Como é eleito o ganhador do Nobel de Literatura
Uma vez por ano, Horace Engdahl se transforma na pessoa mais poderosa do mundo da literatura. Com 58 anos, ele é o presidente da Academia Sueca, responsável por selecionar o vencedor do Nobel de Literatura. A maioria dos outros membros da Academia têm mais de 70 anos, portanto, Engdahl é o mais jovem jurado, cheio de vigor e da cortesia escandinava.
Pode ter certeza que não se trata de uma assembléia homogênea. Nunca sabemos antecipadamente o que vai acontecer no interior da Academia. Até o último momento não se sabe com segurança quem será o vencedor. Nós mantemos a cortesia, mas é um debate acalorado. Quando se fala de literatura ocorrem coisas surpreendentes.

Coisas tão surpreendentes como a concessão do prêmio a Doris Lessing, que não estava na lista de favoritos. Nos fazem rir das especulações — disse Engdahl — sempre estão erradas. Segundo ele, uma vez tomada a decisão, os desacordos desaparecem. O maior de seus lamentos, reconhece, é não ter dado o prêmio a Jorge Luis Borges.
O trabalho da Academia Sueca dura todo o ano. A primeira fase de seleção acontece em fevereiro, quando um comitê examina entre 200 e 300 autores propostos por instituições culturais de todo o mundo. De abril a junho a lista vai se reduzindo a uns 20 nomes e começam a ser estudados os textos, preferencialmente na língua original.
Em algumas ocasiões, especialmente no caso dos poetas, recorremos a tradutores que devem jurar manter o segredo e que sejam capazes de explicar as sutilezas do idioma original.
Perto do verão (na Europa) os candidatos são reduzidos a cinco. E aqui vem o melhor: os acadêmicos suecos tiram férias como o resto dos mortais, tentando ler todos os livros que não tiveram tempo durante o ano. Em setembro, acontece a assembléia plenária, na qual, mediante votação secreta, é eleito o ganhador, por maioria absoluta. Caso não se consiga, é feito um segundo turno entre os candidatos mais votados.
Os acadêmicos têm liberdade para falar dos candidatos em público, mas precisam usar os codinomes conhecidos apenas pelos membros da Academia. Há alguns anos, Harold Pinter era Harry Potter.
Fonte (livre tradução): Papel en Branco


A Ilíada e a Odisséia, de Homero
As flores do mal, de Charles Baudelaire

Crime e Castigo, de Dostoiévski
Hamlet, de William Shakespeare
Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes
A Divina Comédia, de Dante Alighieri
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