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Diário de um professor estagiário – Considerações Finais

Para finalizar nossa série sobre a primeira grande jornada de um(a) professor(a), é bom refletir sobre o papel do estágio em uma licenciatura: os avanços que representa, os conflitos que se manifestam e são solucionados, as perspectivas que dele se desprendem.

Ensinar, para mim, sempre foi uma necessidade. Apesar de ter percebido que precisava ser professor só 1 ano após terminar o ensino médio, transmitir conhecimento sempre foi algo natural em minha vida, seja na escola, onde frequentemente era o monitor ou ajudante da professora, seja em trabalhos voluntários em que, aos 15 anos, ensinava xadrez para estudantes do ensino fundamental, seja no meu primeiro ano de trabalho com informática, em que eu estudava muito a fim de modificar tudo que fosse possível com base em alguma teoria, escrevia em fóruns especializados e até num blog – que acabou quando resolvi deixar aquele mundo dos chips para adentrar no universo da educação.

Com o estágio, pela primeira vez estive em uma posição formal de ensino na qual era chamado professor. Essa posição permitiu-me, em primeiro lugar, confrontar a minha visão da educação com a minha prática docente. Ou seja, eu pude testar minha adaptação à realidade de uma escola pública com base na visão da educação que eu já tinha, não com o objetivo de verificar se estava certa ou errada, mas de analisar como seria minha relação e a relação que eu estabeleceria entre a teoria, a prática e o meu próprio pensamento como professor.

Essa percepção é algo primordial a qualquer pessoa que pretenda fazer algo pela educação.

Em segundo lugar, ser chamado de professor sanou aquela necessidade da qual falei no início, que é algo essencial a qualquer um que pretenda ser chamado professor. Um legítimo educador, para mim, deve ser aquele que tenha, sob a forma mais íntima, essa necessidade de ensinar, precise disso para que sua vida faça sentido, seja plena. Um legítimo educador precisa depender totalmente, a nível existencial mesmo, do desejo
de mudar a realidade que o cerca.

Para você que não tem esse desejo ou não acredita que possa realizá-lo, por favor vá fazer outra coisa. Não é de você que a educação precisa.

Minha turma não foi excepcional como algumas, não fez festinha de despedida na última aula como algumas, não me presenteou como flores ou bombons como algumas, mas me deu dois presentes que para mim foram muito mais valiosos: a certeza de que quero fazer isso para o resto da vida e o pedido em coro “Professor, fica com nós até o fim do ano?”

6 Comentários

1. por Rodrigo P. Ghedin em
Dez292009, às 10:39am

Parabéns pelo sucesso, André.

Embora seja formado em Direito e trabalhe com informática (tudo a ver…), educação é algo que me interessa bastante, e acompanhar essa série de posts na qual nos contou sua experiência no estágio foi muito bacana.

[]‘s!

2. por Patricia Gonçalves em
Dez292009, às 14:35pm

Parabéns aí André! ^^

É tão bom qnd a gente acerta nas nossas escolhas não??

3. por Rosana Garcez em
Jan032010, às 15:58pm

É interessante para que outras pessoas entendam a aflição que passamos nessa fase tão importante. Que venham os próximos estágios…Boa sorte!!!

Beijossss

4. por Pal em
Jan062010, às 15:30pm

muito bem escrito. Adorei ler aqui mais sobre vc e seus textos. Parbéns.

5. por Greyheart em
Jan102010, às 10:01am

Tuas ânsias me são plenamente compreensíveis. O sentir-se “alimentador”: de sonhos e caráter, o veículo que conduz conhecimento e prazer. Quantos educadores não faltam neste mundo? A classe dos sábios, dos filósofos, dos estudiosos hoje é apreciada por muito poucos. Triste, mas se tiver que ser assim… que os heróis da resistência (assim como você) estejam onde quiserem estar. Tenho certeza que ele será suficientemente rico e frutífero, pois esta é a minha visão edênica. Admiro-te e torço pela sua realização, já que esta também seria a minha. Forte abraço, Grey.

6. por Rosemari em
Abr182010, às 0:47am

Oi André, sou estagiária de Letras e seus comentários foram fundamentais para entender que o estágio, para aqueles que se preocupam com o que fazem, é uma experiência e tanto.
Minhas dúvidas são as mesmas que as tuas , mas a certeza do que quero fazer é maior que tudo. Meus alunos são maravilhosos. Aliás qual adolescente que não é?
Parabéns teu depoimento é um incentivo.

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