A língua materna e o ensino nas escolas
Em primeiro lugar, isso é uma crítica, ponto.
Baseada em uma palestra que assisti ontem, exatamente sobre o tema título do post.
Língua materna é aquela que aprendemos no meio em que nascemos, aquela que muitos linguístas dizem até que não aprendemos, mas sim temos como inata. Há inclusive, casos onde desenvolvem-se duas línguas maternas, quando a criança é criada em um meio onde usa-se ainda o idioma falado por avós imigrantes, por exemplo.
Quando ingressamos na escola, o primeiro objetivo que temos é aprender a ler e a escrever, mas já dominamos totalmente nossa língua materna (oralmente), construímos frases complexas e somos capazes de nos comunicar com qualquer pessoa que fale a mesma língua.
No entanto, foi criado um mito de que é na primeira série onde devemos adquirir plenamente as habilidades de leitura e escrita. Ainda hoje, crianças são reprovadas por terminarem o ano sem saber ler ou escrever de forma correta! Existe absurdo maior do que esse tipo de exigência?
Ora, 99% dos estudantes chegam ao final do ensino médio sem a menor noção sobre como fazer um resumo, uma resenha, uma explicação, uma definição, um artigo, muitos não sabem sequer escrever uma carta! Tanto não sabem, que uma das disciplinas básicas de qualquer curso universitário é o Português Instrumental, para ensinar exatamente a produzir textos, depois de 11 anos de escolaridade!
Me digam do que adianta decorar uma lista de substantivos-coletivos na terceira série, me digam se fará alguma diferença chamar um bando de lobos, de alcatéia?! Qual a importância em identificar uma lista de pronomes pessoais do caso reto no meio de um texto (eu, ela, ele, nós, eles, ele, nós, vós, ela, ele, ele, tu), quando não se sabe utilizá-los ao produzir o próprio texto?
Quando que alguém, em sã consciência, vai perguntar-nos, fora dos muros da escola: O que é um substantivo? Quantos são os tempos verbais?
Quando somos alunos, sabemos exatamente quais os professores são bons, aqueles que realmente conseguem passar o conhecimento que têm e os métodos de aprendizado que funcionam, sabemos também separá-los dos professores ruins, que apenas vão para a aula transcrevendo o conteúdo do livro didático. Mas por incrível que pareça, quando passamos para o outro lado da mesa, esquecemos de tudo isso e deixamos de buscar os métodos de aprendizado e só damos importância para os métodos de ensino que, simplesmente, não funcionam!
Não estou propondo uma revolução no sistema de ensino, nenhum currículo precisa ser alterado e nenhuma grade de horários modificada. O que precisa mudar — E MUITO — é a abordagem do professor dentro da sala de aula.
Os substantivos, verbos, pronomes, conjunções e preposições continuarão a ser trabalhados, mas de forma a contextualizar — e não compartimentalizar — o conhecimento do aluno. Os professores precisam lembrar que sua função é preparar para a vida: aquela vida onde o trabalho em equipe é imprescindível, aquela vida onde é necessário falar em público, aquela vida onde é preciso argumentar, aquela vida onde nosso senso crítico nos torna cidadãos.

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