Anderson Piva – novos escritores
Ler é sempre um prazer. São momentos que passamos entregues num mundo de fantasias e imagens ao nosso inteiro dispor. Eu confesso que muito me esforço para citar Platão, Sócrates, Raduan Nassar, Geraldo Carneiro, Nietzsche, Milan Kundera e tantos que já mencionei por aqui.
Mas acho também que não podemos deixar de prestar atenção aos novos talentos, escritores contemporâneos que um dia serão também lidos e resenhados como pérolas antigas da literatura brasileira.
Por isso, tenho o prazer de apresentar Anderson Piva.
Anderson Piva nasceu em Araraquara (SP), em 1983. Cursou o primeiro ano da Faculdade de Letras da Unesp de Araraquara no ano de 2003, tendo abandonado o curso logo depois. Escreveu sua primeira peça de teatro aos quinze anos, prontamente encenada pelos alunos de artes cênicas do Sesi de sua cidade. Escreve para jornais e teve poemas selecionados em concursos literários.
Uma coisa é um grande discurso,
outra coisa um grande amor(Sto. Agostinho)
Quase
O amor nasce velho em qualquer coração;
é fruto tardio
de ancestralidades feridas,
de descompassos hereditários,
do choro antigo das várias gerações,
resultado inebriante
dessa magia de converter lágrimas
numa quase-cachaça.
Todo amor nasce marcado
de lutas recentes, mas findas;
soldado conhecedor de cada canto
do seu campo de batalha,
dos requintes militares,
dos artifícios bélicos
da marcial arte de amar;
discípulo virado em mestre,
professor da triste ciência
de tornar sangue
num quase-veneno.
Todo amor nasce maduro.
Superada a longa seca,
a intempérie,
eis que surge indene
com a esperança perene
de uma vida
que é quase-renúncia.
Todo amor nasce morto,
já vivido, já cantado,
já doído, já amado.
Todo amor nasce duro,
escudo
de ancião experimentado,
que esconde um quase-menino
indefeso.
Todo amor nasce quase;
e se é todo, não o é.Todo amor nasce pedra
perpétua, e perdura
na solidez de um silêncio
que é quase confissão.


O Processo, de Franz Kafka
As flores do mal, de Charles Baudelaire

Crime e Castigo, de Dostoiévski
Hamlet, de William Shakespeare
Madame Bovary, de Gustave Flaubert
A Divina Comédia, de Dante Alighieri
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André