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Copa de Literatura Brasileira

Em um país desgastado por competições esportivas, onde pessoas vibram (e agem) loucamente por atletas que sequer reconhecem sua existência, um projeto como uma competição entre livros pode soar como uma pretensão demasiada.

Ainda assim, as minorias que cultivam o gosto pela arte da literatura não podem ser desprezadas. Por esta razão, a Copa de Literatura Brasileira é um projeto no qual alguns especialistas em literatura/leitura promoverão a escolha do melhor entre 16 livros pré-selecionados.

O sistema funciona como um campeonato de (vulgo) futebol: os 16 livros estão divididos em 2 grupos de 8, e cada um dos jurados lerá 2 destes livros, confrontando-os de forma a escolher qual deles passa para a próxima fase. Na segunda fase, o mesmo sistema, agora com apenas 8 livros em 2 grupos de 4. Seguindo o processo, chegará a final onde os 2 melhores livros serão julgados por todos os jurados e então será escolhido, quem sabe, o melhor livro brasileiro do ano.

O Projeto, idealizado pelo Lucas Murtinho, é inspirado no americano Tounament of Books, criado em 2005 pela revista eletrônica americana The Morning News em parceria com a livraria Powell’s.

Os jurados são os seguintes:

E os livros a serem jugaldos:

Daniel GaleraMãos de Cavalo - Daniel GaleraMãos de Cavalo

‘Mãos de Cavalo’ começa com capítulos curtos, em terceira pessoa, que tratam de episódios aparentemente díspares - o tombo de bicicleta de um garoto de dez anos numa rua vazia da zona sul de Porto Alegre; uma partida de futebol entre adolescentes do condomínio Esplanada, também na capital gaúcha; e os preparativos de um cirurgião plástico bem-sucedido que, em companhia de um amigo, pretende viajar � Bolívia para escalar o Cerro Bonete, façanha até então inédita. Esses acontecimentos vão aos poucos se conectando no tempo e no espaço dramáticos, e compõem uma delicada trama sobre memória, perda e culpa.

Alberto MussaMovimento Pendular - Alberto Mussa Movimento Pendular

O romance começa quando o narrador, empenhado em escrever a História tipológica do triângulo amoroso - obra que reuniria todos os casos teoricamente possíveis de adultério -, se dá conta de que sua tarefa é humanamente impossível. Abandona, então, o projeto inicial e - em vez de um catálogo de histórias - propõe uma teoria universal do triângulo amoroso, dividida em seis postulados fundamentais. Alguns deles são bastante surpreendentes, como - por exemplo - o de que toda relação amorosa pressupõe um adultério; ou o de que houve um único triângulo original, ocorrido na pré-história, de que derivam todos os demais; ou o de que personagens semelhantes, em circunstâncias semelhantes, irão formar os mesmos triângulos.

Sérgio RodriguesAs Sementes de Flowerville - Sérgio RodriguesAs Sementes de Flowerville

‘Flowerville é um megacondomínio de classe média alta, limpo, caro, seguro e artificial’. É neste cenário esquisito, sinistro, situado num bairro ‘pós-urbano’ de um futuro próximo que parece já ter chegado, que se passa ‘As sementes de Flowerville’, estréia em romance do jornalista e colunista literário Sérgio Rodrigues. Personagens sem caráter, imorais ou amorais protagonizam esta história que tem como pano de fundo uma ácida crítica ao modo de vida das sociedades contemporâneas. Misturando elementos como grotescas fantasias sexuais e experiências científicas de risco nos porões esquecidos da ditadura militar, Sérgio conduz o leitor por um universo repugnante e assustador, porém familiar.

Michel LaubO Segundo Tempo - Michel LaubO Segundo Tempo

No dia 12 de fevereiro de 1989, Grêmio e Internacional entraram no gramado do estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, para aquele que ficou conhecido como o mais importante confronto da história do esporte gaúcho - o chamado Gre-Nal do século. Na arquibancada, um garoto de quinze anos divide-se entre a atenção aos lances do campo e um dilema - dar ou não a Bruno, o irmão caçula sentado ao seu lado, a notícia que vai mudar radicalmente a vida de ambos. Desde as primeiras linhas, este breve e original romance deixa claro que não trata propriamente de futebol, mas de suas relações com o universo dos afetos.

Luiz VilelaBóris e Dóris - Luiz VilelaBóris e Dóris

Em ‘Bóris e Dóris’, Vilela acompanha o café da manhã do casal título. A vida vazia de Bóris e Dóris se revela em conversas curtas e secas. Palavras duras e reveladoras que traduzem a tensão entre ambos.

Moacyr ScliarOs Vendilhões do Templo - Moacyr ScliarOs Vendilhões do Templo

A expulsão dos vendilhões do Templo de Jerusalém é o ponto de partida para uma narrativa original, que se desdobra em três épocas - 33 d.C., 1635 e 1997. Na primeira parte, ambientada na Jerusalém da época de Cristo, o episódio bíblico é visto pela óptica de um dos vendilhões, camponês arruinado que chegou � cidade em busca de melhores dias e descobriu no comércio do Templo o trampolim para projetos mirabolantes. A trajetória de Cristo é vista indiretamente pelo olhar desse seu obscuro contemporâneo, e a vida cotidiana na Terra Santa é descrita com humor e vivacidade. Na segunda parte da obra, a narrativa dá um salto no tempo e no espaço.

André Sant’AnnaO Paraíso é bem Bacana - André Sant’AnnaO Paraíso é bem Bacana

Setenta e duas são as virgens que cabem a todo mártir da fé, reza a tradição islâmica, e não há de ser diferente no caso de Muhammad Mané, ou seja, Manoel dos Santos, promessa do futebol alemão e internacional, recém-converso e recém-imolado � fé de Alá. Setenta e duas, todas belas e amoráveis, dando mole como nunca em vida, recendentes a maionese e eucalipto. O Paraíso parece ser bem bacana. Mas não. Preso a uma cama de hospital em Berlim, � beira da morte, Mané desfruta, enquanto é tempo e de uma só vez, tudo o que lhe foi sistematicamente negado ao longo da vida breve e da carreira ainda mais - sanduíches regados a maionese, mulheres lascivas e maternais, seios protéticos e orifícios com odor de eucalipto, sem as perebas, secreções e borrachudos de sua miserável cidade natal, Ubatuba, no litoral paulista.

Antonio Fernando BorgesMemorial de Buenos Aires - Antonio Fernando BorgesMemorial de Buenos Aires

O diário de uma temporada em Buenos Aires escrito por um homem que nunca saiu do Rio de Janeiro. As impressões de 1939 anotadas por alguém que morreu um ano antes. Intrigas do meio intelectual relatadas por um autor que duvida da própria sanidade. Obcecado por Machado e amigo de um certo Georgie - na verdade, o jovem Borges -, um professor e crítico literário descreve o dia-a-dia de uma viagem empreendida para procurar um amigo. Enquanto reflete sobre a passagem do tempo, a psicologia da doença, as desilusões amorosas, o autor se vê em meio � s conseqüências do seqüestro duvidoso de Georgie, da morte de uma princesa russa e da falsificação de originais literários.

Ana Maria GonçalvesUm defeito de cor - Ana Maria GonçalvesUm defeito de cor

Fascinante história de uma africana idosa, cega e � beira da morte, que viaja da África para o Brasil em busca do filho perdido há décadas. Ao longo da travessia, ela vai contando sua vida, marcada por mortes, estupros, violência e escravidão. Inserido em um contexto histórico importante na formação do povo brasileiro e narrado de uma maneira original e pungente, na qual os fatos históricos estão imersos no cotidiano e na vida dos personagens, ‘Defeitos de cor’ , de Ana Maria Gonçalves, é um romance histórico, de leitura voraz, que prende a atenção do leitor da primeira � última página.

Luiz Antônio de Assis BrasilMúsica Perdida - Luiz Antonio de Assis BrasilMúsica Perdida

‘Música perdida’ é um romance sobre paixão e renúncia. Escrito de forma impecável com o estilo e o talento de Luiz Antonio de Assis Brasil, o texto flui com a delicadeza e a emoção de uma cantata. Na grande tradição dos músicos de Minas Gerais, um deles se destaca - Joaquim José de Mendanha. Ainda jovem, vai para o Rio de Janeiro estudar com José Maurício Nunes Garcia, a glória da arte colonial brasileira, e com o qual vê confirmada sua poderosa vocação. Circunstâncias in­controláveis, entre as quais certa música perdida e um drama de pecado e culpa, levam-no, de renúncia em renúncia, a abdicar de seu talento e acabar nas gélidas planícies do pampa.

Adriana LunardiCorpo Estranho - Adriana LunardiCorpo Estranho

Neste livro, Adriana Lunardi expõe as angústias cotidianas de duas mulheres. Manu, a fotógrafa, registra os grafites nos muros da cidade antes que sejam lavados. Ela mede o tempo conforme as picadas de agulha. Seus vinte e poucos anos parecem séculos se somados os hematomas que a seringa de glicose deixa em seus braços e pernas. Mariana, a ilustradora botânica já idosa, sabe que as bromélias que ela desenha durarão mais que seu corpo. Mas é pintando que ela engana as horas, aproveitando enquanto estão distraídas no jogo sujo de empurrá-la para o fim.

Cíntia MoscovichPor que sou gorda mamãe? - Cíntia MoscovichPor que sou gorda mamãe?

Narrado em primeira pessoa por uma escritora que, em quatro anos engordou 22 quilos, o romance tenta investigar as possíveis causas da obesidade e da melancolia com doses de drama e humor. Essa personagem-narradora se dispõe a percorrer a própria história, imaginando que as razões de seu sofrimento estariam no passado, brincando com o limite entre realidade e ficção. A linha mestra deste romance é a transmissão geracional, seja ela a transmissão do amor parental, do ódio, de hábitos alimentares, de características familiares ou de personalidade. ‘Por que sou gorda, mamãe?’ é um livro sobre acertos de contas consigo mesma, mas, também, sobre uma escritora que, afinal, assume o seu ofício de escritora integralmente.

Flávio BragaO que contei a Zveiter sobre sexo - Flávio BragaO que contei a Zveiter sobre sexo

Sadismo, masoquismo, prostituição, incesto, pedofilia, voyeurismo, adultério, homossexualidade, sexo grupal. São muitas as perversões de João. Em ‘O que contei a Zveiter sobre sexo’, Flavio Braga relata as peripécias amorosas deste personagem, um herói que busca escapar de sua sina, embora viva com intensidade cada lance erótico que experimenta. Obcecado por sexo e mulheres, João Medeiros, aconselhado por uma de suas amantes, procura um psicanalista, Zveiter, que o aconselha a escrever suas incontáveis experiências sexuais.

Antônio TorresPelo Fundo da Agulha - Antônio TorresPelo fundo da agulha

‘Pelo fundo da agulha’ fecha a trilogia sobre o suicídio iniciada com ‘Essa terra’ (1976) e ‘O cachorro e o lobo’ (1997). São três tempos de um personagem catalisador da vida brasileira na última metade do século XX - o ex-roceiro e hoje bancário aposentado Antão Filho, aliás Totonhim. Como se sente um homem que dedicou a maior parte de sua existência a uma grande empresa, ao se aposentar? Para o protagonista desta história, o sentimento é o de que passará a viver numa espécie de não-lugar, sem saber se ainda terá sonhos próprios.

Roberto Pompeu de ToledoLeda - Roberto Pompeu de ToledoLeda

Bernardo Dopolobo é um autor traduzido em várias línguas, com uma obra extensa, grande prestígio de crítica e querido pelo público. Avesso a entrevistas, ele acaba cedendo ao desejo de um estranho admirador - o professor de literatura Adolfo Lemoleme, que insiste em escrever sua biografia e, nesta tarefa, se dedica a conhecer mais o biografado do que o próprio se conhece. Para contar a vida de Dopolobo, o obcecado Lemoleme refaz detalhadamente todas as viagens do outro, visita cenários que lhe serviram de inspiração, recompõe dados, paixões e segredos.

Carlos Heitor ConyO Adiantado da Hora - Carlos Heitor ConyO Adiantado da hora

‘O adiantado da hora’ conta a história de Zé Mário, um misto de contínuo, moço de recados e faxineiro de um escritório de advocacia, que um dia recebe a missão de se instalar em Cabo Frio e acaba se envolvendo com um elenco de personagens delirantes - uma alemã libertina, desaparecida misteriosamente; o ex-vereador, ex-deputado cassado por decoro parlamentar, corruptor de menores e vigarista em tempo integral Seabra; a morta ressuscitada Aparecida, mulher de conhecido furor uterino; dois forasteiros negros sexualmente bem-dotados; e a filha de Seabra, jovem de belo fêmur.

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6 Comentários

1. por Maria Consuelo Cunha Campos em
Jul302007, às 11:31am

Super criativa idéia, congratulações ! Vi hoje no Info etc e já estou divulgando entre meus amigos

2. por _Maga em
Jul302007, às 16:52pm

Que legal!

Uma competição bastante saudável!

Beijos

3. por Daisy Carvalho em
Jul302007, às 18:28pm

Parabéns ao André e a todos os envolvidos no projeto Copa de Literatura Brasileira que é, sem dúvida alguma, um acontecimento na blogsfera brasileira.
Parabéns!! :)

4. por André Santos em
Jul312007, às 17:09pm

Fantástico essa idéia, legal mesmo. André você já criou uma comunidade no orkut para o blog? Se sim me passa o link por favor.
Abraços!

5. por André Gazola em
Ago032007, às 18:03pm

Oi André, na verdade nunca pensei em fazer isso. Será que vale a pena?

6. por André Santos em
Ago062007, às 10:34am

Eu acho que vale sim, seria mais um meio de divulgar o site.
Abraços

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