E-books? Pirataria? Que nada, o problema está nas editoras
Muito já foi falado sobre a pirataria e seus problemas.
No mercado da música e do cinema, ela é uma verdadeira praga e como tal é tratada. Apesar da facilidade em comprar ou fazer o download de mídias piratas, é comum vermos, nas grandes cidades, a polícia apreendendo material de contrabando.
Ok, temos um ponto para as produtoras. Mas e quando o assunto é a literatura e o mercado editorial? Baixar o PDF de um livro qualquer é uma tarefa muito simples. Por que será que não vemos ações inflamadas das editoras, opondo-se à pirataria?
Certo, agora você vai levantar a velha desculpa “Tudo bem, mas ler na frente do computador é muito ruim, de nada adianta baixar o PDF a não ser para uma leitura rápida de um livro que tenho vontade de comprar. As editoras acabam ganhando com isso, por causa da divulgação”.
Sim, eu concordo com ela. Afinal, é exatamente isso que faço antes de comprar qualquer livro. Até Paulo Coelho já percebeu o quanto pode ser vantajoso (mas desculpe companheiro, os seus, nem de graça).
Na verdade, eu quero levantar uma questão um pouco diferente.
As editoras não valorizam a literatura e, por consequência, o próprio trabalho

Essa semana, o Alex Souza, do Game Retrô, mandou-me essas duas imagens. A primeira é a capa do filme Crime and Punishment (1999), baseado na história do livro Crime e Castigo, de Dostoiévski. Sim, a capa da segunda imagem e, possivelmente, mais um caso de plágio da editora Martin Claret.
Para os leitores, a coleção Obra-prima de cada autor é ótima. Preços baixos, material bom, qualidade razoável. Eu mesmo já comprei vários títulos. Tudo perfeito, a não ser pelo fato de a Martin Claret já ter plagiado diversas traduções. Os irmãos Karamázov, A República, As Flores do Mal, A Metamorfose, Um artista da fome e Carta a meu Pai são alguns dos livros comprovadamente ilegais.
E aí tem gente preocupada com PDFs?
Ora, imagine. Você é um tradutor que pega um livro em russo e passa para o português. Faz um trabalho muito bom e responsável. Aí vem uma editora, pega sua tradução, faz pequenas modificações e ganha rios de dinheiro. Pra você? Nem um centavo.
E esse é só um caso para ilustrar, há diversos outros, de diversas editoras maiores ou menores, envolvidas com plágio. O caso dos Contos de Voltaire, da Nova Cultural, é um deles.
Então olhamos para o lado, lemos um blog aqui e outro ali e só vemos a mesma coisa: “Porque no Brasil a literatura é ruim. Não temos bons escritores.” E blá blá blá.
Pode até ser verdade. Mas até que os responsáveis pela produção, distribuição e divulgação dos livros, não tomarem consciência da responsabilidade que envolve tudo isso, nunca vamos ter “literatura de verdade”, seja lá o que isso signifique


O Processo, de Franz Kafka
Guerra e Paz, de Leo Tolstoy

Crime e Castigo, de Dostoiévski
Édipo Rei, de Sófocles
Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes
A Divina Comédia, de Dante Alighieri
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