo, do desejo
de mudar a realidade que o cerca.

Para você que não tem esse desejo ou não acredita que possa realizá-lo, por favor vá fazer outra coisa. Não é de você que a educação precisa.

Minha turma não foi excepcional como algumas, não fez festinha de despedida na última aula como algumas, não me presenteou como flores ou bombons como algumas, mas me deu dois presentes que para mim foram muito mais valiosos: a certeza de que quero fazer isso para o resto da vida e o pedido em coro “Professor, fica com nós até o fim do ano?”

André Augusto Gazola é formado em Letras, professor de Literatura e História da Arte, pós-graduando em Metodolodia de Ensino de Língua Portuguesa e Literatura e fundador do blog Lendo.org.É casado e mora em Bento Gonçalves-RS.

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