Diário de um professor estagiário – A turma ideal
No semestre passado, quando fiz estágio em uma turma de 7ª série do Ensino Fundamental, enfrentei um grupo extremo em questão de disciplina. Houve professores que disseram ser a pior turma já vista em sua carreira. No entanto, para quem se lembra, entrei lá ignorando tais comentários e o trabalho foi muito satisfatório.
Dessa vez, pelo contrário, estou num grupo com pouquíssimos problemas disciplinares, que se mostra bastante interessado e participativo nas minhas aulas, fazendo todas atividades propostas e mostrando capacidade de opinar sobre as diversas questões que levanto ao longo do período. Tenho uma daquelas tão sonhadas, até míticas, turmas ideais.
Como um professor deve encarar esse tipo de turma?
Comemorar, agradecer aos céus e continuar dando suas aulas planejadas antes de, efetivamente, saber de sua fortuna, seria uma atitude normal, mas passiva.
O modo ativo de encarar a situação é ver aquele grupo como um desafio ainda maior que o proporcionado por problemas disciplinares. Ora, se tenho alunos interessados em aprender, devo lhes proporcionar esse aprendizado, indo além daquilo que o sistema de ensino costuma esperar deles, principalmente quando sabemos que o nivelamento é feito por baixo. É preciso subir um degrau, dois, três, até que vejamos qual o verdadeiro limite.
O professor de uma turma ideal precisa ser tão interessando e ativo quanto seus alunos, do contrário ele só contribuirá para a manutenção daquele sistema que espera pouco e está satisfeito com pouquíssimo.
Pergunte, levante novos assuntos, veja a opinião deles, mostre vários lados de uma mesma questão, polemize, compare, ironize, expanda, aprofunde, faça exercícios mais difíceis, desafie, argumente, exija, comprometa, resgate, trace paralelos históricos, explique, deixe explicar, entenda e deixe entender.
Enfim, permita que seus alunos usufruam de toda a sua capacidade de ver o mundo sobre os mais diversos ângulos, refletindo e formando opiniões sobre cada um deles. Esse é o verdadeiro desafio.


O Processo, de Franz Kafka
As flores do mal, de Charles Baudelaire

Crime e Castigo, de Dostoiévski
Hamlet, de William Shakespeare
Madame Bovary, de Gustave Flaubert
A Divina Comédia, de Dante Alighieri
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André