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As Mentiras que os Homens Contam – Luis Fernando Veríssimo

Estou lendo dois livros do Veríssimo para a faculdade. Um deles é Banquete com os Deuses e o outro é o título desse texto.

Eu já havia tido contato com o livro ainda quando estava no ensino médio. Eu lembro, foi na semana da cultura, um evento bem divertido e interessante, onde cada turma apresentava uma ou mais peças de teatro ou recitavam poesias.

Eu adoro teatro. Lembro que quando li Grande Edgar, que é até hoje meu texto preferido do livro, pensei. “Eu tenho que ser esse cara!”.

As Mentiras que os Homens contam - Luis Fernando VeríssimoAs Mentiras que os Homens Contam Compre sem sair de casa!

Alguém encontra você na rua e pergunta: “Lembra de mim?”. E aí começa uma odisséia de enrolação enquanto você tenta lembrar da pessoa, até perceber que ela confundiu você com outro. É divertido.

Também tem O Homem trocado, que vive por enganos a vida inteira, até que faz uma cirurgia para tirar o apêndice e acorda liso entre as pernas. É curioso.

E finalmente a Festa de criança, na qual os pobres pais devem agüentar os filhos dos outros o dia inteiro. E quem os impede de fazer sua própria festinha no final? É justo.

As Mentiras que os Homens Contam é um livro que no mínimo vai lhe proporcionar boas risadas. E o resto é só o resto.

9 Comentários

1. por Oº°'¨ Jefferson ¨'°ºO em
Out022007, às 14:22pm

Eu tenho todos os dele dessa nova edição da Objetiva. Infelizmente acho o Banquete o pior de todos. Outro detalhe ruim, se vc ler toda a coleção verá que alguns contos se repentem em livros diferentes.

Recomento o Orgias pra dar de presente no final de ano e o Jardim do Diabo, o único romance de todos, mas pura arte.

2. por André Gazola em
Out022007, às 14:48pm

Pelo que eu percebi, o grande problema de O Banquete com os Deuses é o fato de ele falar de muita coisa junta. Pelo menos eu me deparei com nomes de pessoas, filmes, músicas e outros artistas que nunca ouvi falar. Cultura demais, cultura demais.

Qto ao fato de repetirem contos, é porque esses livros são antologias, então acaba repetindo, mas não são muitos.

3. por Oº°'¨ Jefferson ¨'°ºO em
Out042007, às 15:20pm

Como eu li o Jardim do Diabo na mesma época que o Assassinato na Academia de Letras, do Jô Soares, tenho uma comparação entre as duas na ponta da língua: equanto o Verissimo tenta cada vez mais complicar as coisas na estória, e o leitor vai acompanhando (e entendendo) tudo – é uma salada mesmo! – o Jô busca colocar muitos detalhes insignificantes, como qual era a marca de cigarro que fumavam naquela época, ou o perfume que foi lançado em Paris, deixando a leitura chata e sonífera. Quem ainda não leu os dois livros, recomendo ler eles juntos, até como exercício comparativo. Não tem erro: vc aprende na marra!

4. por _Maga em
Out092007, às 23:19pm

Já li ambos…
O Banquete, eu anotei algumas frases que compartilho aqui (com licença…):

“No subconsciente de cada brasileiro, não duvido, vive a secreta certeza de que os índios um dia ainda se reagruparão e nos mandarão de volta as caravelas. Calcamos toda uma cultura sobre o provisório. Não existe lugar mais improvável para se erguer uma cidade do que aquela estreita faixa de terra pantanosa entre o mar e a rocha onde construíram o Rio de Janeiro e aí está: o Rio é o escandaloso protótipo do modo de ser brasileiro. A angústia de Brasília não é sua desolação futurista, é a distância que a separa das caravelas. O Rio, a vida provisória, era o nosso álibi.” p. 12, Luis Fernando Verissimo, Banquete com os deuses

“Também há a fase em que filme bom é filme difícil. Filme que todo mundo compreende não pode ser bom. Isso passa. Vem uma fase de gostar de filmes que todo mundo gosta, mas por razões diferentes. E a fase nostálgica: filme bom, só de 1953 pra trás. Finalmente a rendição. A paixão continua, mas você já não tem o mesmo entusiasmo de antigamente.” p. 17, Luis Fernando Verissimo, Banquete com os deuses

“Truffaut nunca pretendeu do cinema nada além do cinema.(…) Truffaut não se interessa em ser profundo. A primeira mágica do cinema, o fato do cinema em si, já basta como fascínio. (…) Truffaut, como todos da sua geração, começou no cinema pelo deslumbramento. A diferença entre ele e o resto é que ele continua deslumbrado.” p. 21-22, Luis Fernando Verissimo, Banquete com os deuses

“Costuma-se apontar as críticas que são feitas à situação nos jornais ou em pronunciamento da oposição como provas de que existe liberdade de expressão. É uma pseudoliberdade, porque é consentida – e até bem pouco tempo nem isto era – e porque é inconseqüente.” p. 39, Luis Fernando Verissimo, Banquete com os deuses

“As pessoas se preocupam com o efeito da violência na sensibilidade das crianças, mas minha preocupação é um pouco diferente. Tenho medo que esta seja uma geração à prova de deslumbramento. Uma geração dessensibilizada não pela desumanidade que a técnica moderna transmite, mas pela própria tecnica moderna.” p. 45-46, Luis Fernando Verissimo, Banquete com os deuses

“Norma Ephron escreveu um tratado definitivo sobre a frustração emocional do século, sobre o desencontro entre os nossos padrões de felicidade e a vida das nossas células.” p. 67, Luis Fernando Verissimo, Banquete com os deuses (sobre o filme Sleepless in Seatle)

“A colônia de Hollywood, claro, não é só a imaginação americana, é a imagnação de todo o mundo com corrente elétrica. Como todos os impérios, o da vila também se impôs destruindo culturas nativas e escravizando mentes. A diferença é que contra o feitiço deste império não basta sublevação social – nunca escravos quiseram tanto continuar escravos ainda mais se os feitores forem a Sharon Stone sem calças ou o Richard Gere em camisa – ou a reação econômica. Nas recentes dicussões sobre livre comércio do GATT, tudo ficou resolvido entre os Estados Unidos e o resto do mundo menos a questão do quase monopólio americano no mercado internacional de cinema, talvez num reconhecimento tácito de que se trata de um sortilégio, nada que possa ser discutido racionalmente. O mesmo sortilégio que nos mantém acordados para ver a entrega dos Oscars, ano após ano. De olhos colados na TV, somos como indianos assistindo a algum ritual do império inglês nos dias de fausto Raj, vibrando com as cores e os paramentos com que eles nos dominam, de certa forma até orgulhosos da competência com que nos dominam. Não precisamos nos desculpar, é feitiço.” p. 67, Luis Fernando Verissimo, Banquete com os deuses

“Não me lembro de nada que tenha me dado tanto e tão constante prazer desde a infância quanto o cinema – incluindo aí mamadeiras, primas e gibis. A segunda melhor coisa que você pode fazer no escuro é ver um filme. A primeira é ver um grande filme. Obrigada, cinema.” p. 71, Luis Fernando Verissimo, Banquete com os deuses

“Dos seus tempos de réporter em Viena (Billy Wilder) gostava de contar da vez em que foi posto para fora da casa de Sigmund Freud, não sem antes espiar o seu gabinete e notar como era curto o famoso divâ em que “herr Doktor” colocava seus pacientes – e concluir que todas as teorias freudianas eram baseadas na experiência de neuróticos pequenos.” p. 80, Luis Fernando Verissimo, Banquete com os deuses

“É preciso estar livre das dificuldades da vida para concluir, com um mínimo de estilo, que a vida é impossível. Tínhamos uma secreta inveja desses europeus tão bem-sucedidos no seu desespero. Não tínhamos a mesma admiração por filmes em que as pessoas se preocupavam não com a ausência de Deus, mas com um contracheque no fim do mês.” p. 86, Luis Fernando Verissimo, Banquete com os deuses

“A lição para escritores é: defina o seu gol e tente chegar lá como o Pelé chegria, com poucos mas definitivos toques, sem nunca deixar que os meios o desviem do fim. E se, no caminho para o gol, você fizer alguma coisa espetacular, esforce-se para dar a impressão de que foi apenas por obrigação” p. 142, Luis Fernando Verissimo, Banquete com os deuses

“Todas as histórias são iguais, o que varia é a maneira de ouvi-la”. p. 147, Luis Fernando Verissimo, Banquete com os deuses

“Mais tarde, chegamos à questão da importância da experiência para o escritor. Eu sustentava que a experiência é importante para um escritor. Borges mantinha que a experiência só atrapalhava.
- Toda experiência de vida de que eu necessito está nessa biblioteca – disse Borges, indicando a sala de espelhos com as mãos.
- Mas nós não estamos em uma biblioteca – observei.
- Eu estou sempre em uma biblioteca – disse Borges.” p. 155, Luis Fernando Verissimo, Banquete com os deuses

“Você eu não sei, mas um dos meus terrores é o teatro interativo. A possibilidade de acabar no palco, ou de alguém do palco acabar no meu colo.” p. 217, Luis Fernando Verissimo, Banquete com os deuses

“O cérebro humano é uma coisa tão complexa que nem o cérebro humano é complexo o bastante para entendê-lo. Era só o que eu queria contribuir para o desânimo geral destes dias, obrigado.” p. 227, Luis Fernando Verissimo, Banquete com os deuses

(nossa… quanta coisa!)

beijos

5. por _Maga em
Out092007, às 23:22pm

Ah sim: eu também adoro teatro!

Só esse ano devo ter visto umas quarenta peças (sem exageiro).

Beijos

6. por André em
Out102007, às 8:20am

Caramba Maga, que fantástico! Não vou falar de todas as frases, que são ótimas, mas destacar que a frase que eu mais gostei no livro todo, foi essa última do cérebro humano, achei ótima :).

Eu gosto muito de teatro também, mas na minha cidade não tem, salvo em algumas apresentações na faculdade. Uma pena.

Beijos Maga!

7. por Diogo em
Abr092009, às 11:57am

to querendo o resumo d algum conto de luis Fernando verissimo quem poder me fornecer favor enviar pra esse Imail woodpeker-gp@hotmail.com

8. por madalena em
Abr182010, às 19:02pm

gostaria de exemplos de textos sobre a origem da sociologia como ciencia.
por favor se alguem puder me ajudar,estou com preça pra entregar o trabalho.Obrigada antecipadamente

9. por Viviane em
Mai222010, às 15:56pm

Só gostaria de dizer que o nome do autor Luis Fernando Verissimo é escrito todo sem acento, nem no nome e muito menos no sobrenome.

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