Diário de um professor estagiário – Aulas de porta fechada, mas com janelas abertas
No final do século XIX existiu uma escola literária chamada Parnasianismo, da qual fizeram parte nomes como Alberto de Oliveira e Olavo Bilac. Seu lema era “A arte pela arte”, por isso produziam uma poesia que presava muito pela forma, pela métrica, cujos temas passavam por vasos gregos, ornamentos árabes, animais personificados e algo de mitologia, mas ficavam longe de qualquer preocupação social.
O Parnasianismo acabou e junto com ele dissolveu-se essa visão da arte como um fim em si mesmo, que não precisa, necessariamente, ser algo engajado, preocupado com o mundo ao redor.
Pois bem, todo professor de literatura ou artes deveria ser um pouco parnasiano.
Em pedagogia fala-se muito em objetivo. Tal atividade precisa ter um objetivo, precisa estar de acordo com um plano de aula pré-definido, deve enquadrar-se com as perspectivas do aluno, ou, ainda, tal atividade está sem objetivo. Para mim, isso é correto em muitos casos, no entanto, quando falamos em arte, seja ela escrita, visual, auditiva, tátil, ou qualquer outra, é importante que, de vez em quando, paremos tudo para simplesmente apreciá-la sem objetivo algum.
Na quinta aula do meu estágio em Literatura e Língua Portuguesa, continuamos falando em tecnologia, dessa vez sobre os perigos do desenvolvimento tecnológico exagerado. Comecei resgatando o que os alunos sabiam sobre o assunto e lembrei-os do enredo do filme Matrix, destacando pontos importantes daquela realidade e, inclusive, adentrando em algumas questões filosóficas superficiais que, para minha surpresa, alguns alunos entenderam e até discutiram.
Em seguida, parei a aula para assumir a postura parnasiana que aqui defendo: levei 35 minutos para indicar 8 filmes que 1°) eu tinha certeza que os alunos gostariam muito, por serem bastante atuais e populares 2°) apresentam em sua história algo relacionado à tecnologia: máquinas futuristas, simulacros, realidades virtuais, etc. Foram 35 minutos de um rico diálogo em que vários alunos contribuíram para contar a história dos filmes que já tinham assistido e que prometeram assistir novamente, dessa vez com um novo olhar.
Indicar filmes teve algum objetivo? Até que teve: proporcionar a apreciação de uma arte que os atrai bastante sob uma nova ótica, mas acima de tudo salientar aquela arte como algo que não está assim tão distante dos rígidos currículos escolares.
Logo após, voltamos para o eixo “nós temos objetivo”: lemos uma crônica de Luis Fernando Veríssimo chamada Invólucros e fizemos sua compreensão oral. O trabalho, a partir disso, foi produzir um cartaz que exporia um produto tecnológico criado por eles, a partir de uma montagem com imagens de revistas. Tal produto apresentaria vantagens e desvantagens para a humanidade, que deveriam ser listadas no cartaz para posterior apresentação oral. Um trabalho em duplas que os alunos parecem ter gostado. As apresentações serão semana que vem.


O Processo, de Franz Kafka
As flores do mal, de Charles Baudelaire

Ulisses, de James Joyce
Édipo Rei, de Sófocles
Madame Bovary, de Gustave Flaubert
A Divina Comédia, de Dante Alighieri
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André