Quero-te para sonho, não para te amar: 120 anos de Fernando Pessoa
Fernando Pessoa foi um dos maiores poetas de todos os tempos. Harold Bloom considera-o, ao lado de Neruda, o maior do século XX.
De uma forma nunca vista antes, criou vários heterônimos que representam diversas formas de enxergar e de sentir seu mundo e sua realidade — Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e Ricardo Reis são os mais conhecidos.
Nesta semana, comemora-se o que seria seu aniversário de 120 anos. Mais de um século de amores, sonhos, fingimentos, inscosciências, realidades, esperanças, ilusões, angústias, inquietações. E solidão.
Como uma singela homenagem, recupero um de seus poemas mais belos. Chama-se Coroai-me.
Coroai-me de rosas,
Coroai-me em verdade,
De rosas -Rosas que se apagam
Em fronte a apagar-se
Tão cedo!Coroai-me de rosas
E de folhas breves.
E basta.
Lindo, não? (obrigado, Maura ;-))
Também encontrei um fragmento do programa Contrasentidos, da Espanha, dedicado a Pessoa e sua obra, seus temas, sua obsessão por personalidades fictícias e sua influência na literatura européia do séc. XX. Em espanhol, muchachos:
Pra finalizar, algumas curiosidades sobre Fernando Pessoa:
- Numa tarde em que José Régio tinha combinado encontrar-se com Pessoa, este apareceu, como de costume, com algumas horas de atraso, declarando ser Álvaro de Campos, pedindo perdão por Pessoa não ter podido aparecer ao encontro;
- O poeta trabalhava como correspondente comercial, num sistema que hoje denominamos free lancer. Assim, podia trabalhar dois dias por semana, deixando os demais apenas para dedicar-se à sua grande paixão: a literatura;
- Cecília Meireles foi a Portugal, para proferir conferências na Universidade de Coimbra e Universidade de Lisboa, em 1934. Um grande desejo seu era conhecer o poeta de quem se tinha tornado admiradora. Através de um dos escritórios para o qual Pessoa trabalhava, conseguiu comunicar-se com ele e marcar um encontro. Esse encontro ficou fixado para o meio-dia, mas ela esperou inutilmente até as duas da tarde, sem que Fernando desse o ar de sua presença. Cansada de esperar, Cecília voltou ao hotel e teve a surpresa de encontrar um exemplar do livro Mensagem e um recado do misterioso poeta, justificando que não comparecera porque consultara os astros e, segundo seu horóscopo, “os dois não eram para se encontrar”. Realmente, não se encontraram, nem houve mais muita oportunidade para isso, já que no ano seguinte Fernando Pessoa faleceu;
- O assento de óbito de Pessoa indica como causa da morte “bloqueio intestinal”;
- A Universidade Fernando Pessoa (UFP), com sede em Porto, foi criada em homenagem ao poeta;
- Fernando Pessoa é o primeiro português a figurar na Plêiade (Collection Bibliotèque de la Pléiade), prestigiada coleção francesa de grandes nomes da literatura;
- Ophélia Queiroz, sua namorada, criou um heterônimo para Fernando Pessoa: Ferdinand Personne. “Ferdinand” é o equivalente a “Fernando” em alguns idiomas e “Personne” significa “ninguém”, sendo um trocadilho pelo fato de Fernando, por criar outras personalidades, não ter um eu definido;
- O cantor brasileiro Caetano Veloso possui uma canção chamada “Língua” em que existe um trecho inspirado em um artigo de Fernando chamado “A minha pátria é a língua portuguesa”. O trecho é: A língua é minha Pátria / E eu não tenho Pátria: tenho mátria / Eu quero frátria. Já o compositor Tom Jobim transformou o poema O Tejo é mais Belo em música. A cantora Dulce Pontes musicalizou o poema O Infante.Também o grupo Secos e Molhados musicalizou a poesia “Não, não digas nada”. Os portugueses Moonspell cantam no tema Opium, um trecho da obra Opiário de Álvaro de Campos;
- Em 2006, a empresa Unicre lançou um cartão de crédito intitulado “A palavra” que permite ao titular escolher uma de 6 frases de Fernando Pessoa ou seus heterônimos para gravar no cartão.
- Compre livros de Fernando Pessoa, no Submarino.
E basta.
Crime e Castigo, de Dostoiévski
Édipo Rei, de Sófocles
Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes
A Divina Comédia, de Dante Alighieri
A Ilíada e a Odisséia, de Homero
Guerra e Paz, de Leo Tolstoy
Escreva um comentário
Caros(as) leitor(as)
Seus comentários são muito bem-vindos e para que o convívio entre nós seja aprazível – mesmo quando discordarmos – antes de escrever, leia o que segue:
Não serão publicados: comentários anônimos ou com apelidos grosseiros; comentários escritos todo em MAIÚSCULAS; comentários escritos de forma incompreensível, um exemplo, todo em "miguxês"; comentários com ofensas pessoais; comentários com propagandas e spam.
As opiniões expostas nos comentários são de responsabilidade de quem as escreveu. Obrigado, André