Barão de Itararé - A voz revolucionária do Rio Grande do Sul
Rebeldia de um grande escritor e jornalista do Sul
Toda a honra aos escritores, aos revolucionários do Brasil, aos homens das Letras, os de palavra, os que fizeram, na forma literária, algo mais que Literatura. Brigaram pela cultura e pela História do nosso solo. Ao verdadeiro jornalismo do Brasil!
Nossos homens de verdade, os que de verdade escreveram… E é por isso que, de certa forma, Aparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, o Barão de Itararé, que nasceu na cidade de Rio Grande, interior do Rio Grande do Sul próximo a fronteira do Uruguai, em 29 de janeiro de 1895 vem cumprimentar os leitores. Falarei um pouco de sua contribuição ao atual requinte literário, jornalístico e sagaz do Brasil. Ou o que restou dele, do jornalismo sério e honesto.
Uma homenagem aos leitores, sobre um homem de cultura infinita, escritor inquieto que, dentre outras facetas, inspirou Graciliano Ramos em sua compilação no livro Memórias do Cárcere.
Barão de Itararé

Sua veia jornalística, ímpar, o leva a caminhos desconhecidos da verdadeira arte da comunicação. Uma questão de talento nato de quem nasceu para redigir de forma romântica, a vida, sem perder de vista a informação. Significa que Barão de Itararé é um jornalista, escritor, ensaísta, e prosaico homem que fez pelo povo brasileiro o que poucos brasileiros da comunicação fariam, já que sua ira jornalística comprova seu anseio e amor apaixonado pela informação. Muito raro, sem dúvida.
Curioso
Essa celebridade brasileira, o Barão de Itararé, sofre um derrame numa queda de cavalo e se afasta da faculdade no quarto ano. Assim, passa a viajar pelo país, dando conferências. Uma sumidade intelectual. Um homem do povo, repleto de ideais.
Em 1906 faz seu primeiro jornal, depois de se matricular no colégio interno Nossa Senhora da Conceição, em São Leopoldo, RS. Esse seu primeiro jornal vem a se chamar “Capim Seco”, com tiragem de um exemplar em 1909. Mas foi fundador de vários outros jornais, como poderão conferir mais abaixo.
Inquietação
Deixa o colégio após cursar o quinto ano ginasial em 1911. Anos após, matricula-se na Faculdade de Medicina, por pressão de sua família. Rebeldia e determinação.
Pontas de Cigarros, Versos diversos e Poemas bem humorados, o primeiro e único livro com seu nome verdadeiro, é publicado em 1916.
Em 1918, durante suas férias, sofre um derrame quando andava a cavalo na fazenda de um tio. Face ao problema surgido, abandona a Faculdade no 4º. ano e inicia viagens pelo interior do estado, fazendo conferências sobre diversos assuntos. Publica sonetos e artigos em jornais e revistas, como: Kodak, A Máscara e Maneca. A partir de então, dedica-se exclusivamente ao jornalismo. Nessa mesma época funda A Noite e a Reação, A Tradição e O Chico, seu primeiro jornal de humor.
A minha proposta é chamar a atenção do leitor para este homem fenomenal, nascido no Rio Grande do Sul mas um homem do mundo, uma celebridade, indubitavelmente um jornalista nato, uma personalidade que todos devem ter acesso. Resistiu às prisões e aos cárceres, mas não abriu mão de sua ideologia democrática. Homem sem igual.
Dentre muitas verdades que lhe são confiadas, a mais contundente e apaixonante é saber de fato que em meio ao governo de Getúlio Vargas, este homem da comunicação bateu de frente com o poder, sendo, como já disse, citado na obra prima de Graciliano Ramos, Memórias do Cárcere, ou seja, Barão de Itararé participou da luta pela soberania intelectual brasileira, deixando legado de homem decidido que brigou com o mundo, com o governo e com a família para expressar sua postura ética diante da política corrupta no Brasil. Um verdadeiro jornalista. Há que se beber em sua fonte até o fim dos tempos. Um comunicólogo de corpo e alma.
Algumas escrituras sagradas sobre o Barão de Itararé:
Al Barón de Itararé
un grande entre los grandes,
con respeto le saluda de pie
el poeta de los Andes:
Neruda.Pablo Neruda (1945)
Não poderia ficar a noite toda falando desse mestre do jornalismo, da imposição, da braveza, da comunicação de massa. Barão de Itararé nasceu para escrever… a verdade, somente a verdade, nua e crua. Graciliano Ramos dedicou em seu livro Memórias do Cácere alguns momentos de citação. Vejam:
Este último (Graciliano Ramos), em “Memórias do Cárcere”, referiu-se por diversas vezes ao Barão, tendo dito: “… Ao fundo, Apporelly arrumava cartas sobre uma pequena mesa redonda, entranhado numa infinita paciência. Avizinhei-me dele, pedi notícias do livro que me anunciara antes: a biografia do Barão de Itararé. Como ia esse ilustre fidalgo? A narrativa ainda não começara, as glórias do senhor barão conservavam-se espalhadas no jornal. Ficariam assim, com certeza: o panegirista não se decidia a pôr em ordem os feitos do notável personagem.
Alguns trabalhos publicados do autor
- Pontas de Cigarros, Apparício Torelly, Rio de Janeiro - 1925
- O Globo - Rio de Janeiro - 1925 - artigos
- A Manhã - Rio de Janeiro - 1926 - artigos
- A Manhã - Rio de Janeiro - 1926-1952 - artigos
- Jornal do Povo - Rio de Janeiro - 1934 - artigos
- Avante, Homem Livre, O Povo - RJ - Década de 30 - artigos
- Diário de Notícias - Rio de Janeiro - 1938-1942 - artigos
- Almanhaque - São Paulo - 1949 - 1º. semestre
- Almanhaque - São Paulo - 1955 - 1º. semestre
- Almanhaque - São Paulo - 1955 - 2º. semestre
- Última Hora - São Paulo - 1955-1959 - artigos esparsos
- Almanhaque - Agência Studioma Editora - São Paulo - 1989 (reedição de 1955)
Alguns trabalhos publicados sobre o Autor
- Apporely Cientista, in Revista Diretrizes, 06/03/1941 - Otávio Malta
- O único Barão da República, in Realidade, janeiro/1970 - Fortuna
- Barão de Itararé - Leandro Konder, Edit. Brasiliense - São Paulo/1983
- O Barão de Itararé - Ernani Só, Porto Alegre/1984
- Máximas e Mínimas do Barão de Itararé - Afonso Felix de Souza (org) - Editora Record - Rio de Janeiro/1986
- As duas vidas de Apparício Torelly, Cláudio Figueiredo, Editora Record - Rio de Janeiro/1988.
Quando ler um artigo, qualquer um, de qualquer jornal, lembre-se deste homem que se sacrificou nos porões do governo Vargas pela nossa liberdade de expressão, pela soberania do povo brasileiro, o Barão que se auto denominou Barão de Itararé. O Barão da Imprensa, o amante dos jornais. E André Gazola, tu que és também gaúcho, recebe este post como um presente da amiga Dai, com todas as honras aos homens de boa vontade do Rio Grande do Sul.
Via | Releituras

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