Alunos de Letras de pijamas listrados. A vida ao lado dos piores futuros professores do mundo
Depois de quase três meses de férias, a volta às aulas costuma causar impacto, ainda mais pra quem faz a maratona de 6 disciplinas por semestre, ou seja, aulas de segunda a sábado, como eu. Sem contar que enxergar 60 cadeiras enfileiradas depois de 10 dias vendo só coisas assim…

… em Florianópolis, não é lá muito estimulante.
Tudo bem, a rotina também tem seus benefícios.
Aqui começa o fato hilário do início do semestre. Porque vocês sabem, todo início de semestre vem recheado de fatos hilários.
Aula de Literatura Brasileira II. Professor novo, aparentemente muito bom, pede para falarmos um pouco de nossas experiências de leitura, incluindo o último livro lido e também um livro preferido. Na minha vez, falo um pouco sobre a Jane Austen, algo mais sobre Orgulho e Preconceito e sobre minha leitura atual, A casa da minha Infância, de Luis Nassif.
Continuam outras colegas, futuras professoras, como todos ali. Segue-se uma sessão de falas do tipo “Nas férias li O Caçador de Pipas, A Cidade do Sol, Marley e Eu, esse último é meu preferido”, ou “O Menino do Pijama listrado foi o livro que mais me prendeu” e ainda “O último livro que li foi aquele obrigatório do semestre passado”.
Bolas. Deixemos de lado minha opinião nada agradável sobre esses best sellers, que inclui uma cláusula final, em letras miúdas, com “vá lá, pelo menos leem alguma coisa” e pensemos em futuros professores de literatura. Professores que deverão indicar livros para seus alunos, que deverão ter consciência do que significa uma obra maior e uma obra insignificante e, esticando o raciocínio, que deverão ao menos inibir a ideologia consumista que parece já nascer com as crianças de hoje.
O que um aluno de Letras que compra e lê best sellers de forma desenfreada vai se tornar como professor de literatura? Pior ainda: como um aluno de Letras que só lê os livros obrigatórios pretende atuar como professor? Pra completar: o que a literatura vai virar quando o único critério de qualidade for “o livro me prendeu ou não?”
Pra concluir o fato hilário, veja a lista de leituras dessa disciplina, que deverá ser uma tortura para os marleyanos. Infelizmente apenas 4 livros são obrigatórios, feliz daquele que conseguir ler todos. Eu vou tentar.
Romances
- Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
- Canaã, de Graça Aranha
- O Cortiço, de Aluísio Azevedo
- A Carne, de Julio Ribeiro
- Bom Crioulo, de Adolfo Caminha
- O Ateneu, de Raul Pompéia
- Os Sertões, de Euclides da Cunha
- Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato
- Recordações do Escrivão Isaías Caminha, de Lima Barreto
- Contos Gauchescos, de Simões Lopes Neto
Poesias
- Tarde, de Olavo Bilac
- Poesia, de Alberto Oliveira
- Aleluias, de Raimundo Correia
- Poemas e Canções, de Vicente de Carvalho
- Últimos Sonetos, de Cruz e Souza
- Poesia, de Alphonsus de Guimaraens
- Eu, de Augusto dos Anjos
- As relações naturais e outras comédias, de Qorpo Santo
Para tristeza de muitos, nada com animaizinhos fofuxos e nada com vampiros. Amém.



O Processo, de Franz Kafka
As flores do mal, de Charles Baudelaire

Crime e Castigo, de Dostoiévski
Hamlet, de William Shakespeare
Madame Bovary, de Gustave Flaubert
A Divina Comédia, de Dante Alighieri
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