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10 motivos para ler livros atuais

Você já leu Machado de Assis? Racine? Shakespeare? Maupassant? E quanto a Zusak? Yalom? Seierstad? Pamuk?

Estes últimos fazem parte da mais nova geração de romancistas. Eles tem sim contribuído para uma certa diminuição na leitura dos clássicos, porém, há um motivo bem forte: eles são incríveis!

O Alessando Martins publicou em seu blog o post “10 motivos para ler livros clássicos“.

Eu concordo que há obras praticamente obrigatórias para os amantes da literatura, mas não dispenso, de forma alguma, as fantásticas produções escritas atualmente.

Então, como resposta (e não pensem que isso é um conflito, foi uma sugestão do próprio Alessandro), listei 10 motivos para ler livros atuais:

  1. Os livros retratam a sociedade em que são escritos. Se você lê um livro escrito hoje, você se sente engajado nos motivos que levaram o autor a escrevê-lo. Você adquire um maior conhecimento do mundo onde vive;
  2. Ajudam a melhorar sua qualidade de vida. Eu não falo de auto-ajuda, no sentido pejorativo da palavra. Livros como os e Allan e Barbara Pease (Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor? etc.), podem tornar um relacionamento a dois muito mais prazeiroso. Antigamente, não havia esse tipo de preocupação na literatura (não vou entrar na inevitável pergunta: O que é literatura?);
  3. Maior conhecimento do que vai ler, ainda antes de começar. Nunca houve tão boa classificação das obras. Se você quer um romance policial, algo sobre espiritismo, budismo, mitologia, história, psicologia, enfim. As próprias capas ajudam na identificação;
  4. Preocupação com a forma. Alguns podem achar um ponto falho (com o argumento de que o texto acaba se tornando artificial), mas os livros atuais são revisados e revisados e revisados. Assim, a obra chega ao leitor com a melhor qualidade possível;
  5. Valorização como um todo: o livro é uma produção universal. Antigamente, bastava escrever um texto no papel e sair distribuindo. Hoje, os trabalhos de publicação, revisão, editoração, criação da arte e os planos de divulgação fazem parte, diretamente, da produção literária;
  6. Você está atualizado. Ora, quem não precisa estar atualizado hoje em dia? É extremamente prazeiroso conversar sobre literatura com alguém, citando Pamuk, Brown, Yalom e outros;
  7. Você entende melhor o processo de evolução da literatura, da sociedade, da humanidade. Este item é para quem também lê os clássicos, e eu digo: leia os clássicos. Com a comparação entre as obras, entre os tempos em que foram escritas, fica mais fácil de entender muitos aspectos que levaram ao mundo em que vivemos hoje;
  8. Para acadêmicos: busque a intertextualidade. Novamente, comparando os livros clássicos com os atuais, você acaba encontrando aspectos semelhantes, situações em que as obras se relacionam. Em trabalhos acadêmicos, os olhos dos professores brilham ao ver esse tipo de comparação;
  9. Os best-sellers são clássicos. Ou será que os clássicos são best-sellers? Entenda que, aquilo que você está lendo hoje, vai continuar por gerações e gerações e poderá um dia se tornar “clássico”, no sentido em que conhecemos. Se você gosta de Shakespeare, Alighieri ou Sófocles que tal ser um dos primeiros a ler um clássico das gerações futuras? Quem não gostaria de ter lido Macbeth, ainda no séc. XVI?;
  10. Você aprende a pensar. Esta é quase uma crítica que eu tenho aos clássicos: eles lhe contam uma história, narram alguns conflitos e vão para o desfecho. Alguns livros atuais, como os de Orhan Pamuk, praticamente pedem a sua opinião o tempo todo. Você é convidado a participar da trama, discutir os acontecimentos, dar sua versão dos fatos, PENSAR SOBRE O QUE ACONTECE.

Destaco novamente: leia também os clássicos! Mas não deixe passar a oportunidade de ler as fantásticas obras que estão nas vitrines das livrarias. Vale a pena!

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24 Comentários

1. por Daisy Carvalho em
Jun252007, às 17:03pm

Bom… a verdade é que concordo que nem só de clássicos vive o leitor, visto que a contemporaneidade é absolutamente necessária para a compreensão de muitas coisas fora e dentro de nós.
Outro dia citei Voltaire à uma amiga filósofa, no que ela rebateu, dizendo: _ Ah, isso é outra época… e olha que ela é totalmente socrática!
Ps clássicos são os clássicos, porém… a literatura contemporânes está repleta de excelentes autores. Gostaria de citar um, mas…esqueci, juro!
Bj,
Daisy Carvalho.

2. por André Gazola em
Jun252007, às 17:13pm

É um prazer tê-la aqui Daisy :)

Com certeza a contemporaneidade é importante, mas à s vezes precisamos conhecer essas “outras épocas” para entender porque chamamos a nossa de “contemporânea”.

Eu considero a literatura complementar, em todos os sentidos. Deliciosamente complementar :)

3. por Fabiano Caruso em
Jun252007, às 18:37pm

Só agora descobrí este blog através do blog do Alessandro Martins. Muito legal. Acabou de ir para o meu Google Reader.

4. por João Varella em
Jun262007, às 0:10am

Concordo com todos, exceto pelo ponto 10 - parece que foi para chegar no cabalístico número. Nos clássicos os leitores devem pensar em ações e atos dos personagens ou do narrador mais “suaves” e sem tanto destaque. O detalhe à s vezes está no artigo ou no final do predicado de uma frase aparentemente perdida do páragrafo.

Enfim, gostei dos teus 10 pontos e os do Alessandro.

5. por André Gazola em
Jun262007, às 8:38am

Pois é João, realmente o número 10 teve uma certa influência das obras que estou lendo agora. E concordo com vc que nos clássicos o leitor é levado a pensar nesses elementos do enredo.

Contudo, acredito que nas obras atuais o “foco de pensamento” seja diferente. Talvez seja essa a frase que definiria melhor o item.

Abraços!

6. por _Maga em
Jun272007, às 11:28am

Gostei! Você gosta de livros de estilo auto-ajuda? Tenho uma indicação que é bem bacana porque foi escrito por psicologos e pesquisadores brasileiros que realmente entendem do riscado: Comportamento humano - tudo (ou quase tudo) que você precisa saber para viver melhor. (eu li o volume I e II e são bem interessante, com artigos que variam sobre vários assuntos…). A editora é a Esetec, se interessar.

Um abraço

7. por André Gazola em
Jun272007, às 11:35am

Oi _Maga, na verdade não sou mto do estilo auto-ajuda.

Gosto do casal Pease e sempre indico, mas leio mais pela questão de “estudo psicológico”, pois sou apaixonado por psicologia behaviorista, tanto quanto por literatura.

Mas obrigado pela indicação! Lendo o título, parece que vai me interessar bastante :)

Abraço!

8. por Renata Miloni em
Jun302007, às 9:50am

Bom, o item 4 não é bem assim. Mesmo em editoras grandes e boas, eles deixam passar erros absurdos. Nem sempre os livros são revisados mais de uma vez e, por isso, os traduzidos sofrem até mais.

9. por André Gazola em
Jun302007, às 9:54am

Eu nunca percebi nenhum erro grotesco. Talvez falta de atenção, ou talvez não me deparei com nenhum mesmo, por isso coloquei esse motivo ;)

Vc tem algum exemplo pra mostrar pra nós, Renata?

Abraço!

10. por Renata Miloni em
Jun302007, às 9:59am

No momento não me lembro de algum, mas posso procurar em uns livros que li recentemente e depois colocar aqui.

Ah, e não é só erro absurdo que encontro. Os “menores” existem aos montes também. E à s vezes são tão “bobos” que parecem pouco caso com a língua. hehe

11. por André Gazola em
Jun302007, às 10:00am

Fiquei curioso! Qdo achar, mostre aqui para nós :)

12. por Itana em
Ago292007, às 12:23pm

Interessante o artigo do Gazola pois mesmo que a leitura dos clássicos nos marque eternamente, o atual no pega pela cauda e sacode em nós o que o passado nos propiciou. Estou percebendo isso na leitura de Zusak.
um abraço,
Itana

13. por maria elza teles pereira umbelino em
Ago302007, às 11:38am

Que bom que seja discutido os varios tipos de leituras mas, a verdade e que tanto ler livros classicos como livros atuais e importante por motivos acima citados.
Eu, particularmente nao faço destinçao e nem classificaçao do tipo:auto ajuda_pessimo, classicos_otimos; para mim o livro deve ser bom o suficiente para prender o leitor e acrescentar algo novo na visao do mesmo.Alem disso o leitor deve ter maturidade suficiente para filtrar e repensar a ideia do autor, retirando o que há de melhor. OK?

14. por Daisy em
Ago302007, às 13:06pm

Não creio que o leitor alcance esta maturidade. Oque é maturidade? Acho que em literatura,melhor ser imaturo,ler todo tipo de gênero,quebrar a cara, mas sair, sem dúvidas, com algo a mais para pensar. Só depois, já adquirida a informação, aí sim, hora de discernir o que poderá acrescentar à sua vida, suas experiências literárias. E mesmo assim, ainda será pouco. ;)

Beijo,Maria.

15. por maria elza teles pereira umbelino em
Ago312007, às 0:32am

Cara colega Dayse acho que talvez voce nao tenha compreendido meu texto quando digo “não classifico os livros entre pessimos ou otimos e sim pela capacidade de prender o leitor, alem de acrescentar algo de novo na visao do mesmo”. O que significa dizer que leio primeiro, e adquirida a informaçao como disse voce ai sim tenho capacidade de
discernir.Compreendeu?
Abraço, Dayse

16. por Daisy Carvalho em
Set072007, às 1:16am

Um bom motivo para se ler livros atuais é poder ficar a margem dos clássicos, donos da verdadeira história do homem burro, do leitor pragmático que considera o máximo ler três livros em tempo record, achando que estará provando algo… mas para quem?

Voltem ao tempo! Leiam, antes, os mais antigos, ou velhos, como preferirem, mas jamais passarão sua carroça contemporânea à frente dos bois quietos e sobmissos da sabedoria.

Eu indico os VEDAS, PLATÃO, SÓCRATES… que falaram tudo que esses autores milionários reescrevem, adaptando sua narrativa aos moldes financeiros das indústrias editoriais, engodos da literatura.
Mas, é fato, burro é o leitor que não lê, antes de mais nada, os mais sábios, os antigos e clássicos escritores da eternidade filosofia terrestre.

=/

17. por Daisy Carvalho em
Set072007, às 2:16am

Olá, Maria Elza!
Me desculpe a ausência, só vi seu comentário hoje.
Sim, entendi você.
Podemos conversar mais. Admiro pessoas que gostam de debater e assim, na maioria da vezes, travarem amizades eternas.

Beijo, querida. Vou me comunicar por e-mail.

18. por Cézar Santiago em
Set232007, às 1:44am

devo sofrer de alguma compulsão por livros pois sempre estou a procura de novos livros desde clássicos até…( na verdade a obsessão é pelo conhecimento de modo geral) mas o problema é que eu quase não tenho lido e ainda assim continuo a buscar novos livros apesar de não ter terminado de ler os que eu tenho, sinto que o que me desmotiva a ler de fato, é uma desordem mental incessante e obcecada que me faz sempre achar que não estou lendo o livro certo e que estou perdendo tempo.A um tempo atrás me foi diagnosticado TDA/H vc deve conhecer né? sou desordenado em tantos aspectos mas gostaria de saber qualquer coisa sobre como me organizar para ler sem me sentir perdido assim, pois quem sabe você não já vivenciou e/ou viveu algo parecido e possa me orientar de alguma forma. Valeu obrigado por ter lido e espero que responda. Um abraço

19. por André Gazola em
Set242007, às 13:20pm

Cézar, por incrível que pareça isso é normal (claro, TDA não é normal, mas é bem comum hoje em dia). Essa sede por conhecimento é muito boa por um lado, pois conhecimento é uma das coisas que mais precisamos hoje. Por outro lado, cuidado, conhecimento não é tudo.

Viva um pouco mais, tenha mais prazer pela leitura, pense o porquê de você querer ler tal livro, qual a utilidade imediata que ele vai lhe proporcionar. Talvez pensando assim, consiga se focar mais e perder menos tempo com tantos livros inacabados.

Um abraço

20. por Pollyana. em
Jan182008, às 16:11pm

Descobri seu blog hoje, André, mas não descobri a data de postagem desse texto, portanto, nem sei se você lerá meu comentário… Porém não custa tentar, uma vez que “eu tenho” o exemplo sobre o qual você estava curioso, acerca de, nem sempre, o ponto 4 de sua lista ser bem verdade: Paulo Coelho. Chega a ser cômico a total fatal de preocupação com a forma; desde vírgulas que passam em branco à total falta de concordância de texto. Sinto, apenas, não poder compilar aqui uma prova, porque não, não tenho nenhum livro do Paulo Coelho, felizmente. Li pra saber qual é a dele e reli pra me convencer de que eu poderia dizer sem (muitas) culpas que, para mim, Paulo Coelho, apesar de tudo, é a escória de qualquer livraria. Depois vim a saber que essa minha percepção, de erros de ortografia e gramática em seus livros era já lugar comum, um burburinho sobre ele que se ouve em que espreita seus ouvidos, rs… Experimente!

21. por Pollyana. em
Jan182008, às 16:17pm

Olha eu de novo! Não, não leia Paulo Coelho! Dei uma “googlada” pra você:

http://www.portrasdasletras.com.br/pdtl2/sub.php?op=curiosidades/docs/perolas_paulo_coelho

p.s. Vai com fé, não é vírus! hehe…

22. por André Gazola em
Jan182008, às 16:57pm

Oi Pollyana, seja muito bem vinda! Eu não coloco a data de publicação pois acompanho absolutamente todos os comentários, independentemente da data.

É um belo exemplo este seu! Porém acredito que se deva mais ao estilo (se é que se pode chamar assim) do autor e não taaanto às revisões das obras em si.

Mas sem dúvida esse link é ótimo para servir de argumento e salientar a mediocridade desse escritor.

Um abraço!

Links para este artigo:

  1. 10 motivos para ler livros atuais | Alessandro Martins - livros e afins
  2. 48 clássicos da literatura para expandir seu horizonte intelectual

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